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Cotidiano
JARDINAGEM

A arte do bonsai conquista novos adeptos em Manaus

Primeira escola do Amazonas dedicada à milenar tradição japonesa realiza experimentos com espécies da Amazônia 19/08/2018 às 06:36 - Atualizado em 19/08/2018 às 17:04
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Aposentado Nelson Perini lidera turma de entusiastas e dedica sua vida aos estudos do bonsai há cerca de um ano e meio (Foto: Junio Matos)
Juan Gabriel Manaus, AM

Basta alguns passos pelo quintal do bancário aposentado Nelson Perini para mergulhar em uma imensidão de bonsais que dão vida ao espaço. Fascinado por um dos traços culturais mais marcantes do lado oriental do mundo, há um ano e meio Nelson passou a dedicar sua vida ao estudo das espécies de bonsais, bem como seus cuidados com o plantio, manutenção e absolutamente tudo o que possa estar relacionado com as pequenas árvores cultivadas em vasos.

“Eu já acompanhava desde criança meus pais, que eram loucos por plantas. Quando eu abria algum site e via aquela arvorezinha bem pequenininha com um tronco gigante que tinha as vezes mais de 100 anos, ficava fascinado. Nós temos a maior floresta do mundo, por que não fazer bonsai aqui também?”, explica Nelson. 

Para resolver a questão, ele decidiu ir além. Ao lado do amigo, o jurista Moacir Batista, formou em março deste ano a Amazonas Bonsai, a primeira escola voltada ao ensino da prática japonesa no estado. Ao lado de outros seis entusiastas, a dupla se reúne a cada dois meses com o renomado bonsaísta carioca Felipe Dallorto, principal referência do segmento no Brasil, que se encarrega de passar ao grupo todo o conhecimento necessário para a confecção de bonsais.

“O que é legal e me aproximou do bonsai é como você consegue fazer uma arvorezinha daquela sobreviver naquele vaso. A primeira regra do bonsai é ter muito estudo da fisiologia da planta, saber como aquela planta é na natureza, o estilo dela, como ela sobrevive, do que ela se alimenta. Tudo aquilo, quando você tira da natureza para botar em um vaso, você precisa devolver pra ela”, diz Moacir.

A preocupação com a parte fisiológica tem um motivo. Os bonsais têm sua origem integralmente na natureza, sendo oriundos de árvores grandes que são transplantadas para os vasos através de uma técnica japonesa chamada Yamadori. Essa técnica consiste em um pequeno recorte da área ao redor da planta que é retirada e inserida em vasos. A partir daí elas passam por um processo que pode durar anos, onde são podadas e moldadas até chegar em seu resultado final.

O método possibilita a transformação das mais variadas espécies de plantas em bonsais, o que na imensidão da Amazônia é um prato cheio. “Estamos testando algumas plantas da região. Atualmente, já temos um bonsai de acerola”, conta Nelson que aproveita para ressaltar que o clima tropical de Manaus – bem diferente do clima japonês – consegue se manter favorável ao bem-estar dos bonsais. “A questão do sol depende muito da espécie da planta. Algumas precisam ficar o dia inteiro, outras só podem pegar sol em determinados horários, mas a umidade também é uma boa ajuda na manutenção”, explica.

Bonsai em processo de confecção feito por integrantes da Amazonas Bonsai (Foto: Junio Matos)

Moldando as plantas

Paciência é a palavra-chave para quem pensa em se aprofundar no mundo dos bonsais. Isso porque os resultados, bem como o processo para se chegar neles, levam anos de cuidados diários. “Um bonsai só passa a ser bonsai quando atinge pelo menos doze anos de idade. A partir dos oito anos de idade ele ainda é um pré-bonsai e antes disso nem pode se enquadrar como tal”, destaca o aposentado.

Observar as plantas ainda na natureza tem, além do caráter fisiológico, o objetivo de observar a simetria da espécie em seu habitat. O ato é fundamental para o bonsaísta entender de que forma aquela planta cresce e ter isso como base na hora de moldar e podar o seu bonsai. Para moldar os galhos, é utilizada uma técnica chamada “aramação”, que consiste em enrolar fio de cobre entre as partes da planta para que se torne maleável. 

“Essa técnica é um processo muito demorado e específico, existe um padrão que deve ser respeitado para conseguir um melhor resultado e esse processo todo geralmente leva em torno de 3 a 4 horas para ficar pronto”, revela Nelson. “Muitos leigos questionam se a gente não acaba trazendo sofrimento à planta. Primeiro que a planta não tem sistema nervoso, ela não vai sentir dor como muitos acham, além do mais é cientificamente comprovado que as árvores tendem a viver centenas de anos a mais quando transformadas em bonsai”, completa Moacir.

Curso

A Amazonas Bonsai realizará uma oficina para quem deseja dar os primeiros passos no mundo dos bonsais. Ainda sem data confirmada, o evento está previsto para o início do mês de novembro na Flora Shizué,  localizado na Avenida Laguna, bairro Lírio do Vale. Mais informações pelo telefone (92) 998158-5305.

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