Sábado, 18 de Janeiro de 2020
Repúdio

Adua repudia declaração de Weintraub sobre entrada da PM nas federais

Declaração do ministro da Educação foi feita nesta quarta-feira (11), na Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo o Weintraub, objetivo seria reprimir supostas plantações de maconha. ‘Continua a mentir’, disse o presidente da Adua



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11/12/2019 às 19:05

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) repudiou as declarações do ministro da Educação Abraham Weintraub nesta quarta-feira (11), na Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo afirmação do ministro, a Polícia Militar deveria entrar nas universidades federais para reprimir supostas plantações de maconha.

“Mais uma vez o ministro continua a mentir, agora ele faz uma declaração e apresenta uns vídeos antigos para desviar a atenção de seu péssimo trabalho à frente do ministério, como mostrou recentemente o relatório da Comissão da Câmara dos Deputados”, diz um trecho da nota assinada pelo presidente da Adua, Marcelo Valina.



O ministro que foi convocado pela Comissão de Educação para dar explicações sobre a declaração feita durante entrevista ao Jornal da Cidade no mês passado (23) e apresentou aos deputados fotos e vídeos colhidos por ele na internet. “Enquanto a educação pública continua definhando pela falta de investimentos do governo federal, o ministro não tem outra coisa para fazer que criar polêmicas tentando desprestigiar a comunidade universitária”, afirmou a Adua.

Para a associação, o objetivo do ministro e do governo Bolsonaro é acabar com o ensino público, laico, gratuito e de qualidade. Por essa razão, segundo a Adua afirma que Weintraub não discute os verdadeiros problemas da educação como o financiamento do ensino, da pesquisa e da extensão, a manutenção, a infraestrutura, a falta de técnicos administrativos e de professores e professoras, a insuficiência de assistência estudantil etc.

“Se ele quisesse se preocupar poderia pegar os dados de adoecimento na comunidade universitária. O ministro deveria saber que o combate ao tráfico de drogas não se faz perseguindo as universidades públicas, mas as milícias que tomam conta da sociedade e do Estado”, disse a Adua. 

Weintraub disse que essas unidades de ensino podem até servir de "abrigo para os bandidos".  "A PM faz o que pode. Esta à disposição. A PM luta e enxuga gelo nessa guerra do tráfico. Corre risco todo dia. Quando o PM sai na rua fardado, o bandido sabe que é PM. Mas a MP não sabe quem é bandido. E nas universidades eles encontram refúgio, já que a PM não pode entrar no campi", disse o ministro da Educação.

Na avaliação da entidade, o ministro busca os holofotes por conta da sua baixa popularidade.

“O que o ministro poderia fazer é ler os relatórios que o próprio ministério encomendou e saberia que nas universidades públicas se produz conhecimento de qualidade e não meta anfetaminas como ele diz. Enquanto isso, professores, professoras, técnico administrativos em educação continuam na luta para defender o patrimônio público. Nosso sindicato nacional, ANDES-SN, já interpelou na justiça o ministro, agora terá que se explicar”, afirmou a associação.

Também afirmou que a entrada da PM nas universidades federais não tem viés ideológico. "Eu sou a favor da autonomia universitária para questões de ensino. Pode ensinar o que quiser, pode falar de Karl Marx. Não tem problema! Agora a PM tem que entrar no campi", defendeu o ministro, dizendo que as universidades brasileiras "estão pedindo socorro" por conta da "epidemia das drogas".

Dentre as ilustrações expostas, Weintraub enfatizou o Levantamento Nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas, divulgado pelo jornal Gazeta do Povo em 2017, apontando que 48,7% dos universitários já haviam utilizado drogas ilícitas.

“As drogas então amplamente difundidas no Brasil e o que a gente viu nas universidades é o dobro, metade usa drogas, porque a demanda é tão grande, é tão natural, que eles plantam maconha e se sentem seguros porque a polícia não entra”, justificou Weintraub.

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