Sábado, 31 de Julho de 2021
PANDEMIA

Um desafio a mais: PCDs enfrentam a dor de perder familiares que eram cuidadores

Seja com a adoção ou com o reforço de novos mediadores, familiares tentam minimizar a saudade e dar mais qualidade de vida após perdas inesperadas



WhatsApp_Image_2021-04-17_at_12.51.54_9592416E-1653-4E18-908D-4FFFF3547459.jpeg (Foto: Gilson Mello)
18/04/2021 às 08:44

A chegada da pandemia trouxe consigo a maior intensificação do processo de luto vista nos últimos 100 anos no Brasil. Seja por conta da Covid-19 ou por outras perdas, as pessoas enfrentam o momento pensando em como se reinventar sem o ente querido. Essa realidade é ainda mais desafiadora pra crianças e adolescentes que são deficientes e dependem totalmente de algum familiar que faça o papel do cuidador, que propicia segurança e bem-estar à Pessoa com Deficiência (PcD).

Essa é realidade vivenciada por Arthur Dias, jovem que convive há 20 anos com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que perdeu seu avô, Osvaldo Dias, em janeiro de 2021 para a Covid-19. Osvaldo era o suporte e figura paterna de Arthur. De acordo com a mãe, Sara Dias, o processo de luto foi difícil, mas vem oferecendo todo o suporte necessário. 



“Se ele não tivesse esse apoio, provavelmente iria se desestruturar. Todo ganho de estabilidade emocional e autoconfiança que demorou anos para conseguir, seria perdido em um piscar de olhos”, disse. 

Além do cuidador, existe também o mediador, que tem como principal objetivo auxiliar no aprendizado e proporcionar autonomia para que à Pessoa com Deficiência possa prosseguir em seu desenvolvimento, ajudando na interação com outras crianças e todas as pessoas do ambiente escolar.
 
Há quatro anos a fonoaudióloga, Tyelen Ramos, realiza o processo de mediação com o Arthur Dias. A Fonoaudióloga relatou que as atividades são adaptadas e de forma visual para melhor compreensão. Ao longo desses anos sempre manteve contato direto com a família, informando a evolução do paciente. 

“Hoje a maior dificuldade é em relação à independência e autonomia. Estamos o estimulando a fazer as suas coisas sozinho, como estudar, fazer seus lanches e ser barbear, pois antes o seu avô fazia isso para ele. Então, depois dessa perda tão grande, nossa missão agora é o auxiliar a ter uma vida social e ser mais independente”, disse.  

Processo de Adoção

Com a perda do seu cuidador, muitas crianças e adolescentes ficaram órfãs, sendo amparadas por familiares próximos. Caso de Maria Haidêe, diagnosticada com Esclerose Mesial Temporal e Dislexia, ao perder sua mãe para Covid-19, passou a morar integralmente com sua tia Rosana Balbi. 

Segundo Rosana Balbi, o falecimento da cunhada Luciana Balbi foi muito inesperado, porém quando aconteceu não pensou duas vezes em iniciar o processo de guarda e adoção da criança. “Com a morte de Luciana ficamos atordoados, pois estava deixando uma criança que por 7 anos conviveu exclusivamente com a mãe. Após quase um ano ainda estamos nos adaptando a perda e a nova realidade”, completou. 

Com a evolução do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), que trata das adoções no Brasil, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) registrou um aumento de 96% no número de novas ações de adoção no ano passado. 

Rosona ressaltou que todo o processo de guarda foi realizado durante 2 meses, após entrar em contato com a DPE-AM e marcar a audiência, acontecendo de forma remota, por conta do isolamento social. “Realizamos o processo de guarda, agora entramos com outro para conseguir a adoção da Maria. Estamos fazendo tudo conforme a lei, pois queremos dar todo o apoio que ela merece”, informou. 

Amparo do Estado

Em casos como do André Dias e Maria Haidêe, o Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Justiça Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), encaminha para as Instituições de serviços sociais para que tenham acesso psicossocial. Além disso, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) oferece auxilio jurídico caso necessário.

Repórter de A Crítica

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