Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021
NOVEMBRO AZUL

Além da próstata: campanha visa a saúde do homem como um todo

Doenças como a hiperplasia prostática benigna e a bexiga neurogênica também são combatidas



Capturar_62D65211-BC4B-41EC-B47D-4C2558E0BCDE.JPG Foto: Divulgação
16/11/2020 às 18:01

Criada em 1999, na Austrália, por um grupo de amigos que decidiram deixar o bigode crescer como forma de chamar a atenção para a saúde masculina, a campanha Novembro Azul tinha, incialmente, o objetivo de conscientizar a população a respeito do câncer de próstata. Hoje, com a expansão da campanha para o mundo, o trabalho de conscientização vai além e engloba a saúde do homem como um todo.

De acordo com a urologista Bárbara Melão, ainda que o câncer de próstata continue sendo o principal foco da campanha, outras doenças que acometem o homem não podem ser deixadas de lado, a exemplo da hiperplasia prostática benigna, que é a patologia urológica mais comum em homens com mais de 50 anos. 



Vale notar que a hiperplasia prostática benigna causa um aumento da glândula da próstata, resultando, assim na dificuldade em urinar. Felizmente, esse tipo de aumento da próstata não é considerado precursor do câncer de próstata. Contudo, o problema pode causar um fluxo urinário fraco ou intermitente. Em alguns casos, resulta em infecção, pedras na bexiga e função renal reduzida.

Diagnóstico e acompanhamento

A boa notícia é que, em casos de suspeita, o diagnóstico da hiperplasia prostática benigna pode ser feito através do estudo urodinâmico completo. Segundo Bárbara Melão, o estudo é composto de três etapas: a urofluxometria livre, seguida pela fase de avaliação do enchimento vesical e, por último, a fase de esvaziamento vesical.

“A urofluxometria livre é super simples, rápida de ser feita e não invasiva. O paciente deve estar com a bexiga cheia e com vontade de urinar. Ele faz xixi normal em um vaso que estará conectado a um computador e que medirá dados como tempo e volume do fluxo urinário do paciente”, explica a urologista.

Conforme ela, a urofluxometria livre é importante para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com obstrução intravesical, que é a obstrução do trato urinário, ou seja, um bloqueio que inibe o fluxo da urina através de seu trajeto normal, incluindo os rins, ureteres, bexiga e uretra. O bloqueio pode ser completo ou parcial e pode levar à lesão ao fígado, cálculos renais e infecção. 

“Dentre as causas mais comuns dessa doença no homem, está a hiperplasia prostática benigna, que é uma doença que deve ser rastreada para que não evolua a ponto de uma cirurgia se tornar necessária”, completou.

Estudo urodinâmico completo

Único capaz, dentro da urologia, de avaliar o pleno funcionamento da bexiga, o estudo urodinâmico completo, ao contrário da urofluxometria livre, dura em torno de meia hora e é invasivo. 

“É um exame invasivo pois depende da passagem de uma sonda vesical pela uretra. Ela permanece lá apenas durante a realização do exame. Assim que termina, ela é retirada. É um exame utilizado tanto para homens e mulheres em diferentes faixas etárias e possui várias aplicações”, disse Bárbara Melão, ressaltando a importância do exame. 

Conforme ela, o estudo pode ser utilizado tanto para avaliar obstruções intravesicais, seja prostática nos homens ou por prolapso e outras causas nas mulheres, serve para avaliar os tipos de incontinência urinária.

“É um exame extremamente importante para pacientes que possuam algum tipo de lesão neurológica, como AVC e lesão na medula, e que possam ter a função vesical comprometida, causando, assim, a bexiga neurogênica”, concluiu ela. 

Repórter de A Crítica

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