Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
RESULTADOS

Uso de cloroquina em pacientes do AM apresenta diminuição na taxa de letalidade

Pesquisa inédita no mundo, feita com 81 pacientes no Hospital Delphina Aziz, apresentou diminuição de 18% para 13% na taxa de letalidade da Covid-19. Dosagem que não oferece risco à saúde também foi identificada



marcus_EB80E39B-3CE9-46F0-A5AB-F7CEB61FC7C5.JPG Foto: Reprodução/Internet
06/04/2020 às 11:30

O uso do medicamento cloroquina em pacientes contaminados com o novo coronavírus (Covid-19) apresentou diminuição de 18% para 13% na taxa de letalidade do grupo testado. O resultado da pesquisa inédita no mundo, feita no Amazonas, é divulgado apenas duas semanas após o seu início, no Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz, unidade hospitalar referência para o tratamento da doença na região.

Conforme o coordenador da pesquisa, dr. Marcus Lacerda, a diminuição da taxa de letalidade acontece quando comparada com números de outros países que não utilizaram o medicamento durante o tratamento.



“Pegamos os dados da literatura medicinal de outros países que tinham feito a internação, e o risco de morte era de 18%. Essa taxa, nos nossos pacientes, caiu em 5 pontos, ficando em 13%. É cedo e os números de testes estão pequenos, mas houve esse benefício e vamos continuar incluindo pessoas no tratamento com a cloroquina para darmos prosseguimento aos estudos”, explicou o pesquisador e infectologista.

Lacerda também explicou que o uso do medicamento teve início com pacientes em estado grave, mas, logo em seguida, pacientes internados em leitos clínicos, fora das UTIs, também passaram a ter o medicamento administrado.

“O melhor cenário teria sido trabalhar com todo mundo há duas semanas, mas demos prioridade aos pacientes graves, já que não tínhamos condições de incluir todos. Agora que estamos usando em pacientes como forma de prevenção ao agravamento da doença, esperamos apresentar esses resultados durante a próxima semana se deu certo ou não”, comentou.

Dosagem segura

Outra constatação feita na pesquisa é a da dosagem considerada segura do medicamento. Segundo Marcus Lacerda, foram utilizados dois protocolos de dosagem: um com uma dose mais forte, utilizada em países como a China, e outra que americanos e o Ministério da Saúde está recomendando, mais leve.

“Fizemos essa comparação entre as dosagens e observamos que a dose alta, feita por 10 dias, tem maior toxicidade e pode levar a complicações aos pacientes, então estamos desaconselhando o uso desse método. Já a dosagem mais baixa, concluímos que mesmo o paciente grave pode usar a cloroquina sem risco de ser morto pelo medicamento”, destacou.

Questionado se algum paciente que participou dos testes estaria curado, o médico afirmou que sim, porém, a grande maioria permanece internada e continuará utilizando o medicamento.

Apesar dos resultados, o infectologista destacou a importância de as pessoas não se automedicarem. “As pessoas adquirem a cloroquina pensando que ela vai agir como uma vacina, o que não é verdade, isso não existe. Ninguém deve utilizar esse medicamento pois ainda estamos em fase inicial de pesquisa sendo feita por médicos especializados. O uso indiscriminado pode levar até mesmo ao óbito”, aconselhou.

Hospitais particulares

Segundo Lacerda, vários hospitais de todo o Brasil já estão fazendo uso da cloroquina como medicamento contra o Covid-19 há mais de uma semana, conforme orientação do Ministério da Saúde, que deixou a critério dos médicos o uso da substância. Apesar disso, o pesquisador alertou que o uso feito em outros hospitais, como na rede privada, levam em conta, muitas vezes, somente o critério pessoal do médico.

“Depois que a cloroquina foi tida como uma “droga salvadora”, várias pesquisas estão em andamento. Os médicos em hospitais privados podem estar usando critérios de uso de forma pessoal, portanto o uso em um hospital pode ser diferente do outro. No fim, é importante que os outros hospitais façam suas pesquisas e apresentem os dados para que possamos fazer as comparações e fortalecer o conhecimento geral”, disse.

Referência mundial

A pesquisa se diferencia das outras realizadas no Brasil pois é a primeira realizada no país em ambiente controlado e seguindo todas as exigências dos manuais de pesquisa em medicina do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo o coordenador da ação, em tempos normais, a pesquisa levaria ao menos um ano para ser concluída.

“Conseguimos resultados já com duas semanas e o estudo será publicado ainda nesta terça-feira (7) em revistas científicas de todo o mundo. Os resultados conseguidos aqui no Amazonas poderão servir como referência para outros estudos ao redor do planeta. É uma grande contribuição que não teríamos conseguido sem a ajuda de todos os profissionais envolvidos direta e indiretamente das atividades”, agradeceu o pesquisador.

Lacerda destacou que durante a pesquisa, nenhum membro da equipe adoeceu e agradeceu aos equipamentos de proteção individuais (EPIs) doados pela Universidade do Estado do Amazonas que colaboraram para que a contaminação dos membros fosse zero.

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