Quinta-feira, 28 de Maio de 2020
Vakinha

Financiamento coletivo pela Internet visa ajudar os indígenas do Alto Solimões

Na faixa de fronteira do Alto Solimões, eles precisam de ajuda pois a situação sempre foi bem distante da ideal e, nesse contexto de pandemia, a vulnerabilidade se agravou ainda mais: muitas famílias estão sem renda e, consequentemente, sem alimentação



indios2_B4971558-0D04-4964-AB01-2EB01E0379BA.jpg Cerca de 25 mil indígenas habitam os municípios de Tabatinga e Benjamin Constant, sendo 10% na área urbana / Foto: Divulgação do financiamento coletivo
21/05/2020 às 13:33

Os povos indígenas da faixa de fronteira do Alto Solimões precisam de ajuda pois a situação deles sempre foi bem distante da ideal e, nesse contexto de pandemia, a vulnerabilidade se agravou ainda mais: muitas famílias estão sem renda e, consequentemente, sem alimentação. Uma ação louvável em prol dessa situação específica foi um financiamento coletivo (crowdfunding) criado por pesquisadores e professores do Grupo de Pesquisas Ecologia Humana na Amazônia, Inpa, Ufam, Ifam e do Núcleo de Estudos Socioambientais da Amazônia (Nesam) da UEA, com apoio de organização dos movimentos indígenas, visando arrecadar dinheiro para a compra de cestas básicas para as famílias em situação de emergência.

O link para quem quiser colaborar é o http://bit.ly/ajudaindigenasfronteira. A meta da Vakinha é alcançar R$ 15 mil, e até o fechamento desta edição já haviam sido arrecadados R$ 10.795.



“Qualquer valor que você puder doar já é de grande ajuda! E se não puder doar, mas puder compartilhar, para mais pessoas saberem da campanha, nós agradecemos!”, diz o texto do financiamento coletivo, trazendo também que “cerca de 25 mil indígenas habitam os municípios de Tabatinga e Benjamin Constant, 10% na área urbana” e que “segundo o boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, do dia 14 de maio, os dois municípios do Alto Solimões somavam juntos 539 casos confirmados e 55 óbitos; No mesmo boletim, a Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) informa que 195 indígenas foram contaminados e 13 faleceram, em todo o Amazonas, dos quais 129 foram  infectados e 10 morreram na área de atuação da DSEI-Alto Rio Solimões”.

Segundo o professor Pedro Rapozo, coordenador do Núcleo de Estudos Socioambientais da Amazônia, o objetivo da mobilização da academia com a sociedade visa contribuir com algum tipo de assistência com as comunidades indígenas.

“Nós, enquanto universidade, reconhecemos a importância da ocupação dessas territórios pelos povos indígenas ao mesmo tempo que nos preocupamos com o sistema de organização da saúde pública Nacional para atendimento com esses povos. É necessário a existência de uma política transversal e vertical para a saúde indígena em um momento tão crítico que envolve a transmissão do Covid-19”, analisa o mestre.

Ele frisa que na região a ser ajudada há  cerca de 13 grupos étnicos dentro dos nove municípios que compõem o Alto Solimões e que há iniciativas de protagonismo de outros movimentos contra a propagação do Covid-19 encabeçados por povos indígenas como os kokama, kambeba e tikuna, que estão organizando processos de arrecadação de recursos em prol da prevenção de suas aldeias.

Repórter de A Crítica

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