Terça-feira, 03 de Agosto de 2021
VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS

Além de enfrentar a pandemia, idosos ainda enfrentam violência crescente no AM

Violentados e discriminados, os idosos sofrem com a força impiedosa da Covid-19 e ainda convivem com problemas sociais que parecem nunca terminar



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15/06/2021 às 15:00

A pandemia do coronavírus causa medo e sofrimento de grande escala em toda população. Porém, estas consequências são ainda mais graves em pessoas com idade avançada. Além do impacto na saúde, a pandemia pode colocar pessoas mais idosas em um maior risco de pobreza, discriminação e isolamento. Neste dia 15 de junho, data em que foi oficializada o Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, pode e deve ser tornar um momento oportuno para ressaltar aos órgãos públicos os cuidados que a sociedade deve ter com a pessoa idosa neste período pandêmico.

De acordo com o Atlas da Violência 2020, entre 2017 e 2018, as denúncias de homicídios contra idosos aumentaram 67% no Brasil, segundo o Disque 100 (Direitos Humanos). Em sentido oposto, as denúncias de tentativa de homicídio contra idosos se reduziram em 18% - de quase 200 casos para aproximadamente 180 ocorrências. Já quando se trata de lesão corporal contra idosos as denúncias aumentaram 19% - de mais de 5 mil casos para até quase 7,5 mil registros de lesão corporal.



Em relação aos dados regionais, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), de 2019 para 2020, os crimes em que pessoas acima de 65 anos de idade foram vítimas na capital amazonense, cresceram de 7.938 para 8918 (aproximadamente 12%). Os dados informam ainda que de 2019 para o ano passado, houve um crescimento de mais de 378% em crimes caracterizados como "discriminação ao idoso" - em 2019 foram registrados apenas 37 crimes, enquanto em 2020, a SSP registrou 177 casos de discriminação ao idoso.

Além disso, os dados da SSP-AM também informam que nos registros com vítimas idosas, houve crescimento de 45% em crimes de injúria; 32% em lesão corporal; 23% em perturbação de tranquilidade; 10% em ameaça e 9% dos idosos foram vítimas de roubo em Manaus.

Já no interior, a cidade que mais registrou crimes envolvendo vítimas idosas em 2019, foi o município de Humaitá (distante a 590 quilômetros de Manaus), com 140 crimes. Enquanto que no ano passado, o posto ficou com o município de Iranduba (distante a 38,8 quilômetros da capital), com 106 crimes.

Questionada por A CRÍTICA sobre quais trabalhos estão sendo realizando para conter este aumento no ano de 2021, a SSP-AM esclareceu que a Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (DECCI) atua em conjunto com a rede de proteção, em ações de prevenção à violência contra a pessoa idosa. Além de realizar operações e apuração de denúncias regularmente. Em todo o Amazonas, o público da terceira idade pode registrar Boletim de Ocorrência em qualquer delegacia.

Lei

De acordo com o artigo 19 do Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/2003, essa violência pode se caracterizar como física, psicológica, financeira, negligência, abandono, entre outras. Conforme a titular da Delegacia do Idoso (DEECI), delegada Andréa Nascimento, a data de 15 de junho foi instituída pela ONU com o objetivo de promover ações de prevenção aos diversos tipos de violência contra a pessoa idosa.
 
“A DECCI, em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Estado do Amazonas (Sejusc), e demais órgãos responsáveis, vem realizando, durante todo o mês de junho, ações que têm por finalidade sensibilizar e conscientizar a população, para que, por meio do conhecimento, saiba identificar casos de violência contra as pessoas idosas e efetuar a denúncia”, esclarece a autoridade policial.
 
Ainda conforme a autoridade policial, a família e a sociedade colaboram para a cultura errônea de que a pessoa idosa é socialmente descartável, e, a partir disso, surgem os diversos tipos de violência contra esse grupo, entre elas o preconceito e a discriminação.
 
“É muito importante que eles se mantenham ativos, principalmente no mercado de trabalho, pois melhoram a qualidade de vida e saúde mental, evitando, com isso, doenças causadas pelo sedentarismo. Apesar de serem discriminados pela idade, eles podem nos passar sabedoria de uma vida toda e os mais jovens devem buscar conhecer e aprender com eles”, enfatizou Nascimento.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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