Domingo, 15 de Dezembro de 2019
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Advogadas da facção FDN estão se sentindo ameaçadas por outras presas no Centro de Detenção

Uma das defensoras passou a se sentir incomodada por ter que conviver com uma interna colombiana, de quem recebeu R$ 15 mil em honorários para conseguir colocá-la em liberdade, o que não aconteceu; OAB/AM recorreu à Justiça Federal para colocar as duas mulheres em melhores condições



1.jpg As duas defensoras da facção criminosa foram presas durante a Operação La Murallha, no mês passado
14/12/2015 às 00:26

As advogadas Lucimar Vidinha Gomes a “Bar Vidinha”, Rosângela Amorim da Silva, Janaína Veríssimo dos Santos e Sulene Socorro Carvalho Veríssimo, que estão presas no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Km 8 da BR-174, estão se sentindo ameaçadas pelas demais internas da unidade prisional. 

Por conta das supostas ameças, membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM) estão empenhados em encontrar um local para preservar a integridade física das advogadas, que estão  no CPD,  desde o dia 20  do último mês, quando foram presas pela Polícia Federal, na operação “La Muralla”. 



Nas investigações elas aparecem como advogadas contratadas para defender os interesses dos membros da facção criminosa Família do Norte (FDN). Até a última sexta-feira, as quatro advogadas encontravam-se presas em uma sala de nove metros quadrados onde funciona o berçário da cadeia.

Porém, nos últimos dias, de acordo com informações da direção da unidade prisional, Rosângela passou a se sentir incomodada por ter que conviver com uma interna colombiana, de quem recebeu R$ 15 mil de honorários para conseguir colocá-la em liberdade, o que não aconteceu. Ainda conforme a direção do CPD, as advogadas vem sofrendo com ameaças por parte das demais internas que fazem provocações quando passam pelas salas onde as advogadas estão detidas: “chegou a sua vez doutora”, ou “tomem cuidado”, em tom ameaçador.

O presidente da OAB/AM, Alberto Simonetti Neto, disse que ele e outros membros de comissões da Ordem, estão tentando conseguir um local para que as advogadas possam ficar em segurança, mas parece que “as portas se fecharam para elas e até sexta-feira passada ainda estavam na cadeia”. 

De acordo com Simonetti, a partir do momento que foi cumprido os mandados de prisões em desfavor das advogadas, a comissão de prerrogativa e a procuradoria de prerrogativa da OAB passaram a tomar todas as providências necessárias, para fazer cumprir o que diz o estatuto da Ordem, o direito do advogado ficar preso em sala de Estado Maior (ambiente separado, sem grades, localizado em unidades prisionais ou em batalhões da Polícia Militar).

O Secretário de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, informou que não há sala de Estado Maior disponível para abrigar as advogadas presas. 

OAB recorre ao TRF

O presidente da OAB/AM, Alberto Simonetti Neto  informou que, conforme prevê o estatuto dos advogados, foi feito um pedido junto a Justiça Federal para que, na falta de uma sala de estado maior, que fosse deferido a prisão domiciliar para as advogadas, entretanto  esse pedido foi indeferido porque a magistrada da 2ª Vara Federal, Ana Paula, considerou razoável a prisão em que elas se encontram. 

Simonetti informou ainda que foi encaminhado o  pedido de habeas corpus, porém a liminar foi negada. O mesmo foi levado à Brasília e, atualmente,  se encontra em tramitação e, tão logo  será julgado  pela turma do Tribunal Regional Federal (TRF).

 “Estamos aguardando essa medida”, disse o gestor da OAB/AM. Com relação às ameaças, Simonetti disse que não tinha conhecimento da situação. Ele julga pouco provável as supostas ameaças, pois elas estão em sala fechada.

Relatos 

O presidente da OAB/AM, Simonetti Neto, disse que foi ao CPD acompanhado com outros membros da OAB e conversou com as advogadas. “Elas reclamaram do local onde encontram-se presas que é inadequado, uma sala de nove metros quadrados com banheiro e ar condicionado”. 

Uso de fardas 

As advogadas também reclamaram que pelo fato de estarem custodiadas em uma unidade prisional, a empresa administradora da unidade estava querendo enquadrá-las no sistema de farda. Essa questão, segundo Simonetti, foi resolvida.  


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