Sábado, 24 de Julho de 2021
Ataque ao STF

Alberto Neto critica prisão do deputado federal Daniel Silveira

De acordo com o deputado Alberto Neto, Silveira estava apenas “expondo sua opinião” ao divulgar vídeos com ofensas e ataques aos ministros do STF



capitao-alberto-neto-prb-foto-douglas-gomes-12-03-19_9171BAA8-ADC4-4968-98AB-0DEBB74BAF0E.jpg Foto: Reprodução / Internet
17/02/2021 às 13:29

Um dos 14 vice-líderes do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) chamou de "absurdo" a prisão em flagrante, na noite desta terça-feira (16) do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) por ter divulgado um vídeo no qual proferia ataques e ofensas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Absurdo privar a liberdade de um deputado federal que, no exercício de mandato, expôs sua opinião. Absurdo, também, desrespeitar a Constituição no art. 53, onde prevê que os autos devem ser remetidos ao congresso no prazo de 24h, para que, pelo voto dos membros, resolva sobre a prisão”, rechaçou.



Capitão Alberto Neto costuma incorporar o discurso ideológico do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em maio passado, Alberto Neto defendeu o emprego do artigo 142° da Constituição para legitimar um suposto poder moderador das Forças Armadas nas relações entre os poderes.

À época, ele defendeu que isso não seria um golpe militar, se a intervenção fosse “pontual”. Na ocasião, o presidente vivia uma queda de braços com o Supremo após a corte ter liberado o vídeo de uma reunião ministerial citado como prova pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de intervenção do presidente na Polícia Federal.

Em um dos trechos mais agressivos do vídeo que provocou a prisão, Silveira diz que imagina o ministro Fachin "levando uma surra" e pede para que o "homenzão", o ministro Alexandre de Moraes seja "fodão" e prenda um general do Exército, em referência ao general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, que ironizou resposta de Fachin sobre manifestação de Villas Boas em 2018 nas redes sociais antes do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula.

Mais cedo, Alberto Neto twittou perguntando em tom irônico se dar opinião teria virado crime inafiançável “agora no Brasil”. O parlamentar recomenda que uma rede de televisão se "cuide".

Na noite da prisão de Daniel Silveira, o deputado Marcelo Ramos, vice da Câmara dos Deputados, disse que o debate a respeito do flagrante será orientado por prudência, serenidade e debate técnico. Ramos prega que a discussão que deve derrubar ou manter a prisão deve ser pautada sobre a existência ou não do flagrante e enfatizou que a decisão tomada pela Câmara gerará "precendente".

Ramos defendeu que a prisão é incontestável por ter base nos artigos 22 e 23 da Lei de Segurança Nacional. A prisão que ocorreu em flagrante por crime inafiançável foi determinada por Alexandre de Moraes em ofício no âmbito do inquérito das fake news - isto é, sem que a PF ou a PGR tivessem pedido.

Em setembro, o presidente Bolsonaro nomeou novos 14 vice-líderes de vários partidos, entre eles, Capitão Alberto Neto, que usa a nomeação como trunfo político para o Amazonas, sugerindo que o estado terá facilidade de relacionamento com o governo federal. O líder do governo na Câmara é o ex-ministro da saúde no governo Michel Temer, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR).


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