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Cotidiano
Despedida

Adeus a Ritta de Araújo Calderaro: o exemplo de vida é o maior legado que ela deixa

O Amazonas se despediu da empresária e professora Ritta Calderaro, viúva do fundador da Rede Calderaro de Comunicação (RCC), Umberto Calderaro Filho 26/06/2016 às 21:03 - Atualizado em 26/06/2016 às 22:19
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Ritta teve papel decisivo na trajetória do jornal A Crítica e na consolidação do grupo empresarial RCC (Foto: Clovis Miranda)
acritica.com Manaus (AM)

A empresária Ritta de Araújo Calderaro morreu, no sábado, de complicações decorrentes da esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença com a qual convivia havia cinco anos. Viúva do fundador da Rede Calderaro de Comunicação (RCC), Umberto Calderaro Filho, Ritta sempre foi uma mulher à frente do seu tempo, tendo colaborado decisivamente para a criação, consolidação e, após a morte de Umberto, em junho de 1995, fortalecimento do jornal A Crítica e o crescimento dos demais veículos da RCC, hoje o maior grupo de comunicação do Norte do País.

Filha do desembargador André Vidal de Araújo e da professora Milburges Bezerra de Araújo, a empresária foi responsável pelas primeiras logomarcas de A Crítica e, enquanto o marido corria atrás de notícias, ela era responsável pelas finanças da jovem empresa, fazendo pagamentos de funcionários e fornecedores, negociando anúncios publicitários e conferindo a renda com os rotistas e distribuidores do jornal.

Em discurso na Câmara Municipal de Manaus, por ocasião dos 50 anos de A Crítica, o irmão e ex-superintendente, João Bosco Araújo, afirmou que “Se Calderaro era o coração de A Crítica, Ritta era a força impulsionadora por trás do crescimento da empresa”.

Além do trabalho em A Crítica, Ritta também foi professora de desenho artístico no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), tendo este trabalho reconhecido por toda uma geração de alunos; desenvolvia trabalho voluntário na extinta Legião Brasileira de Assistência (LBA), órgão do governo federal encarregado da assistência social aos mais pobres e excluídos; e ainda arrumava tempo para dar aulas para cegos, surdos e mudos nas obras filantrópicas mantidas pelo desembargador André Araújo.

Após a morte de Calderaro,  ela assumiu a presidência da RCC e, todos os dias, de maneira infalível, batia ponto no gabinete que mantinha na Cidade das Comunicações, sede da RCC. Só deixou de frequentar quando chegou a fase aguda da doença, quando também deixou de dirigir o próprio carro.

Dividiu a administração dos negócios, que envolvem hoje dois jornais, duas emissoras de televisão, duas rádios, um portal de notícias e negócios afins, com a filha única, Cristina, e os netos Dissica, Umberto e Tatiana Calderaro.

Neste período, A Crítica experimentou a modernização de seu projeto gráfico, ganhou prêmios nacionais e internacionais, que ela fazia questão de comemorar com os colaboradores responsáveis pelos trabalhos premiados. “Ela valorizava muito os funcionários da casa. Lembro que uma vez o Umberto estava viajando e a nossa contadora, que estava grávida, foi desenganada pelos médicos. Aí liguei para ela, que foi pessoalmente ao hospital, chamou o diretor e pediu que fosse feito tudo para salvar a vida dela, inclusive se responsabilizou pelos gastos com passagem se fosse preciso sair de Manaus”, lembrou a tesoureira de A Crítica, Rosilda Carmelo da Silva Reis, há 41 anos trabalhando na RCC.

Conforme Rosilda, Ritta foi uma mulher culta, lutadora e de muita fibra, tendo sido fundamental em todos os momentos da empresa. “Era um exemplo de mulher. Eles não tinham babá e quem arrumava e levava a Cristina para a escola todos os dias era a Ritta”, lembra Rosilda. “Católica, mandava rezar missas na igreja de Nossa Senhora de Nazaré para o ano todo. Dessa fé saía a força dela e do Umberto, que não fazia nada, não tomava uma atitude importante sem ouví-la primeiro”, lembrou.

De perfil discreto, tinha suas próprias “fontes” para saber em detalhes tudo o que se passava nos diversos órgãos da Rede Calderaro. Costumava, segundo Rosilda, chamar de um por um para uma conversa no gabinete e assim ficar por dentro de tudo e cobrar responsabilidades ou elogiar, se fosse o caso.

Atualmente, a Rede Calderaro de Comunicação (RCC) é formada por 14 empresas, cuja presidência foi exercida por Ritta de Araújo Calderaro desde a morte do fundador do jornal A CRÍTICA, Umberto Calderaro Filho, em 1995. Pelo trabalho à frente do grupo recebeu diversos prêmios e homenagens.

José Melo

“Foi uma mãe, empresária e esposa exemplar, deu a estrutura que a família tinha que ter”, disse o governador do Estado, José Melo.

Arthur Neto

“De figura discreta mas de conduta altiva, ela era sustentáculo da empresa”, comentou o prefeito de Manaus, Arthur Neto.

Omar Aziz

“Ritta era muito democrática, sempre abria espaço para todo mundo”, falou o senador Omar Aziz.

Umberto Calderaro

“Amor à vida e amor ao próximo. Essa é a lição deixada pela minha avó”, disse Umberto Calderaro, neto e empresário.

Dissica Calderaro

“Quando existia uma dificuldade, era ela quem dava forças para encararmos”, falou Dissica Calderaro, neto e empresário.

Raimunda Lima

“Era uma pessoa muito boa e muito culta. Nunca maltratou um funcionário”, comentou Raimunda Lima, cozinheira da família.

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