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Cotidiano
entrevista

‘A OAB não tem nenhuma credibilidade’, diz deputado estadual Platiny Soares

Deputado estadual causa polêmica ao apresentar um projeto de lei que proíbe o debate de política, sexualidade e religião nas escolas, e desconsidera a manifestação da OAB a respeito 28/05/2016 às 16:08 - Atualizado em 29/05/2016 às 13:04
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Na foto, o Deputado Estadual, Platiny Soares / Foto: Márcio Silva
Janaína Andrade Manaus (AM)

Em um ano e meio de mandato, o deputado estadual Platiny Soares (DEM) se  tornou colecionador de propostas e pronunciamentos polêmicos. O ápice foi a homenagem ao deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) - conhecido no cenário nacional por suas posições de intolerância racial, homofóbicas e de violência contra a mulher, com o maior tributo do parlamento estadual - a Comenda Ordem do Mérito Legislativo do Amazonas. 

Esse mês, o parlamentar voltou a despertar polêmica nas redes sociais ao apresentar um projeto de lei que quer proibir professores de emitir opinião sobre política, religião e orientação sexual em sala de aula.

 O deputado se julga um combatente da corrupção e nega que o projeto de lei seja uma ‘mordaça’ ou inconstitucional, contrariando nota emitida pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB-AM), que ele afirma não ter levado em consideração. “A OAB não tem nenhuma credibilidade para emitir alguma opinião”, criticou.

Como seria, na sua opinião, uma aula de filosofia ou sociologia se o projeto for aprovado?

Normal, como sempre foi transmitida, só que mostrando os autores de todas as formas de pensar. A lei, em momento nenhum proíbe de ser falar de política, religião e outros temas, na verdade nós queremos que se fale sobre esses temas. O que na verdade não queremos é que, se for falar da religião que o professor segue, não. O pensamento crítico só vai surgir a partir do conhecimento de todos lados. 

A OAB emitiu nota detalhando os aspectos que tornam o projeto inconstitucional. O senhor leva a manifestação da OAB em consideração?

Na verdade, não. A OAB não tem nenhuma credibilidade para emitir alguma opinião. Segundo: ela falou sem ter tido acesso à legislação. Eu queria que a OAB apontasse qual artigo que ela considerou inconstitucional, em que parte da lei deixa de observar a Constituição. Só falar, muita gente fala, e fala da boca para fora. Mas amigo, o que é inconstitucional? A OAB sempre opina de forma parcial. 

Como o senhor avalia a reação dos professores, que estão se posicionando contra o seu projeto? 

Eu vejo que eles precisam fazer uma leitura do projeto. Um professor que pretende criticar um projeto de lei tem que, no mínimo, ler o que vai criticar. Se ele não tiver a leitura vai simplesmente sentir, por assim dizer, um pouco de vergonha.

O PL foi inspirado em lei que vigora em Alagoas e gerou forte reação dos professores de lá. O senhor esperava maior receptividade dos professores do Amazonas?

Muitos professores tem me procurado, até de forma rude, mas a gente chama para conversar, pede para observar a proposta e aí iniciamos um novo diálogo. Tem muito de interesse público, tem o apoio dos pais e isso vem gerando uma onda contrária. Não há lei da mordaça. Onde há? Nossa lei tem três páginas e eu ainda não identifiquei a mordaça em nenhum dos artigos. 

O senhor não acha que antes de apresentar esse tipo de proposta deveria haver uma audiência pública?

A proposta foi posta, entrou na pauta e ainda vai tramitar no ceio das comissões, a gente tem o amplo debate sobre ela, ela pode ser modificada. Mas acredito que ela não precise ser modificada, pois contemplou na totalidade. Mas se alguém conseguir identificar alguma ilegalidade e me mostrar, ela pode ser modificada. Nós já estamos organizando as datas de cinco audiências públicas no mês de junho e traremos lideranças a nível nacional, como o Miguel Nagib (idealizador do projeto Escola Sem Partido).

O senhor é homofóbico? Porque quer barrar das escolas qualquer menção a sexualidade, tachada em seu projeto de ideologia de gênero?

De forma alguma. Na verdade, quem lê isso e interpreta dessa forma é que é homofóbico dentro de si. Na realidade eu estou falando em neutralidade para proteger também o homossexual. Porque eu proíbo o homossexual de fazer uma doutrinação de ideologia de gênero, mas eu proíbo também o heterossexual que for constranger o aluno homossexual. É uma proposta que serve para os dois lados. 

O senhor chegou a ouvir a opinião de algum antigo professor seu sobre o PL da mordaça?

Sim, conversei com muitos. Alguns se mostraram contrários num primeiro momento, mas depois quando leram o projeto compreenderam. Se for comprovada alguma ‘mordaça’ no projeto de lei eu me comprometo com os professores em retirar. 

O senhor tem homossexuais na sua família?

Tenho, claro. Tenho não apenas na minha família, mas amigos, tenho funcionários em meu gabinete. Tenho grandes amigos.

O que o senhor pensa a respeito da homossexualidade?

Na verdade eu acho que isso passa por um estudo psicológico ou psiquiátrico, um estudo médico ou um estudo social. Se isso aí é patológico ou se desenvolve, não tenho opinião formada, porém não vejo problema nenhum nisso. Eu não tenho uma opinião formada se isso é algo com que a pessoa nasce ou se é do caráter. 

O senhor se arrepende da agressão verbal à deputada Alessandra Campelo?

 Eu não vou chamar de surda, vou dizer apenas que a pessoa ou tem alguma deficiência auditiva ou mental, porque o que foi verbalizado foi filmado, e o que eu disse foi que essa alcunha (capiroto), socialmente é dada aos militantes do PCdoB, agora se ela se considera é outra coisa. O que envolveria uma diferença entre distúrbios mentais e distúrbios auditivos. Eu não os considero (capiroto), na verdade o que eu conheço do PCdoB da minha época de política pra cá é o envolvimento em escândalos de corrupção, de desvio em secretarias que participaram, a época do “capiroto” eu não conheço.

Olhando o que defendem os seguidores do deputado Jair Bolsonaro nas redes sociais, o senhor não fica receoso de posições tão extremadas?

Não. Não tem nenhum movimento extremo, a gente pede neutralidade. A gente pede a pluralidade de ideias. Ele de fato tem alguns posicionamentos que podem extrapolar, mas o Bolsonaro tem idéias fantásticas, é um fenômeno nacional, principalmente no combate a corrupção, e aí inventam novos adjetivos para o caro porque não conseguem enquadrar eles entre os corruptos.

O senhor concordou com a fala do Bolsonaro quando ele disse que a colega dele de parlamento não merecia nem ser estuprada?

 Ele falou que foi mal interpretado, porém eu não falaria a mesma coisa e acho que ele se colocou de forma errada. Ele poderia ter se colocado de outra forma para ser melhor interpretado. 

Como o senhor explica ter sido eleito pelo Partido Verde e ao mesmo tempo ter sido um dos que mais sujou a capital com santinhos na eleição?

Na realidade isso aí foi ocasionado por situações diversas a minha vontade, infelizmente não tinha controle social sobre os meus apoiadores e muita gente fez isso em nome de si próprio e não a minha ordem. É lamentável, o ideal não é que isso ocorra, mas há situações que fogem do meu alcance, como isso. 

Falando em PV, ficou alguma mágoa por conta da expulsão?

Não concordo de forma alguma com o trabalho do PV e me senti insatisfeito. Fui para um partido que tem convicções semelhantes. O programa partidário do PV é muito interessante. O que eu passei a discordar não foi com o programa partidário, mas sim com a forma selvagem de gerir o partido dentro do Amazonas de forma tão pequena, sem projeção alguma.

O senhor foi eleito com a bandeira de defesa da classe dos praças da PM. Continua essa sendo sua principal pauta?

Com certeza. A nossa agenda principal é o policial militar e a segurança pública. O governador (José Melo) tem deixado de participar muito, até parecer ter boa vontade, mas já apresentamos coisas a ele que fazem parte da nossa pauta zero e vamos continuar cobrando.

Como avalia as recentes mudanças na saúde?

Não adianta ele dizer que vai conseguir fazer tudo e chegar em novembro e não ter dinheiro para fazer nada. Se forem cortes necessários, como ele vem demonstrando, é o que está dentro das nossas possibilidades. Nós temos também que ter compreensão. 

Como avalia a ausência de mulheres dos ministérios do Governo Temer?

Eu respeito o posicionamento do presidente Temer. Se não houve dentro desse quadro de ministérios, alguma mulher que pudesse assumir e que tivesse essa convergência política e ideológica e que tivesse também a confiança do presidente Temer, eu não acho que ele deveria inventar alguma desculpa só para contemplar. Não adianta forçar.

Perfil

Platiny Soares

Idade: 24 anos

Nome: Platiny Soares Lopes

Estudos: Bacharel em Direito, pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)

Experiência:  Soldado da Polícia Militar; técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). Presidente-fundador da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (APEAM)

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