Domingo, 21 de Julho de 2019
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Adail Pinheiro e oito pessoas não atenderam à convocação da CPI da Pedofilia para depor

A CPI da Câmara dos Deputados esteve segunda e terça-feira em Coari para apurar uma denúncia de envolvimento do prefeito Adail Pinheiro (PRP-AM) com uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes



1.gif Presidente da CPI da Pedofilia, deputada federal Erika Kokai, durante audiência realizada no campus da Ufam em Coari
10/07/2013 às 10:32

A presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o Brasil, deputada federal Erika Kokai (PT-DF), afirmou nesta terça-feira (09) que vai denunciar o caso de Coari a órgãos como o Ministério da Justiça, da Controladoria Geral da União (CGU), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A CPI da Câmara dos Deputados esteve segunda e terça-feira no município (a 325 quilômetros de Manaus) para apurar uma denúncia de envolvimento do prefeito Adail Pinheiro (PRP-AM) com uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes. A denúncia mais recente contra Adail, de maio do ano passado, dá conta de que ele teria tentado aliciar uma menina de 12 anos. O prefeito e mais oito pessoas ligadas a ele não atenderam à convocação da CPI para depor. Érika Kokay afirmou, ontem, que se for necessário, pedirá o uso da força policial para levar todos perante a comissão.

“Nós vamos convocar essas pessoas e solicitar, se necessário, a condução coercitiva por parte da polícia. O prefeito apresenta atestado médico que não pode comparecer ao depoimento. Esperamos que ele se recupere com muita saúde, porque será chamado para depor em Brasília. Não só ele como todos aqueles que fugiram do município. Houve uma fuga do município para que não pudessem ser notificados pela policia. É inadmissível”, disse Érika Kokay.

Na segunda-feira, a CPI ouviu dez pessoas, que teriam confirmado à comissão a prática de exploração sexual no município. Os nomes não foram divulgados. Mas, entre os ouvidos, estava a menina de 12 anos e a mãe dela. A imprensa não foi autorizada a acompanhar os depoimentos. Para esta terça-feira, estavam programados os depoimentos de Adail e outras oito pessoas, ligadas ao prefeito.

Segundo a presidente da CPI, a Polícia Federal (PF) não conseguiu localizá-los. “E pelo relato dos familiares deles aos policiais, eles saíram da cidade de forma açodada. Fugiram para não serem notificados”, afirmou Érika Kokay. Apenas Adail justificou a ausência. O prefeito enviou cópia de atestado médico, informando que passou por uma cirurgia, no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, no dia 7, com previsão de alta para amanhã. O documento é assinado pelo urologista Celso Gromatzky (CRM-SP 45443).

Um dos advogados do prefeito, Rodrigo Porto, esteve em Coari, e disse que o cliente dele estará à disposição da CPI assim que se recuperar. Porto afirmou que Adail é inocente. “O inquérito policial não consta nem o tipo de crime nem o nome do indiciado, porque não é possível identificar”, ressaltou.

Advogado desqualifica apuração

O advogado de Adail Pinheiro, Rodrigo Porto, desqualificou a presença da CPI da Câmara dos Deputados em Coari. E disse que adversários políticos do atual prefeito, como o empresário Raimundo Magalhães (PRB), deram conotação política à ida da comissão ao município. “A CPI só está ouvindo apoiadores do Magalhães. Temos áudio dele afirmando pelas ruas da cidade de que foi ele quem trouxe a CPI”, acusou Rodrigo. O advogado prometeu entregar o material à deputada Érika Kokay.

A parlamentar retrucou as provocações do advogado de Adail Pinheiro. “A defesa deveria está preocupada é em proceder uma boa peça para isentar o acusado. Porque as denuncias são muito graves e as evidências muito fortes. Está fora da esfera da defesa opinar sobre o trabalho da CPI”, afirmou Érika Kokay. Magalhães não atendeu no 81xx-xx65.

‘Município está contaminado’

A presidente da CPI que investiga a exploração sexual de crianças, Érika Kokay, disse que vai pedir que o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente envie uma comissão a Coari para investigar a exploração sexual de crianças.

A deputada afirmou que também levará o caso à CGU. “O município, em vários momentos, está contaminado por uma rede de exploração sexual a serviço do prefeito e, supostamente, bancada com recursos públicos”, disse Kokay.

No CNJ, a presidente da CPI disse que vai pedir intervenção do órgão para cobrar celeridade no julgamento de processo de 2008 contra Adail Pinheiro, acusado de chefiar rede de exploração sexual de menores.

Érika Kokay disse que pedirá ao Ministério da Justiça que apure a conduta das autoridades policias em Coari. “Há indícios de que a posição da polícia à época da denúncia não foi com isenção”, comentou.

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