Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
CENÁRIO

Retorno seguro às aulas depende da imunização de todos os professores, defende sindicato

Mesmo diante do início da vacinação dos professores da rede pública do Amazonas, e a retomada das aulas em formato híbrido no interior, apenas 9,1% dos professores já receberam a segunda dose. Sindicatos ameaçam greve, caso o retorno aconteça antes da vacinação completa dos docentes



show_ac_14charge_14_082C54F0-C5B3-4DAE-8AA5-1874F3A17A74.jpg Foto: Divulgação
17/05/2021 às 20:34

A notícia do retorno às aulas presenciais na rede estadual de ensino do interior do Amazonas, para a esta quarta-feira (19), ainda encontra relutância entre as lideranças de classe que requerem a imunização completa dos profissionais educação para o fim das atividades em EAD (Educação à Distância). Conforme a Vacinômetro da Fundação de Vigilância Em Saúde, apenas 9,1% dos profissionais já receberam as duas doses da vacina contra covid-19, de um total de 51.853 trabalhadores.

Na última sexta-feira, o governador Wilson Lima (PSC) anunciou em uma live do Comitê Estadual de Enfrentamento da Covid-19, com a presença do secretário de Educação Luis Fabian, a volta dos docentes a sala de aula de maneira híbrida. As turmas, assim como no ano passado, serão divididas em dois grupos (A e B), que frequentarão a escola em dias alternados para evitar aglomerações.



Para dar esse passo adiante na liberação das aulas, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) monitorou o retorno da rede privada de ensino. Entre os dias 31 de março a 9 de maio foram realizados testes para Covid-19 indicando que nenhum aluno foi infectado pelo novo coronavírus. Dos 2.643 testes RT-PCR aplicados, 9 professores testaram positivo para o contaminação pelo vírus.

Porém, a Associação dos Professores (Asprom-Sindical) ameaça greve caso às aulas presenciais sejam retomadas no Estado antes da imunização completa para os docentes. Segundo o presidente do sindicado, Lambert Melo, na manhã desta terça-feira (18) haverá um ato público saindo da sede da prefeitura de Manaus em direção à sede do governo para dialogar com os chefes dos executivos e levar suas reivindicações

“Estamos reivindicando que se continuem aulas remotas, até quando a pandemia estiver totalmente controlada e com um índice de transmissão abaixo de 1%, porque hoje continua elevadíssimo. Queremos a imunização completa, de preferência, até o fim do ano para que possamos organizar o retorno de forma qualitativa e adequada”, pontou.

Outras preocupações que aflingem a classe são a falta de imunizantes os professores nas zonas do interior já que 51.853 profissionais no estado e nessa primeira remessa foram enviadas 9,8 mil doses de vacinas para primeira e segunda dose; e ainda a o fator cheia uma vez que 53 deles estão enfrentando dificuldades com alagações.

“Nós sabemos que além de não ter a imunização, porque o governo está dizendo que vai vacinar hoje e já irá retornar com as aulas nesses municípios na quarta-feira, o que é um absurdo total, porque não teria nem como a 1ª dose fazer qualquer efeito nessas pessoas, também tem o problema que muitos desses municípios não têm acesso a um sinal de internet adequada eles estão a maioria debaixo d’agua”, disse Lambert. 

A vacinação dos professores foi iniciada pelo governo do estado ontem com o município de Iranduba (38,8 quilômetros de Manaus), para acompanhar a decisão da juíza da 1ª Vara da Federal do Amazonas, Jaiza Fraxe, determinando que a União encaminhasse 40 mil doses extras de vacinas para esse público.

A Asprom decretou estado de greve desde o dia 31 de março. Caso não haja um acordo com o poder público em relação ao retorno das aulas, nesta quinta-feira (18) haverá uma assembleia geral extraordinária para definir a aprovação ou não do indicativo de greve.

Sinteam

Já o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (SINTEAM) buscou por meio de uma Ação Civil Pública a suspensão do retorno das aulas da rede estadual de ensino.  Sindicato alega que não há tempo hábil para a imunização completa dos trabalhadores, uma vez que autoridades em saúde afirmam que a resposta do organismo à vacina contra a Covid-9 só ocorre 14 dias após a segunda dose dos imunizantes.

Com isso, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) deu cinco dias para que a Prefeitura de Manaus e o Governo do Estado respondam os questionamentos dos profissionais sobre o assunto.

A ação pede, também, que seja informado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o real período da resposta imunológica após aplicação da vacina nos profissionais em educação e que, somente após a Anvisa responder o prazo é que cada profissional retorne às suas atividades na escola.

“Não podemos correr riscos. Muitas cidades ainda não começaram a vacinar os profissionais da educação. Não dá pra voltar sem segurança, até porque a vacina garante parte da imunidade, mas não de 100%. Há vários relatos de gente que se contaminou e até veio à óbito após a primeira dose da vacina”, disse a presidente do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues. 

Interior

O município de Manacapuru, a 98,8 quilômetros de distância de Manaus, até a tarde de ontem ainda não havia recebido as doses para a imunização dos professores, mas o cronograma de imunização da prefeitura já indicava o início das vacinações para hoje para os profissionais de 50 a 49 anos e finalizando no dia 21 de maio para docentes na faixa etária de 29 a 18 anos.

A quantidade de doses encaminhadas para o município, segundo o prefeito, não dará conta de imunizar todos os profissionais de educação. Além disso, um outro problema põe em cheque o retorno às aulas: a subida no número de casos da Covid-19.

“Vamos iniciar a partir da chegada delas aqui, mas não temos condições de imunizar a totalidade desses profissionais não. Temos hoje mais 25 pessoas internadas e há um indicativo do aumento do número de casos”, revelou o prefeito.

Em Presidente Figueiredo, a 128 quilômetros da capital, a campanha de imunização vai começar entre os profissionais da Seduc. Os professores serão testados antes de receberem a vacinas para ter certeza de que os profissionais não estão contaminados. Além disso, nos dias 27, 28 e 29 de maio será realizada uma força-tarefa para imunizar os trabalhadores da zona rural. Ao todos 1,100 doses de Astrazeneca foram enviadas para a cidade.

“Serão em três escolas que serão localizadas em bairros diferentes para evitar aglomerações. O secretário de educação já está viabilizando juntamente com os diretores dessas escolas para que possam atender em grupos específicos com todas as medidas preventivas para que todos os professores sejam contemplados”, contou a secretária municipal de Saúde de Presidente Figueiredo, Mariane Abreu.

Até o momento os municípios de Silves, Careiro da Várzea, Barcelos, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Gabriel da Cachoeira, Canutama, Anori, Apuí, Santa Isabel do Rio Negro e Tabatinga já vacinaram todos os seus professores, segundo a SES-AM. Além disso, o município de Urucurituba já deu início à vacinação dessa classe profissional.

Conforme o vacinômetro da FVS, o público alvo a ser vacinado é no total de 51.853 professores em todo o estado. Destes, 12,6%, equivalente a 6.511 profissionais, devem receber primeira dose. O vacinômetro aponta que 9,1% (4,719) dos profissionais, já estão completamente imunizados.

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