Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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‘A equipe de Dilma é de dar dó’, diz Ciro Gomes

Um dos nomes de maior expressão do PSB, partido da base de apoio de Dilma Rousseff, o ex-ministro Ciro Gomes defende a saída da legenda do Governo e afirma que a presidente da República é cercada por uma equipe inacreditavelmente incompetente



1.jpg Ciro Gomes
02/08/2013 às 17:48

Conhecido por seus comentários ácidos e sem meias palavras, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) não fugiu à regra nesta entrevista que concedeu para A CRÍTICA durante passagem por Manaus ontem, ao palestrar no X Encontro de Revendedores de Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do Norte do Brasil.

Ciro, que por duas vezes foi ministro (Fazenda e Integração Nacional) do governo Lula, disse que a presidente Dilma Rousseff é mal assessorada e que sua atual equipe ministerial é “extremamente incompetente”, sendo responsável pela desastrosa avaliação popular do governo. Confira trechos da entrevista a seguir.

Como o senhor vê as recentes manifestações e a situação político-econômica do Brasil?

Estamos vivendo isso, uma crise grave de representatividade, de legitimidade operacional das instituições, praticamente todas as instituições centrais estão sob crítica. Isso tudo é um perigo muito grande porque você não satisfaz a população e do lado da oposição, há um vazio doído de ideias. As pessoas só atacam as discussões, as contradições, mas não encantam para reformular, a não ser os valores difusos, que só semeiam uma decepção talvez mais profunda e definitiva num futuro. Um moralismo difuso como se a corrupção fosse trocar Chico por Manoel. A gente sabe que não é.

O que o senhor pensa sobre a presidente Dilma?

Uma boa presidente, uma pessoa muito boa, muito séria, cercada de uma equipe inacreditavelmente incompetente, incapaz de até sequer entender do que está acontecendo. Ela está errando. A equipe de Dilma é de dar dó, de chorar. Em conversas antigas, tive o privilegio de ser chamado para ser ministro e disse: com essa equipe não é possível! E não que eu seja grandes coisas, é que a equipe dela é inacreditavelmente incompetente, tem uma exceção aqui outra ali, evidentemente. Colocar Ideli Salvatti para liderar a articulação polícia numa situação como essa é quase insolúvel, como essa que ela entrou? Como Michel Temer, vice-presidente, Renan Calheiros (Senado), Henrique Alves (Câmara), Eduardo Cunha (líder do PMDB), se não morrer é porque não foi servido!

O que pensa sobre a pré-candidatura à presidência, com Eduardo Campos?

Ele é dos candidatos disparado o mais qualificado, mais experiente. Acho que essa candidatura, para ser considerada uma alternativa, precisa responder, com urgência, duas perguntas: por que o partido não teve candidato quando Dilma era desconhecida e Lula encerrou um ciclo?; e para quê, já que o povo não quer perder espaço conquistado. O salário mínimo avançou muito, quando Lula assumiu equivalia a 96 dólares e hoje a 312 dólares. O credito em proporção ao PIB era 13%, hoje é de 50%. Portanto, não podemos negando a Dilma, não afirmar o que queremos colocar no lugar de positivo. Acho que nós devíamos sair do governo, mesmo mantendo nosso apoio à presidente. Devíamos dar um exemplo de como se comportar uma liderança política não fisiológica e clientelista.

Quem é dos mais ‘incompetentes’ que o senhor chama? É o Guido Mantega (Fazenda)?

Quando Mantega assumiu no lugar do Palocci, ele era o homem certo, na hora certa, momento de boa situação econômica, cenário internacional bastante pacífico. Hoje não está dando certo, o que tem se produzido no ministério da Fazenda (sou bom amigo dele, fomos colegas de ministério) é ridículo em relação à qualificação da crise. Essa renúncia fiscal sem explicação, fazendo favor com o dinheiro público para lá e para cá, sem nenhuma explicação, com zero efeito; descasada da política cambial; uma política fiscal que não se justifica, numa hora que o país está despencando; sinalizar cortes de investimentos, mantendo o mesmo padrão de gastos correntes, de desperdício que se anotam na administração pública brasileira, não é a resposta.

O senhor seria candidato à presidente nesse momento?

Já fui candidato a presidente do Brasil duas vezes, me mantenho ativo, estudando. Mas não vou brigar com ninguém. Se meu partido quisesse, o que é muito improvável, eu toparia.

O que o senhor quis dizer quando chamou o PSB de esquizofrênico?

Somos situação e estamos calando o discurso de oposição. Isso em psicologia se chama esquizofrenia, simples assim. Se me apresento candidato contra a Dilma, o primeiro adversário que me vê no debate vai falar: ah, mas vocês não estavam dentro do governo até ontem, passaram quatro anos acocorado, comendo migalhas desse banquete fisiológico, clientelista e quando não corrupto entre PT e PMDB.

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