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Cotidiano
PESQUISAS

'Ainda há muito a ser feito', diz especialista sobre ciência e tecnologia no mercado

Diretora do Escritório de Transferência da PUC-RS, Elizabeth Ritter, participou de conferência em Manaus, no Inpa. Entre os assuntos, ela falou sobre os desafios da pesquisa e sua inserção no mercado 02/07/2016 às 09:18
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Imagem da Conferência realizada até ontem no Inpa (Foto: Paulo André Nunes)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A questão do direito autoral e da propriedade intelectual em ciência e tecnologia é cercada de proteções pela legislação vigente. Essa é a opinião da diretora do Escritório de Transferência de Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Elizabeth Ritter, que esteve ontem Manaus participando da 2ª Conferência sobre Processos Inovativos na Amazônia no auditório do Bosque da Ciência do Inpa .

“Não é uma questão de ser preocupante, mas de ser um mecanismo de proteção do conhecimento que é gerado nas nossas instituições. Quando um pesquisador publica algo em um uma revista de grande e ampla circulação, qualquer pessoa pode se apropriar daquele conhecimento e gerar um produto a partir dele, pois estamos falando de um conhecimento de domínio público. Na medida em que a instituição começa a dar valor ao conhecimento que ela gera, tem valor, e esse mesmo conhecimento é valorizado principalmente por conta de uma mudança nos meios de relação de produção no mundo inteiro, que se deu principalmente a partir do que chamamos de “Sociedade do Conhecimento’, onde os produtos que são colocados no mercado eles valem mais pelo conhecimento que têm integrados nele do que própria matéria prima, isso se chamou atenção para a importância do valor do conhecimento”, disse a especialista.

“Na medida em que a universidade toma consciência disso, e a consciência do seu papel nessa sociedade do conhecimento, ela também passa a se preocupar com a proteção, porque ela só pode definir como aquele conhecimento vai ser explorado comercialmente se ela for proprietária”, explica ela.

Elizabeth Ritter afirmou que a legislação atual dá segurança aos cientistas: “A lei de inovação tecnológica, inclusive, sofreu uma complementação em janeiro (lei federal nº 13.243) por conta de inseguranças jurídicas que a lei anterior tinha e se procurou melhorar alguns aspectos que ainda travavam a fluidez das relações entre as ICTs e as empresas”.

Mercado e cidadão

Quanto à inserção da ciência e tecnologia no mercado e na vida de qualquer cidadão, Ritter disse que já se promoveu muitos avanços no Brasil, mas que “ainda há muito a ser feito para fazer chegar no mercado as nossas tecnologias”.

Evento de Processo inovativo

O auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) sediou, até ontem, a 2° Conferência sobre Processos Inovativos na Amazônia. O evento foi uma parceria do Inpa com o Instituto Leônidas e Maria Dea).

O encerramento teve três atividades: “Como negociar tecnologias institucionais com o setor produtivo, Investimento-arranjo: o que é e como funciona?, e a oficina “O pitch como ferramenta de eficácia na captação de investimentos à Micro e Pequenas Empresas”.

Para a coordenadora de Extensão Tecnológica e Inovação do Inpa e do Arranjo NIT da Amazônia Ocidental (Rede Amoci), Noélia Falcão, o balanço da 2ª Conferência “é muito produtivo e mais eventos como esses deveriam ser realizados no âmbito de ciência e tecnologia”. “Nosso objetivo é operar em forma de rede colaborativa”, ressaltou ela.

Elizabeth Ritter

Dir. Transf. Tecnologia da PUC-RS

“A propriedade intelectual no âmbito das instituições científicas e tecnológicas é algo relativamente recente, embora já se tenha uma legislação de propriedade industrial de direito autoral que remonta aos anos 70, essas legislações todas foram atualizadas no início dos anos 90, mais especificamente 1996 e 1997, por conta de um acordo internacional que o Brasil assinou ligado à propriedade intelectual chamado ‘Acordo Tríplice’, que são os direitos de propriedade intelectual associados ao comércio. O País, ao assinar essa legislação, se comprometeu a fazer uma revisão dessas legislações. A Lei de Propriedade Industrial foi firmada em 1996, também a Lei de Direito Autoral, então incorporando todas as diretrizes básicas desses acordos internacionais”.

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