Domingo, 21 de Julho de 2019
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Adoção de novo conteúdo no vestibular da UEA causa polêmica

Mudança em grade de ensino gera conflito com escolas que podem ir à Justiça para defender alunos



1.jpg Escolas particulares não foram comunicadas a tempo de mudar o currículo e ameaçam ir à Justiça
08/08/2013 às 08:52

O anúncio do edital do Sistema de Ingresso Seriado (SIS) e do vestibular da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), informando a adoção do conteúdo programático das disciplinas de História e Geografia de acordo com as novas propostas curriculares aprovadas pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), está causando polêmica. Escolas particulares não foram comunicadas a tempo de mudar o currículo e ameaçam ir à Justiça para evitar que seus alunos sejam prejudicados. Professores da rede pública dizem que até mesmo nessa área haverá prejuízo porque nem todas as escolas adotaram a mudança.

Entre as escolas que contestam a mudança já para os próximos exames estão o Instituto Laviniense, a Escola Martha Falcão e o Idaam. A diretora administrativa do Idaam, Ludymilla Rondon apóia o projeto, mas critica a falta de informação do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe) de que a proposta valeria para este ano. “O projeto é ótimo, pois dividiram o ensino de História por época, contemplando os acontecimentos na esfera mundial, nacional e local”, disse ela, que não aceita a forma como foi implementado o projeto, porque o aluno que hoje está no 2º ano do ensino médio da rede pública, vai se formar e nunca vai ter estudado a história de Roma e Grécia antiga já que esse tema iria ser dado no 3º ano e com a mudança esse conteúdo foi para o 1º, ou seja, já passou.

Custo elevado

 Se a mudança prevalecer nos próximos exames de seleção das universidades, mesmo as escolas que vêm adiantando conteúdos das duas disciplinas, precisarão de muitas horas de aula para complementar o material a ser dado para as turmas. Isso vai representar aumento de custo de todas as ordens, para os quais muitas escolas talvez não tenham suporte financeiro.

Professores também questionam a mudança

O professor de História Cláudio Marins, 43, do Centro de Mídias, explica ter sido uma decisão interna a adoção da nova proposta curricular das duas disciplinas, porque não houve a orientação sobre o momento para mudar. “Não contestamos a mudança, mas a forma correta dela acontecer”, afirmou o professor, lembrando que a falta da determinação oficial deixou o processo muito solto. Há 17 anos ministrando aula de História, para ele, a exigência dos novos conteúdos nos exames próximos vai prejudicar principalmente os alunos do interior do Estado, que são mais de 22 mil, que nem sequer ouviram falar da mudança.

Outro professor de História da rede pública, Celso Ronildo Saraiva, 47, também aponta o prejuízo para os alunos do ensino médio da efetivação da mudança nos exames de seleção das universidades. Segundo ele, a Seduc repassou a responsabilidade da mudança aos professores, que podem ou não ter implementado porque não contaram com material de apoio, o que indica prejuízos enormes aos alunos. A professora Vera Lúcia Lima da Silva, gerente do ensino médio da Seduc, estranha o problema vem discutindo há dois anos com o Sinepe e professores da rede esses conteúdos e o sindicato é responsável pela comunicação às escolas da rede particular. Ela garantiu que nas escolas públicas os novos conteúdos vêm sendo implementados.

Informação privilegiada prejudicará estudantes

Em junho passado, o Idaam enviou ofício ao Sindicato das Escolas Particulares do Estado do Amazonas (Sinepe-Am) pedindo um posicionamento a respeito do assunto, que não foi recebido. “Temos preocupação e compromisso com os nossos alunos”, disse Ludymilla, lembrando ser inaceitável que o Sinepe tenha favorecido algumas escolas com a informação. Segundo ela, pela dimensão da mudança, ela deveria ser informada com um ano de antecedência e não com meses, quando fica muito complicado proceder as alterações na grade curricular.

O presidente do Sinepe, Paulo Sérgio Machado Ribeiro, estranha a reclamação do Idaam porque representantes da escola participaram de reuniões nas quais foram acertadas as mudanças para este ano. Ele explicou que há três anos, quando a Seduc aprovou as novas propostas curriculares do ensino médio no Conselho Estadual de Educação (CEE), as discussões sobre o momento de adotá-las vêm acontecendo. E que tanto a Ufam quanto a UEA levam em consideração o programa da rede estadual de ensino para elaborar os conteúdos dos processos seletivos.


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