Quarta-feira, 21 de Abril de 2021
Plano de ação

Secretaria apresenta plano de contingência contra possível terceira onda de covid no AM

O plano consiste na manutenção do hospital de campanha da Nilton Lins, acompanhamento do consumo e da logística do oxigênio, readequação de leitos, até manter a contratação de recursos humanos contratados para a segunda onda



aleam_2ABCC826-32AE-4F44-A0D0-DB5CA545C9F1.jpg Foto: Reprodução
07/04/2021 às 16:07

O secretário de Estado de Saúde, Marcellus Campelo, apresentou nesta quarta-feira (7) o plano de contingência do governo do Amazonas para uma provável terceira onda de covid-19 no estado. O plano consiste na manutenção do hospital de campanha da Nilton Lins, acompanhamento do consumo e da logística do oxigênio, readequação de leitos, até manter a contratação de recursos humanos contratados para a segunda onda.

O plano de contingência da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) que pretende antever uma suposta terceira onda foi adiantado pelo secretário de saúde ao A CRÍTICA neste fim de semana. 



O plano de contingência foi apresentado pela secretária executiva adjunta de Políticas em Saúde, da SES-AM, Nayara Oliveira Maksoud, durante reunião da comissão de Saúde e Previdência da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) na tarde desta quarta-feira. 

Entre as medidas de enfrentamento prioritárias apresentadas pela secretária estão a vigilância genômica com amostragem em regiões sentinelas com o intuito de avaliar a variação das cepas e possíveis escapes da vacina. 

Informação da população sobre as medidas de enfrentamento: distanciamento social, uso de máscara e higienização, medidas epidemiológicas como testagem em massa e isolamento de casos suspeitos e confirmados, manejo clínico de paciente para desospitalização: expansão da capacidade de cuidados pós covid. 

O fortalecimento da atenção primária levando em conta o monitoramento de casos a partir da oximetria, visitas domiciliares ou telemedicina, processo de acompanhamento da desospitalização, seguimento de contato e vacinação. Além de transparência no ato da vacinação: vacinar o maior número possível com a primeira dose e estabelecer a farmacovigilância.

A SES-AM desenvolveu uma metodologia de acompanhamento da ocupação da rede de atendimento hospitalar por fases que projeta a ocupação em cinco cenários. O monitoramento da taxa de ocupação hospitalar quando cada fase é disparada a partir de 75% de taxa de ocupação.

Atualmente, o estado está na fase III (cenário III) com a previsão de ocupação de até 365 leitos de UTI. Conforme dados de ocupação de UTI desta quarta-feira, a taxa de ocupação está em 79% com 275 leitos de UTI ocupados. 

De acordo com a apresentação do plano, o Hospital Delphina Aziz é o unidade médica com mais leitos. 180, seguido pelo Hospital 28 de Agosto; 24 leitos de suporte ventilatório. Dos 365 leitos previstos para serem ocupados, a capital possui 304 leitos por fases, enquanto que o interior 50 na terceira fase. 

Perguntado pelo deputado Wilker Barreto (Podemos) sobre o aumento dos leitos, Marcellus afirmou que o plano contigência feito para segunda onda considerava como "pior momento a repetição do momento que passamos em abril e maio, esse era o pior cenário nosso”.

“Nos nos preparamos para aquele cenário. O que fizemos durante a execução do plano foi visitar cada unidade dessas e enxergar nelas espaço possível de instalação ociosos, obsoletos ou que estavam sendo utilizados para outros fins com capacidade de instalação de leitos. Foi o que aconteceu na Ana Braga, Dona Lindu, Maternidade Balbina Mestrinho”, disse. 

Segundo Nayara, atualmente no Amazonas, o consumo diário de oxigênio é de 18 mil metros cúbicos, com o ápice de 79 mil metros cúbicos em janeiro. O plano de contingência para o abastecimento do oxigênio foi construído conforme aumento do consumo observado em  ocupação de leitos, conversão e ampliação de leitos clínicos e UTI geral em covid-19.

O controle do oxigênio também é feito por matriz de riscos que também tem cinco fases. A quinta fase prevê o consumo diário de 35 mil metros cúbicos com a previsão de mobilização de oxigênio via aérea com o apoio do Ministério da Saúde, através de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). A fase 5.1 estipula o risco de a FAB não conseguir atender a demanda de oxigênio do Amazonas. 

Assim como o oxigênio, a projeção de uso de medicamentos, insumos e EPI considera o cenário de ampliação de leitos, a ocupação de leitos e conversão e ampliação de leitos clínicos e UTI geral. O plano de ação tem como prioridades definir os estoques dos insumos em tempo real; articular aquisições em âmbito nacional e internacional e garantir parcerias nas aquisições por meio do consórcio interestadual de desenvolvimento sustentável e Opas.

Os medicamentos mais usados na rede estadual, de acordo com a apresentação do plano, são vasoativos, bloqueadores neuromusculares, sedativos e analsésico opióide. Por ocasião da segunda onda, o governo do Amazonas contratou 2.330 profissionais de saúde para prestar assistência nesse novo pico. 550 enfermeiros, 260 fisioterapeutas, 100 médicos clínicos gerais e 174 médicos intensivistas, além de outros profissionais. 

Marcellus Campelo reconheceu que o atual colapso hospitalar no país pode dificultar a ajuda ao estado, se uma eventual terceira onda acontecer ao mesmo tempo da segunda alça epidemiológica que atinge o Brasil. No entanto, ele ressaltou que os mais de 500 pacientes transferidos para outros estados entre janeiro e fevereiro, foram transferidos por causa da falta de oxigênio, não por falta de leitos.


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