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Adolescentes haitianos procuram pais que acreditam estar refugiados no AM

Os jovens estão retidos em Tabatinga, para onde migraram em busca dos pais que podem estar no Brasil 26/05/2013 às 15:27
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Tabatinga é a porta de entrada dos haitianos no Brasil. Eles começaram a chegar após o terremoto que devastou o País
joana queiroz Manaus

Nove adolescentes haitianos, com idades entre 12 e 17 anos, estão retidos no Município de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), desde o mês de março e estão vivendo em situações de desespero. Eles são meninos e meninas, chegaram desacompanhados dos pais, que vieram na frente e estariam refugiados no Brasil ou na Guiana Francesa.

São quase dois meses de distância e saudades da família. Segundo irmã Patrizia, que acompanha os haitianos adolescentes, eles estão abrigados no Centro de Medidas Sócio-Educativa Municipal sob a responsabilidade do Conselho Tutelar e são assistidas pela prefeitura e a igreja católica. O problema é que já estão apresentando sintomas de estresse, choram e se alimentam mal, porque não se acostumaram com a comida do Brasil e a maioria rejeita a alimentação oferecida no abrigo.

A história delas começa no Haiti, passa pelo Peru e chega ao Brasil onde elas entraram na companhia de pessoas desconhecidas, muitas vezes identificadas como “coiotes”, bandidos especializados no tráfico de pessoas. Por conta disso são retidas pela polícia por questões de segurança e para que suas integridades físicas sejam resguardadas até que elas encontrem as famílias, principalmente os pais que podem estar no Brasil ou na Guina Francesa.

Comunicação
Segundo a freira, uma das principais dificuldades que elas estão enfrentando é na comunicação, pois só sabem falar criolo e não entendem nada de português, inglês ou francês e no município não há ninguém que fale o idioma oficial do Haiti. Foi solicitada a presença de uma pessoa que fala o idioma criolo. Segundo a irmã Patrizia, que coordena os trabalhos de acolhimento dos haitianos, ainda não há previsão para que elas sigam viagem ou se encontrem com os pais onde quer que eles estejam, no Brasil ou no estrangeiro.

O delegado da Polícia Federal de Tabatinga, Gustavo Pivoto disse que os adolescentes entraram no Brasil em datas variadas e que elas vem para encontrar os pais, as vezes chegam na companhia de pessoas desconhecidas, portando apenas o passaporte.

Em alguns depoimentos prestados na Delegacia de Polícia Federal foram citados alguns nomes de pessoas que supostamente estariam atuando como “coiotes”, intermediando essas viagens. As denúncias estão sendo investigadas.

Segundo Pivoto, a chegada dos adolescentes foi comunicada ao Ministério Público Estadual e Federal, e a Justiça estadual e Federal para que tomem o procedimento necessário. O problema é que muitas vezes é demorada a localização dos pais e essa demora causa um certo sofrimento.

Instituições buscam as famílias deles
O Ministério Público Federal informou que está atuando extrajudicialmente, realizando tratativas junto ao Ministério da Defesa e Ministério das Relações Exteriores, para agilizar a reunião dessas crianças com as famílias.

Uma das preocupações do MPF é a identificação dos pais ou responsáveis legais, de modo a impedir que elas acabem sendo vítimas do tráfico de pessoas para fins de exploração sexual ou de trabalho escravo.

Segundo o MPF, o Ministério Público do Amazonas em Tabatinga e a Justiça Estadual têm realizado importante trabalho para providenciar o acolhimento institucional desses adolescentes.

O Ministério da Defesa tem agido para regularizar a situação delas no Brasil, assim que acolhidas pelo Estado. O Ministério das Relações Exteriores também está atuando na localização dos pais e parentes para possibilitar o reencontro familiar.

Vistos limitados
De acordo com informações da Polícia Federal de Tabatinga, só este ano 903 haitianos solicitaram refúgio no Brasilo. O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Porto Príncipe, poderá conceder 1.200 vistos permanentes por ano e por razões humanitárias.

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