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Cotidiano
Zika, dengue e chikungunya

Combate aos criadouros do Aedes aegypti deve ser feito até em locais inusitados

Criadouros podem estar em ambientes inesperados, como plantas que costumam acumular água (como as bromélias), os aparadores de água que ficam atrás das geladeiras, entre outros 02/04/2016 às 11:31
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Além dos depósito de água, o focos do Aedes pode estar em outro locais. População deve ficar atenta (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Náferson Cruz Manaus (AM)

Não é só nas garrafas destampadas, nos depósitos de água (camburões, caixas d’água), pneus, lixo e nas calhas, mas as larvas, bem como os criadouros do mosquito Aedes aegypti, podem estar em ambientes inesperados, como plantas que costumam acumular água (como as bromélias), os aparadores de água que ficam atrás das geladeiras, piscina inflável que as crianças usam no fim de semana, o vaso sanitário sem tampa, entre outros. 

A entomologista da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Barbosa, explica que o Aedes aegypti costuma se dar bem onde a temperatura oscila entre 24 e 28 graus, temperatura ideal para o mosquito, jutamente nestes pontos citados. Além disso, acredita-se que as cores escuras absorvem calor, enquanto as cores mais claras o refletem. Os mosquitos são atraídos pelo calor do corpo e, assim, picam as pessoas com roupas escuras com mais frequência que aquelas que estiverem usando cores mais claras.

Graça Barbosa alerta que é necessário reforçar as medidas preventivas, entre elas, “não deixar água limpa acumulada, o que facilita a proliferação do Aedes e limpar ralos, eliminar acúmulo de água suja, que são as condições preferidas do Culex”, destacou a pesquisadora.

O infectologista da FMT/HVD, Antônio Magela, orienta que é preciso redobrar os cuidados, para evitar as infecções. Ele diz que devem ser reforçados hábitos como a higiene das mãos e os cuidados com o manuseio e procedência dos alimentos e da água consumidos.

“No momento temos maior preocupação com o vírus da Zika porque é uma situação emergente. Sobre ele (Aedes aegypti) temos muitas perguntas, mas ainda sem resposta, pois estamos em fase de estudo para saber qual é a ação dele, o que ele faz e suas consequências e, ainda, o que este vetor pode causar nas pessoas ao longo do tempo”, completou o especialista.

Persistência do vírus

Pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro e de Pernambuco preparam-se para iniciar um grande estudo sobre a presença e a persistência do vírus da Zika nos fluidos corporais (lágrima, saliva, leite materno, secreções vaginais e esperma).

A intenção do estudo é avançar, no sentido de esclarecer a possibilidade de transmissão do Zika por outras vias, que não a da picada do Aedes aegypti.

O secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza, explica que a pesquisa é financiada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em parceria com o Ministério da Saúde brasileiro. O estudo será o primeiro realizado no mundo, neste formato, disse ele.

Segundo o diretor de Ensino e Pesquisa da FMT, pesquisador Marcus Lacerda, na semana passada, em Recife, ocorreu a primeira reunião sobre o estudo. Os pesquisadores começaram a trabalhar na elaboração do protocolo da pesquisa.

Pesquisa está em estudo

A médica Adele Benzaken, que está coordenando o grupo de pesquisadores, explica que o estudo irá verificar a presença e persistência do Zika nos fluidos corporais e analisar a rede sexual das pessoas infectadas, para verificar o potencial de transmissão.

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