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Adolescente embriagado pilota lancha e mata quatro pessoas em acidente com canoa no AM

Colisão ocorreu em Tapauá, onde dois adultos e duas crianças morreram na hora. População revoltada incendiou embarcação e tentou invadir delegacia. Outros cinco ficaram feridos, sendo uma criança hospitalizada para Manaus 01/12/2014 às 16:04
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Policiais do Grupo Fera foram enviados à cidade para auxiliar nas investigações
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

Quatro pessoas morreram após um acidente entre uma lancha e uma canoa no município de Tapauá, a 449 quilômetros de Manaus, no final da tarde de domingo (30). Dois adultos e duas crianças morreram na hora, e outros cinco ficaram feridos. A lancha era pilotada por um adolescente de 17 anos, sem carteira, que estava alcoolizado. A população ficou revoltada e incendiou a lancha

O adolescente que dirigia a lancha foi apreendido pela Polícia Civil em Tapauá e detido na delegacia. Segundo o delegado Osman Nasser, titular da 64ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), o rapaz confessou que dirigia perigosamente, mas afirmou que a colisão foi acidental. Entre os feridos, uma criança de 5 anos foi transferida para um hospital de Manaus.

O acidente aconteceu por volta das 17h do domingo. A canoa, pilotada por Alrineia Silva da Silva, 23, vinha do Lago do Redondo em direção à cidade de Tapauá, com 13 ocupantes, sendo a maioria mulheres e crianças. A lancha, pilotada pelo adolescente, era ocupada por mais 10 pessoas também visivelmente embriagadas, a maioria sendo menor de idade.

A colisão aconteceu quando a lancha, que saia de um flutuante no rio Ipixuna, encontrou de frente a canoa, que passava pelo local. A canoa rachou no meio e fez os passageiros serem arremessados na água. Segundo o adolescente piloto, a lancha vinha na margem direita e ele não conseguiu desviar da canoa que, pela esquerda, foi de encontro à lancha.

A mulher que pilotava a canoa, Alrineia, disse que ela estava saindo de trás do flutuante e, quando percebeu, a lancha já estava “em cima”. Após a colisão, o adolescente disse que tentou voltar para prestar socorro, mas continuou caminho por medo e porque o eixo de direção da embarcação quebrou. Mesmo assim, alguns tripulantes pularam na água para ajudar.

As vítimas fatais foram Valquíria Ferreira de Souza, 29, Francineia Silva da Silva. 32, Igor de Souza Pinheiro, 3 anos, e Gustavo Ferreira de Souza, 2 anos. Os sobreviventes foram Ana Clara, 5, Lucas, 12, William, 2, Renilson, 12, Ana Fartaly Silva da Silva, 1, Ana Clara da Silva Laranjeiras, 7, Miqueias, 4, Alzineia Silva da Silva, 23, e Reverson Silva de Souza, 5.

O garoto ferido e transferido para Manaus é Reverson, que foi internado no Hospital da Criança da Zona Leste (Joãozinho). Ele entrou na unidade com suspeita de traumatismo craniano e deverá passar por exames de diagnóstico, como tomografia. Os médicos consideram grave o estado de saúde dele. Os outros quatro sobreviventes feridos estão no Hospital Municipal de Tapauá, e não correm risco de vida.

Revolta popular

Cientes do acidente causado por um adolescente proibido de pilotar um barco, cerca de 70 pessoas de Tapauá se revoltaram e incendiaram a lancha no porto da cidade. Depois, eles tentaram invadir a delegacia para matar o adolescente de 17 anos, mas foram contidos pelos policiais. “Eles queriam fazer justiça com as próprias mãos”, disse o delegado Osman. 

Embriaguez

Segundo o delegado Osman, foi feito teste de alcoolemia clínica no rapaz que pilotava a lancha, e constatada embriaguez. Ele dirigia a lancha do patrão dele, sem autorização, e só ele será responsabilizado pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa, com pena de até 3 anos de detenção. A Justiça e o Ministério Público decidirão o futuro do garoto.

Irmão

O adolescente infrator é irmão do presidiário José Rodrigues Estevo, 28, o “Machadinha”, capturado em outubro deste ano e que está preso em Manaus por tentar matar o promotor de justiça e o juiz de Tapauá num ato de vingança. Policiais do Grupo de Força Especial Resgate e Assalto (Fera) foram enviados à cidade para manter a ordem e auxiliar nas investigações.

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