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Cotidiano
Entrevista

'A SSP-AM não fabrica bandidos', afirma Sérgio Fontes em entrevista

Apesar da sensação de “insegurança”, a SSP defende que os índices de criminalidade estão reduzindo no Estado. 24/07/2016 às 17:06
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Secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes (Winnetou Almeida)
Kelly Melo Manaus (AM)

O atual cenário de violência e crimes que acontecem, muitas vezes, em plena luz do dia  tem deixado muitas pessoas sobressaltadas e amedrontadas em todas as ruas de Manaus.  Não tem horário.  Como os criminosos estão cada vez mais audaciosos, a população se sente refém e começa a mudar rotinas para tentar driblar a falta de segurança.   

Apesar da sensação de  “insegurança”, o Secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, defende que os índices de criminalidade tem reduzido nos últimos dois anos e que as forças policiais têm alcançado um bom desempenho para dar tranquilidade ao cidadão de bem. 

Dados da SSP apontam que crimes como roubos, furtos, homicídios e tentativa de homicídios na capital tiveram redução no primeiro semestre deste ano, em comparação  com o ano passado. O secretário reafirmou o seu compromisso de continuar reduzindo esses índices de criminalidade, principalmente aqueles que são considerados de menor potencial ofensivo, mas que incomodam e tiram o sossego dos pais e mães de família. Há ano um e meio à frente da instituição, Fontes faz um balanço de sua gestão  na entrevista abaixo. 


As pessoas estão desacreditadas quanto a questão da segurança com tantos relatos de roubos, furtos e outros crimes acontecendo todos os dias. Como fazer para resgatar a confiança desse cidadão para que ele volte a acreditar no trabalho da polícia? 

Primeiro, a gente tem que baixar os números e eles têm diminuído nos últimos anos. No primeiro semestre deste ano, tivemos uma redução de 13% no casos de homicídios. Os casos de lesão corporal caíram 18%. Os estupros diminuíram 1,8%. Só que esses números não conseguem superar (a força)  as redes sociais. As redes sociais divulgam o que acontece aqui e o que não acontece. Mas estamos intensificando os patrulhamentos nos horários comerciais, investindo  em cumprimentos de mandados de prisão. Só na semana passada cumprimos mais de 100 mandados de prisão contra homicidas, latrocidas e assaltantes. Certamente isso vai surtir efeito na sensação de segurança. 


Então o senhor acredita que o que as pessoas comentam nas redes sociais  é o que mais propaga a sensação de insegurança?

Com certeza. Às vezes uma história vai permeando vários grupos e ganhando proporção. Os números estão aí, não são manipulados. Mas se hoje são “insustentáveis”, o que era antes, no ano passado e no retrasado, por exemplo? Porque hoje temos números melhores que 2014.  Os nossos objetivos são continuar combatendo o crime organizado, dar duros golpes, mas também conseguir atacar a criminalidade pequena, que é aquela que mais incomoda. 

Os roubos acontecem, muitas vezes, em plena luz do dia. Os criminosos perderam o medo?

Com relação aos horários, nós sempre tivemos  isso. Ou seja, não é uma realidade nova. Sempre tivemos assaltos em todos os horários do dia e, principalmente, no horário comercial.  Infelizmente temos tido um aumento nesses casos e isso nos preocupa. Por isso estamos intensificando o policiamento  nas áreas comerciais, mas ainda temos dificuldades com o trânsito que é muito ruim. Temos que achar meios alternativos como policiamento com motos. Nós até temos motos, mas ainda não temos motociclistas treinados o suficiente para atender esses tipos de necessidades. No entanto, é importante que se diga que a Secretaria de Segurança atua nas consequências (do crime), não nas causas. Ela não fabrica bandidos. Logo, não é por conta da Secretaria de Segurança que está aumentando o número de criminosos. A atuação policial abrange a repressão. 

Então, quais fatores tem levados a se reclinarem ao crime? Ou pelo menos terem essa sensação de que a criminalidade está mesmo em toda parte? 

Talvez tenha aumentado por conta da crise?  Acredito que em boa parte sim, por causa do desemprego,  por ter pouca inserção social, poucos projetos sociais, além de termos um sistema prisional que não recupera. É importante que se diga que não temos menos polícia na rua hoje. Temos a mesma quantidade. Mas há uma tendência de a população colocar tudo na conta (aumento das taxas de criminalidade)  dos efetivos policiais, mas isso não me parece muito justo, nem  uma visão correta. 

Qual é a estratégia da SSP para “limpar” a cidade?

As  estratégias são operações integradas constantes, sufocamento do crime, presença maciça da polícia nas ruas, além de cumprimentos de mandados de prisão. Isso é fundamental. Cada assaltante retirado das ruas significa menos um crime acontecendo nas ruas. Só para ter uma ideia, de janeiro a junho, já prendemos mais de 6 mil pessoas. Quer dizer, é um número muito grande. Infelizmente, muitas delas não estão mais encarceradas e ainda temos uma taxa de reincidência muito grande. 

É possível evitar assaltos nos ônibus? 

Olha, criminalidade em ônibus é muito difícil porque o coletivo circula por toda a cidade em locais de área vermelha. Nós temos as operações Catraca, que faz abordagens nos ônibus, paramos e revistamos as pessoas, mas eu só preciso de um pequeno intervalo sem a atuação policial para que um crime aconteça. Isso nos deixa indignados, principalmente quando alguém morre. Mas muitos assaltantes de ônibus já foram presos também. 


A Secretaria focou bastante no combate ao tráfico e crime organizado. Mas e os crimes menores? São “calos” da segurança? Tem-se dado a atenção para combatê-los também?

Sempre foram. Na verdade, não adianta combater o crime organizado se essa segurança não chegar ao cidadão da ponta. E na verdade o que sempre dizemos é que os crimes pequenos estão ligados ao narcotráfico. Pelo menos em Manaus é assim que ocorre. Os assaltos que ocorrem, geralmente, são para comprar droga, pagar dívidas de tráfico. Os homicídios são por conta de disputa de drogas. Não tenha dúvida. 


Isso quer dizer que o tráfico é o que impulsiona os  demais crime?

Sim, sem sombra de dúvidas, e não só aqui mas no Brasil. Temos algumas exceções, mas o nosso maior problema, a mola que impulsiona a criminalidade é o trafico de drogas. É um crime que incomoda bastante e nós continuamos combatendo. Neste ano, já apreendemos mais 4 toneladas de drogas.


Existe uma polêmica muito grande quando a Justiça solta um bandido. Nesse sentido, há algum tipo de conversa com o Judiciário, para esclarecer e mostrar a importância de manter alguns criminosos encarcerados por serem considerados perigosos? 

Eu procuro não me colocar na situação do juiz. Eu acho que cada caso é um caso.  Cada um faz a sua parte. Eu não sou desses policiais que dizem que a polícia prende e a justiça solta. Eu acho que o sistema todo tem problema porque se todo mundo ficar preso não vai caber no sistema. Não é o Judiciário que vai acabar com o problema. O que vai mudar é a educação, programas sociais, emprego, renda. Isso que tem o condão de melhorar toda a situação de segurança pública no Brasil.  

E o Ronda no Bairro? O que fazer para que as pessoas tenham a sensação de que a polícia está nas ruas, como foi no início do programa?

O Ronda no Bairro não acabou. O que houve foi uma adaptação, pois o projeto se expandiu, mas o nosso efetivo continuou o mesmo e os recursos logísticos não acompanharam. Fomos colhidos por uma crise, e temos limitação até de combustível, que não havia antes. Estamos esperando a arrecadação dar sinais de melhoria  para voltarmos a fazer como no início do projeto. 

Manaus será subsede de mais um evento internacional, as Olimpíadas. A capital está preparada para receber esses jogos? 

O nosso objetivo é reproduzir o que aconteceu na Copa do Mundo de 2014 e fazer melhor, inclusive, porque temos a experiência do que aconteceu naquele ano. Não teremos os mesmo recursos que na Copa, por isso a nossa preocupação de integrar os meios para que possamos fazer o melhor possível.

Perfil

Nome: Sérgio Lúcio Mar dos Santos Fontes

Idade: 50 anos

Estudos: Bacharel em Direito

Experiência:  Atual secretário de Segurança Pública do Amazonas; atuou como advogado criminal e trabalhista entre os anos de 1992 e 1994; chefiou a Superintendência da Polícia Federal do Amazonas (2008 a 2013) e de Rondônia (2007 a 2008).

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