Sexta-feira, 29 de Maio de 2020
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Adail Filho afirma que o pai ter recebido salário mesmo preso e afastado não foi irregular

Aliados do atual prefeito de Coari, Raimundo Magalhães, temem que haja uma nova onda de violência no município



1.jpg Adail Filho (à direita) afirma que pagamentos ao pai, o ex-prefeito Adail Pinheiro (à esquerda), foram legais
28/04/2015 às 19:39

O empresário Adail Filho afirmou, nesta terça-feira (28), que "não há nada de irregular" no pagamento dos salários, por parte da Prefeitura de Coari para seu pai, o ex-prefeito Adail Pinheiro (PRP), que permanece preso em Manaus acusado de crimes de exploração sexual infantil.

Adail foi afastado do cargo em fevereiro de 2014 e cassado em dezembro de 2014. “Quando o meu pai foi afastado, a decisão judicial indicou que era para manter o salário dele, manter o status de prefeito. Ele estava apenas afastado. Está bem claro na decisão judicial que ele continuaria a receber os vencimentos. E, depois que ele foi cassado,  ele teria o direito de manter o recebimento dos vencimentos até que um novo prefeito assumisse”, afirmou Adail Filho.



A declaração do empresário veio em resposta às denúncias de que Adail Pinheiro continuou a receber o salário bruto de R$26 mil (líquido de R$19 mil). Após averiguações, a atual administração municipal encaminhou para o Ministério Público do Estado (MP-AM) o levantamento da folha de pagamento municipal, constatando o pagamento.

Segundo o levantamento expedido pela Casa Civil da Prefeitura de Coari no dia 23 de abril, Adail Pinheiro só deixou de receber os vencimentos nos meses de setembro e outubro de 2014.

Violência

A preocupação das autoridades é que denúncias sobre o pagamento irregular realizado a Adail Pinheiro podem gerar novos episódios de violência na cidade, que fica localizada a 362,84 quilômetros de Manaus. 

“Já temos informações de há pessoas preparando novas ações violentas sob a desculpa de serem oposição a atual administração. Mas, na verdade, temos conhecimento que são agitadores ligados ao Adail, que continua ditando ordens mesmo dentro da prisão”, afirmou o deputado estadual Luiz Castro (PPS). 

Para Luiz Castro, novas ações de violência na cidade, a exemplo do que aconteceu no início do ano, podem causar danos à população e transtornos reais para a segurança pública, apenas para encobrir as irregularidades do pagamento realizado ao prefeito cassado. “Essa situação demonstra que o quanto esse grupo criminoso ainda mantém poder e influência. Precisamos  com combater esse grupo criminoso, esse tumor perigosos na nossa sociedade”, disse.

Folha de março

Segundo o Secretário de Cultura do Município de Coari, Archipo Góes, que acompanhou a vistoria da folha, juntamente com os secretários de Comunicação e de Finanças do município, ainda há indícios de que o vencimento do mês de março foi parar no bolso de Adail Pinheiro.

“As investigações continuam. A gente ainda não tem como comprovar se ele recebeu o salário do mês de março, porque antes deles saírem, eles apagaram a folha integralmente. Os técnicos de informática estão fazendo o levantamento, mas só esse ‘ sumiço da folha’ já configura crime contra o patrimônio público”, disse o secretário, indicando que já foi aberto um inquérito policial para proceder as investigações. 

O secretário municipal de Comunicação, José Alberto Rocha, afirmou que já há conhecimento de novas articulações sobre possíveis atos de violência na cidade, gerados a partir de membros do grupo político de Adail Pinheiro.

"Na verdade ontem (27) já teve uma tentativa frustrada deles de começar uma confusão. Não somos contra o ato de se manifestar, desde que seja pacificamente.  Nós tivemos acesso a uma gravação de uma reunião de articulação em que, cerca de 30 a 40 pessoas, motivados pelo grupo político dele estavam combinando de atear fogo em postos de gasolina e em casas. Nós registramos um boletim de ocorrência sobre isso”, disse o secretário.

José Roberto disse ainda que o fato da administração anterior ter apagado a folha de pagamento de março do funcionalismo municipal causou atrasos no pagamento da folha de abril.

“Os arquivos com a folha do mês de março foram deletados do sistema e quando conseguimos recuperar, o arquivo estava corrompido. Isso causou um entrave, mas já conseguimos regularizar a situação e a folha de abril já está pronta. Estamos apenas aguardando a liberação dos recursos no Banco do Brasil para proceder o pagamento. Assim que o banco liberar, vamos começar a pagar pela secretaria de educação do município”, disse. 


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