Quinta-feira, 06 de Maio de 2021
Tristeza

São Paulo exuma túmulos antigos para abrir espaço para sepultamentos COVID-19

A cidade tem batidos recordes constantes de mortes diárias pela doença



aC_5B8728A7-98A7-4C1A-A336-C1F29CC882EA.jpg Foto: REUTERS
02/04/2021 às 09:58

A cidade tem batidos recordes constantes de mortes diárias pela doença

A maior cidade do Brasil acelerou na quinta-feira (1), os esforços para esvaziar antigas sepulturas, abrindo espaço para um número crescente de mortes de COVID-19, já que a prefeitura de São Paulo registrou um recorde diário de sepultamentos nesta semana.



Os coveiros do cemitério de Vila Nova Cachoeirinha, no norte da cidade, trabalharam em trajes de proteção brancos para abrir os túmulos de pessoas enterradas anos atrás, ensacando os restos decompostos para remoção para outro local.

A realocação de restos mortais é padrão nas operações do cemitério, disse o secretário municipal responsável pelos serviços funerários, em nota. Mas assumiu uma nova urgência à medida que o Brasil sofre sua pior onda de coronavírus desde o início da pandemia, há mais de um ano.

O Ministério da Saúde do Brasil relatou 3.769 novas mortes por COVID-19 na quinta-feira, perdendo por pouco um recorde diário pelo terceiro dia consecutivo.

A Bolívia anunciou na quinta-feira que fecharia suas fronteiras com o Brasil, citando preocupações sobre uma nova variante da doença detectada em seu vizinho maior.

Um dia antes, o Instituto Butantan disse ter detectado uma nova variante que compartilhava semelhanças com uma vista pela primeira vez na África do Sul, que parece mais resistente às vacinas existentes. A variante sul-africana é mais contagiosa, assim como uma variante anterior descoberta no Brasil.

O Chile também fechou suas fronteiras para todos os estrangeiros na quinta-feira, enquanto apertou um bloqueio severo, já que ultrapassou 1 milhão de casos registrados desde o início da pandemia.

“O que está acontecendo no Brasil é uma ameaça global”, disse José Miguel Bernucci, secretário da Associação Médica Nacional do Chile. “Fechar as fronteiras não vai nos ajudar muito com as variantes que já temos aqui, mas com as novas variantes que podem continuar a ser criadas.”

Os países da região expressaram preocupação de que o Brasil seja um terreno fértil para novas variantes, à medida que os casos aumentam e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro se recusa a apoiar máscaras e bloqueios.

Tendo expressado ceticismo anteriormente sobre as imunizações, Bolsonaro disse na quinta-feira que só iria decidir se receberia a vacina depois de todos os brasileiros terem sido vacinados.

O Brasil tem demorado a lançar sua campanha de vacinação, com apenas cerca de 7% da população tendo recebido a primeira injeção.

O surto no Brasil é o segundo mais letal do mundo, depois dos Estados Unidos, com uma média de cerca de 3.100 mortes e 74.000 novos casos por dia na semana passada - uma taxa que tem aumentado continuamente desde fevereiro.

São Paulo também tem recorrido aos sepultamentos noturnos para atender à demanda, com cemitérios autorizados a permanecer abertos até as 22h.

No cemitério de Vila Formosa, trabalhadores com máscaras e equipamentos de proteção completos cavaram fileiras de sepulturas sob as luzes das enchentes e lua cheia esta semana.

Os caixões o seguiram. Um homem de 32 anos abaixado em uma caixa de madeira simples. Uma mulher de 77 anos, cujos parentes mascarados se reuniram perto do túmulo.

A cidade de São Paulo registrou 419 enterros na terça-feira, o maior desde o início da pandemia. Se os enterros continuarem nesse ritmo, a prefeitura disse que precisará tomar mais medidas de contingência, sem especificar.

O Brasil atualmente é responsável por cerca de um quarto das mortes diárias de COVID-19 em todo o mundo, mais do que qualquer outro país.

Especialistas em doenças infecciosas alertam que isso só vai piorar, dadas as fracas restrições ao movimento e a lenta distribuição de vacinas.

A Organização Mundial da Saúde disse nesta quinta-feira que os hospitais brasileiros estão em estado crítico, com muitas unidades de terapia intensiva 90% cheias.

“Na verdade, há uma situação muito séria acontecendo no Brasil agora, onde temos vários estados em estado crítico”, disse a epidemiologista da OMS Maria van Kerkhove em um briefing.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.