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Cotidiano
POLUIÇÃO

Águas do lago Miriti estão há uma semana com coloração marrom e mau cheiro

Moradores de seis comunidades ribeirinhas de Manacapuru (AM) estão prejudicados sem água para beber e, segundo pescadores, os peixes estão escassos 22/03/2017 às 20:10 - Atualizado em 22/03/2017 às 22:57
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O lago que corre por debaixo da ponte do Miriti está semelhante ao Encontro das Água. Foto: Evandro Seixas
Lídia Ferreira Manaus

As águas negras do lago do Miriti, principal fonte hídrica de abastecimento do município de Manacapuru (a 86 quilômetros de Manaus), está há uma semana com a coloração marrom e com mau cheiro. Moradores de seis comunidades ribeirinhas estão prejudicados sem água para beber e, segundo pescadores, os peixes estão escassos.                       

Na entrada da cidade, o lago que corre por debaixo da ponte do Miriti está semelhante ao Encontro das Águas. É perceptível a olho nu a cor natural preta com o trecho poluído em cor de barro. "Moro aqui desde que nasci e esse lago sempre foi pretinho, bem negro mesmo. Está melhor esses dias. No último domingo, depois da chuva, estava um café com leite a cor. E tinha umas partes bem brancas de poluída", relata Mizael Leite. Aos 68 anos, a dona de casa Raimunda da Silva nunca tinha visto o lago nessas condições. "Está pior que o Solimões, só barro mesmo. Não tem condições de beber essa, nem pra tomar banho dá", diz.                       

Na tentativa de cessar as constantes diarréias da família ela construiu um poço há dois anos. "Todo mundo fica doente, mês sim, mês não. Agora não dá mais nem pra entrar na água. A gente se coça todo. Passei 40 anos vivendo desse lago, agora não posso nem entrar", conta Raimunda, que vive com os três filhos, três noras e 12 netos às margens do Miriti.    

                   

Distante dois quilômetros da entrada da cidade,  a comunidade Santa Luzia é uma das mais prejudicadas. A poluição da água é mais intensa e as malhadeiras saem vazias do rio. "Não tem mais peixe. A gente chegava a tirar 100 pacus e jaraquis por semana. Agora não chega nem a 10", diz o agricultor e pescador Antônio Alves.

O morador Elias Vieira denuncia o despejo do conjunto habitacional Minha Casa e Minha Vida, distante um quilômetro da comunidade. "Não é de hoje isso, mas está pior a cada dia. Eles estão jogando todo o esgoto e lixo deles aqui no rio. Há quase cinco anos está assim. Já denunciamos e até hoje ninguém fez nada", conta. 

                   

O agricultor Mizael Leite conta que outra fonte de poluição é o viveiro da Exata, situado a 10 quilômetros da Ponte do Miriti. "Lá está bem feio, a água está podre, sem condições nenhuma. É muito triste isso. E todo mundo vai ser  prejudicado porque Manacapuru inteira precisa desse lago e para tudo: tomar banho, pescar e beber. É preciso fazer alguma coisa", lamenta.

 

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