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Cotidiano
SAÚDE

Cirurgia plástica após os 60 anos é recomendável? Confira o que diz especialista

Médicos e pacientes discutem vantagens e riscos de cirurgias estéticas em pessoas que já têm mais de 60 anos 29/04/2018 às 13:50
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Eliana Rodrigues fez as primeiras cirurgias plásticas após os 60. Foto: Jair Araújo
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Ao completar 60 anos, a nutricionista Eliana Rodrigues – hoje com 62 – resolveu se dar um presente. “Queria entrar na terceira idade inteirona. E assim fiz as duas cirurgias plásticas. Antes da cirurgia, tinha vergonha de ir à praia ou piscina, de usar roupas que mostrassem mais a silhueta, enfim. Minha autoestima estava baixa”, conta ela, que se submeteu a uma abdominoplastia em 2015 e, no ano seguinte, fez uma mamoplastia com colocação de prótese. 

Eliana obteve todas as informações possíveis antes da cirurgia e salienta que, no pós-operatório, também teve um acompanhamento que diz ter sido maravilhoso. “Para você entrar em uma cirurgia, deve estar saudável, sem doenças crônicas, e para manter os resultados, você tem que praticar atividade física regularmente e ter alimentação saudável sempre”, conta ela, garantindo ter tido tudo isso e esclarecendo uma questão importante: afinal, pessoas com mais de 60 anos podem fazer cirurgias plásticas? De acordo com os especialistas, cirurgias de porte menor são bem vindas.

Conforme o cirurgião plástico João Antônio Daher, 32, não há idade para cirurgias estéticas e reparadoras. “Mediante a real indicação, o que será mandatório para a execução de um procedimento é a saúde do paciente, desde que ele esteja apto a ser submetido a uma cirurgia. Junto aos devidos cuidados correlacionados a idade, estará liberado”, coloca ele, lembrando que as cirurgias plásticas mais procuradas por idosos são a mamoplastia, abdominoplastia, lipoescultura, blefaroplastia (pálpebras), rinoplastia, entre outras.

Ele destaca, porém, que é necessário fazer avaliações cardiológicas, exames laboratoriais e de imagem conforme a indicação do procedimento a ser realizado. “Ter uma anamnese bem detalhada e saber sobre a saúde do paciente é crucial”, garante João, lembrando que as diferenças no tratamento cirúrgico de jovens para idosos podem ser diversas, ou até mesmo não existir. Tudo depende da qualidade da saúde do paciente. “Depende se tem doenças prévias, se faz uso de medicações, da qualidade do tecido celular ou até hábitos de vida”, acrescenta.

Restrições

Já para Alieksiei Carrijo, cirurgião plástico e gerente médico da Sinclair Pharma, pessoas com idade mais avançada têm indicação, mas não possuem mais condições clínicas para realizar uma cirurgia plástica. “Para amenizar os sinais do tempo, que são inevitáveis, estes pacientes podem se submeter a procedimentos minimamente invasivos - como lifting faciais. Esse tipo de técnica realmente posterga a realização da cirurgia plástica e acaba atuando como uma forma de manutenção do frescor e da saúde da pele ao longo do tempo”, coloca o médico.

Ainda de acordo com Alieksiei, as técnicas minimamente invasivas são, a priori, indicadas para pessoas que ainda não tem idade para fazer um procedimento cirúrgico. “Para aqueles pacientes que possuem um grau de envelhecimento leve”, conta ele. Mas nem todas as pessoas podem se submeter às intervenções cirúrgicas, independente de idade. “Pacientes que apresentem distúrbios de coagulação, insuficiência cardíaca e/ou diabetes e fumantes não devem se submeter à cirurgia plástica. Para estes casos, a indicação é a realização de técnicas minimamente invasivas”.

Plástica e saúde

As cirurgias plásticas muitas vezes parecem garantir melhorias apenas à aparência das pessoas. Ledo engano, principalmente no caso dos idosos. Conforme o gerontólogo Euler Ribeiro, certas cirurgias plásticas acabam exercendo melhorias à saúde do paciente. “Idosos muito obesos, que tenham abdômem muito grande, possuem as vísceras comprimidas, o que dificulta a respiração. Eles podem fazer lipoaspiração para retirar a gordura e depois retirar as peles com cirurgia, desde que não seja diabético”, declara. 

No caso das idosas terem mamas muito flácidas, Ribeiro explica que estas mamas acabam comprimindo o tórax, e neste caso a paciente pode fazer a redução das mamas para auxiliar na respiração. Há também o caso das pálpebras. Engana-se quem pensa que esse tipo de cirurgia visa, em todo o caso, o campo estético. “As pálpebras, quando caem, deixam o idoso com dificuldade de enxergar. Essa cirurgia plástica é feita com anestesia local”, acrescenta ele. 

Segundo o médico, idosos podem fazer cirurgias plásticas, desde que sejam de menor porte, sem tempo prolongado. Uma cirurgia que Euler contraindica, por exemplo, é a colocação de próteses nos glúteos. “Porque isso pode dar problemas como embolias, infecções em torno da gordura localizada, e gerar uma perfuração por abscesso”, completa ele, lembrando que verificar glicose, colesterol e a existência de anemia é crucial no pré-operatório do idoso.

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