Sábado, 24 de Agosto de 2019
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Adolescente paquistanesa Malala e indiano Satyarthi ganham prêmio Nobel da Paz de 2014

Sobrevivente a um ataque brutal da milícia Taliban, Malala Yousafzai, de 17 anos, torna-se a mais jovem ganhadora do prêmio na história



1.jpg Malala e Satyarthi foram escolhidos por sua luta contra a opressão das crianças e dos jovens, e pelo direito de todas as crianças à educação
10/10/2014 às 09:58

A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, que foi baleada pelo Taliban em 2012 por defender os direitos das meninas à educação, e o ativista indiano pelos direitos das crianças Kailash Satyarthi ganharam o Prêmio Nobel da Paz de 2014, anunciou nesta sexta-feira (10) a instituição que concede a honraria.

Com o prêmio, Malala, de 17 anos, se torna a mais jovem ganhadora do Nobel.

Satyarthi, de 60 anos, e Malala foram escolhidos por sua luta contra a opressão das crianças e dos jovens, e pelo direito de todas as crianças à educação, informou o Comitê Norueguês do Prêmio Nobel.

O prêmio foi concedido em um momento no qual as hostilidades entre Índia e Paquistão se intensificaram ao longo da disputada fronteira da região de Caxemira, de maioria mulçumana, no pior confronto entre as duas potências nucleares rivais em mais de uma década.

"O Comitê do Nobel considera ser um ponto importante que um hindu e uma mulçumana, uma indiana e uma paquistanesa, unam-se em uma luta comum pela educação e contra o extremismo", disse Thorbjoern Jagland, chefe do comitê do Nobel.

Malala foi atacada em 2012 em um ônibus escolar no vale do Swat, no noroeste do Paquistão, por homens mascarados que a puniram por ter criado um blogue no qual começou a escrever para o serviço em urdu, da BBC, quando tinha apenas 11 anos para fazer campanha contra os esforços do Taliban de proibir as meninas de estudar.

Sem conseguir retornar ao Paquistão após sua recuperação, Malala mudou-se para a Grã-Bretanha, onde montou o Fundo Malala e passou a apoiar grupos de defesa da educação cuja ação fosse focada no Paquistão, Nigéria, Jordânia, Síria e Quênia.

Satyarthi abandonou a carreira de engenheiro eletricista em 1980 e passou a fazer campanha contra o trabalho infantil e a organizar numerosas formas de protesto pacífico e manifestações contra a exploração de crianças para ganho financeiro.

"É uma honra para todas aquelas crianças que ainda sofrem com a escravidão, trabalho forçado e tráfico", disse Satyarthi ao canal de TV CNN-IBN, após saber que ganhou o prêmio.

O prêmio, no valor de cerca 1,1 milhão de dólares, será entregue em Oslo no dia 10 de dezembro, aniversário de morte do industrial sueco Alfred Nobel, que criou a premiação por meio de seu testamento em 1895.

O mais jovem vencedor do Nobel anterior era o cientista australiano-britânico Lawrence Bragg, que compartilhou o Prêmio de Física com o pai, em 1915, aos 25 anos.

Idolatrada no mundo e rejeitada em seu próprio país

Malala Yousafzai é saudada como uma representante mundial dos direitos das mulheres, que enfrentou bravamente o Taliban para defender suas ideias.

Mas em seu país, profundamente conservador, muitos a enxergam com suspeita, como uma rejeitada ou até mesmo como uma criação ocidental que busca danificar a imagem do Paquistão no exterior.

Agora com 17 anos, Malala tornou-se mundialmente conhecida em 2012, quando combatentes do Taliban quase a mataram por sua apaixonada defesa relacionada aos direitos das mulheres no acesso à educação.

Desde então, ela se tornou um símbolo de desafio na luta contra militantes que operam nas áreas tribais de Pashtun, nordeste do país - uma região onde se espera que as mulheres não expressem sobre suas opiniões e fiquem em casa.

“Os terroristas pensaram que poderiam mudar nossos objetivos e parar nossas ambições, mas nada mudou em minha vida exceto isso: fraqueza, medo e desesperança morreram. Força, poder e coragem nasceram”, disse ela nas Nações Unidas no ano passado.

“Eu nem mesmo odeio o taliban que atirou em mim. Mesmo se houver uma arma em minha mão e ele ficar na minha frente. Eu não atiraria nele”, disse ela em um discurso que cativou o mundo.

Malala também conquistou o prêmio da União Europeia para direitos humanos e era considerada uma das favoritas a ganhar o Nobel neste ano.

Vivendo na Grã-Bretanha, ela não pode voltar para casa porque o Taliban ameaça matá-la, bem como os membros de sua família. O atual chefe do Taliban, mulá Fazlullah, foi quem ordenou o ataque contra ela em 2012.

Malala passou a frequentar uma escola em Birmingham e tornou-se uma ativista global para o direito das mulheres à educação, assim como outras questões de direitos humanos, assumindo posições em situações como na Síria e na Nigéria.

Na região em que nasceu, o vale de Swat, muitas pessoas veem Malala, apoiada por uma família compreensiva e um pai que a inspirou a continuar sua campanha, com uma mistura de suspeita, medo e ciúme.

À época de sua nomeação ao Nobel no ano passado, sites de mídias sociais foram tomados com mensagens de insultos. “Odiamos Malala Yousafzai, uma agenda da CIA”, dizia uma página no Facebook.

“Diz o sábio que ‘a caneta é mais poderosa do que a espada’, e é verdade. Os extremistas têm medo dos livros e das canetas”, disse ela nas Nações Unidas. “O poder da educação os assusta. Eles têm medo das mulheres. O poder da voz das mulheres os assusta”.

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