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Cotidiano
Ela é exemplo!

A histórica Dona Joaquina, que aos 110 anos de idade dá lição de vida e amor

Rondoniense, que era "soldada da borracha" junto com marido, é mãe de 12 filhos, tem 12 netos e nem a família sabe quantos bisnetos e tataranetos ela possui; "Não sou daqui, mas me considero do Amazonas", diz ela 03/09/2016 às 20:09 - Atualizado em 04/09/2016 às 08:45
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Dona Joaquina tem 110 anos e nasceu em Porto Velho em 1º de janeiro de 1906 / Foto: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Em 110 anos o mundo já viu duas guerras mundiais, a chegada do homem à Lua, o Brasil conquistou cinco títulos de Copa do Mundo e presenciou dois impeachments, entre vários outros registros históricos. E é exatamente 110 anos a idade - sendo aproximadamente mais de 50 morando em Manaus - da histórica dona de casa rondoniense Joaquina Cecília Sales, um exemplo de amor à vida. Nascida em 1º de janeiro de 1906 em Porto Velho, ela não lembra o ano em que chegou a Manaus, mas segue lúcida e altiva mesmo tendo quebrado o fêmur após um acidente sofrido há quatro anos.

Junto com o falecido marido cearense Emanoel Augusto Maciel, Dona Joaquina foi uma das “soldadas da borracha”, atuando na Amazônia e extraindo o valioso látex que fez a alegria dos endinheirados barões Brasil afora (que o diga os que se instalaram no Amazonas, na época áurea da borracha).  O marido faleceu há 30 anos.

Ela é mãe de 12 filhos, tem 12 netos, e quanto a bisnetos e tataranetos a família até já perdeu a conta. “Não sou daqui, mas me considero do Amazonas. Meus filhos nasceram todos na Amazônia”, conta ela, que chegou a morar no Careiro da Várzea com seo Emanoel.

Seu pai, José Cecílio Sales, era mateiro que “fazia roçado, plantava, vendia e abria estradas”, diz a rondoniense, que fala gostar de comer de tudo. “Como de tudo, sem problema algum. É peixe, pirarucu, feijão, apesar que não posso comer tanto. Adoro carne. Eu faço que estou dançando, para mexer o corpo. É como um exercício”, conta Dona Joaquina, que acorda cedo e, de tarde, dá uma merecida soneca, claro.

A Manaus de antigamente era mais alegre, afirma ela. “Eu não andava muito pela cidade, mas havia mais pessoas. Muitos parentes moravam por aqui. Alguns morreram, outros voltaram pro Ceará”, recorda a matriarca.

Para o próximo dia 1º de janeiro, a família já está falando em festa para Dona Joaquina. “Os netos e as netas vão fazer uma festa para ela”, disse a filha Maria Enedina, sentada em um sofá ao lado da mamãe centenária.

O sobrinho-neto Jackson Bernardes, 41, comenta que é uma coisa “muito rara mesmo uma pessoa chegar a essa idade de 111 anos”. A família é grande, apesar de alguns já terem falecido. Temos que arrumar um local maior para fazer essa festa dos 111 anos dela com filhos, netos, bisnetos, tataranetos, etc”, disse Jackson.

O sobrinho-neto enfatiza que se ela não tivesse fraturado o fêmur, estaria ainda mais ativa. “Tenho um vídeo dela onde aparece dançando. Foi muito engraçado. É uma honra, uma felicidade, graças a Deus está bem e se Deus quiser fará 111 anos em 1º de janeiro do ano que vem e vamos fazer a festa dela”, conta o familiar.

Em números

80 anos é a idade de Maria Raimunda, a filha mais velha de Dona Joaquina. Ambas moravam no São Lázaro, mas atualmente a mamãe centenária reside no Beco Santa Izabel, localizado na rua Maués, Cachoeirinha, junto com outros familiares, informa Maria Enedina, 73, uma das filhas. 

Blog

Larissa Marinho, 21 anos, estudante

É uma alegria para mim ver a vovó com 110 anos e partindo para completar 111 no próximo ano. É uma dádiva, pois 110 anos não é para qualquer pessoa. Só de ver ela lembrando de tudo, falando com a minha avó do que ela fazia, é muito legal. Ela lembra de tudo do que a gente fazia. Morei na casa da minha avó, no São Lázaro, até os 15 anos, e ela sempre ia lá na residência, entrava, para nós ficarmos conversando. Ela fala para mim obedecer a minha avó, minha mãe, para que os meus dias aqui na Terra sejam prolongados. Uma das nossas maiores alegrias é de ver ela continuando a ser essa pessoa sincera e que sempre nos fala da importância da sinceridade, de não sair do foco”.

Duas regras dela para a longevidade

Dona Joaquina  contou para o sobrinho-neto, Jackson Bernardes, de 41 anos, duas das suas fórmulas  de longevidade. “Ela é parente da minha avó, Melinda Galvão, que faleceu aos 106 ano passado. Há alguns dias eu conversei com a Dona Joaquina e ela me disse que estava com vontade de morrer, que iria tomar um pouco de água sanitária. Eu disse para ela parar com isso e que estava repreendida em nome de Jesus. Aí nesse dia eu perguntei qual o segredo para ela chegar lúcida com essa idade, com saúde, mesmo que enxergando mais ou menos. E ela falou: ‘Meu filho, obedeça seu pai e sua mãe’”.

Em seguida, Jackson comentou que havia feito seu aniversário de 41 anos e tomado todas. Ela então olhou para ele e disse: ‘Quer viver mais? Pare de beber’.

“Ela era uma filha muito obediente à mãe, que era muito rígida. Ela obedecia ao pé da letra. Naquela época as coisas eram mais rígidas. Mas eu penso que isso já vem no gene, no DNA das pessoas. Pra chegar a 110 anos assim, lúcida, não é para todos.

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