Publicidade
Cotidiano
Notícias

Ainda um grande tabu, legalização da maconha divide opiniões de especialistas no Amazonas

Equipe do MANAUS HOJE foi atrás dos dois lados e abriu espaço para a discussão, que recentemente foi debatido entre os candidatos à presidente da República. Dependência, uso medicinal, tráfico e violência estão em foco 24/11/2014 às 11:11
Show 1
Maconha em questão
Kelly Melo Manaus (AM)

O assunto está na boca do povo há muito tempo: a polêmica sobre a liberação da maconha. O tema tem sido discutido em todas as classes sociais e divide as opiniões entre os que são contra e os que são a favor.

Esta semana o MANAUS HOJE foi atrás dos dois lados e abriu espaço para a discussão, que recentemente foi debatido até entre os candidatos à presidente da República.

Para o ativista social Sandro Marandueira, um dos líderes da “Marcha da Maconha”, o momento não é mais para se dizer o que é “certo” ou “errado”. Na opinião dele, as leis protegem mais o narcotráfico do que acolhe o usuário. “Do jeito que está, as drogas são muito mais acessíveis, porque é possível encontrar o entorpecente em qualquer esquina. E o traficante não pede identificação do usuário. Quem está disposto a procurar, acha em qualquer lugar”, disse ele.

Marandueira defende o comércio legalizado e a descriminalização da maconha porque a medida evitaria marginalizar os usuários. Um estudo realizado pelo Governo Federal em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que 8 milhões de brasileiros já experimentaram a erva. Desses, apenas 1,5 milhão faz uso diariamente. “Existe um discurso, um conflito ideológico. Mas marginalizar o usuário é pior que do que acolher”.

Já para o psicanalista e escritor Aluney Elferr, que também é presidente do instituto Naf Brasil, que trata de pessoas com dependência química na capital, a legalização não é o melhor caminho. “A legalização não acabaria com o tráfico de drogas e o Brasil não possui políticas públicas, nem vontade política para investir em tratamentos”, criticou.

Outro ponto levantado pelo especialista é que, no Amazonas, o uso da maconha está associado ao uso da cocaína e derivados. De acordo com Elferr, de cada dez usuários da maconha, nove faz o uso misturado com a pasta base. “A cocaína, o oxi, a pasta e o craque são as drogas preferidas dos amazonenses. Mas como geralmente os usuários misturam as substâncias, ficaria muito difícil a fiscalização”.

Elfeer também lembrou que mesmo nos países que já descriminalizaram a cannabis, como a Holanda, Espanha e parte dos Estados Unidos, existe um controle. “Os países europeus são menores e mais facéis de serem controlados. Já no EUA, os estados criam suas próprias leis. Mas um país como o Brasil, com tamanho continental, fica mais complicado controlar”.

Autoridades do Estado são contra

Para o Secretário de Segurança Pública do Estado, coronel Paulo Roberto Vital, autorizar o comércio da maconha é “assinar atestado de incompetência”. “È dizer que as forças de segurança não possuem estrutura para combater o comércio e liberá-lo”, ressaltou. Da mesma forma, o delegado da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão ao Entorpecente (Depre), George Gomes, se posicionou contra, já que, segundo ele, o uso de drogas está diretamente relacionado aos altos índices de violência. Ainda de acordo com o delegado, seis de cada 10 adolescentes apreendidos já usaram droga. O psicanalista Aluney Elferr lembra que mais de 60% dos dependentes químicos já cometeram crime.

Anvisa estuda uso medicinal

Uma outra discussão que tem ganhado força é o uso medicinal. Na semana passada, o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ivo Bucaresky, disse que a agência estuda reclassificar o canabidiol (substância presente na folha da maconha) como medicamento. Ele explicou que estudos científicos feitos pela Anvisa mostram que “não há evidência que ele causa dependência ou que deixe as pessoas 'doidonas’”. O ativista Sandro Marandueira contou a experiência dele. “Somente as substâncias presentes na maconha me ajudam a combater as dores no calcanhar e no tornozelo, após ter sofrido um acidente”.

É proibido cultivar

A Lei 11.343 (Lei das Drogas), sancionada em 2006, diz que é proibido o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas as drogas, mas abre exceção se a mesma for para fins medicinais e científicos desde que passe por fiscalização da União.

Polícia bate forte em cima

Só no primeiro semestre deste ano as polícias Federal, Civil e Militar apreenderam mais de 3 toneladas de drogas no Amazonas. ‘A Lei das Drogas deveria ser mais clara e diferenciar o usuário do traficante”, defende o psicanalista Aluney Elferr, ao tratar do tema.

Publicidade
Publicidade