Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
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A bancada amazonense em Brasília descarta a ideia de impeachment de Dilma

Para iniciar o processo são necessários 342 votos na Câmara Federal, a maior parte dos parlamentares do Amazonas não são a favor do impeachment



1.png Apesar da crise causada pelas investigações da Operação Lava Jato, a presidente Dilma Rousseff conserva força política nas duas casas do Congresso Nacional
15/02/2015 às 19:14

Em meio à onda de manifestações nas redes sociais que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), sete dos oito congressistas do Amazonas — de um total de 11 — ouvidos pelo A CRÍTICA discordam da necessidade de apelar para a interrupção  do mandato da petista como uma forma de solucionar a atual crise do Brasil. “Acho que é um estupro à democracia, é desrespeitar a maioria que votou nela”, disse  o senador Omar Aziz (PSD).

Apesar de fazer críticas ao Governo em tribuna constantemente, ele é a favor da profunda investigação feita pela operação “Lava Jato”, deflagrada em março de 2014, que apura um  esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do País e políticos. “A democracia tem que prevalecer, a presidente Dilma se elegeu. Não temos como falar sobre isso [impeachment] no momento”, afirmou o senador.



Para o parlamentar,  é necessário respeitar a população, mas sem se afobar, pois não há dados palpáveis que imponham a saída de Dilma. “Qual é a participação dela nesse gama de denúncias? Temos que ter muita calma para não tomar nenhuma decisão precipitada. Qualquer tipo de manifestação é legítima: fazer cobranças na transparência, investigação e punição. E, realmente, alguns setores precisam de reposta”, completou.

Da mesma sigla de Aziz, o deputado federal  Silas Câmara concorda que as manifestações são um direito democrático dos cidadãos. “Claro que as manifestações são um direito democrático, principalmente em meio a essa crise de governabilidade e corrupção. Mas a presidente Dilma foi recentemente eleita. Portanto, independentemente do movimento das redes sociais, está legitimada pelo povo para governar o País”, declarou.

Ele também afirma que a Câmara não pode discutir o caso ou solicitar a impugnação da presidente sem um motivo real, embasado em provas concretas. “Não digo que [o impeachment] é impossível. Mas sem um fato real, concreto e verdadeiro, não tem como os deputados tomarem uma decisão contra a escolha do povo brasileiro, que legitimou a presidente nas últimas eleições”, enfatizou.

Integrantes do PMDB, a senadora Sandra Braga e o deputado federal Marcos Rotta não vêem razão para um processo de impeachment. “A presidente Dilma foi eleita democraticamente, com apoio do nosso partido, o PMDB, e não vemos atualmente razões para a abertura de um processo de impeachment”, resumiu a senadora. “Não é possível nem abertura de uma discussão. A meu ver, no momento, não tem nenhum tipo de elemento nem para se levantar a discussão”, disse o deputado.

Na opinião dele, a Câmara não pode, de forma alguma, estar alheia ao que está acontecendo. Porém, ressalta, nem tudo que é publicado na Internet é digno de  credibilidade. “Tem de tudo um pouco nas redes sociais. Mas é preciso estar  vigilante, porque representa grande parcela da sociedade, mas há muitas pessoas centradas com algum objetivo ou interesse nisso”, completou.

Para Rotta, os políticos brasileiros devem se preocupar com questões mais urgentes, que afetem diretamente a população. “Temos que superar problemas que o País está sofrendo em várias frentes, com as crises instaladas no Governo. Devemos nos debruçar nessas questões para salvaguardar os interesses do povo. Em minha opinião, não é um momento de abertura para isso. A palavra chave do momento é cautela”, finalizou.


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