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Cotidiano
Saúde

Alerta vermelho: Norte tem cenário alarmante de câncer de colo de útero

Doença na Região apresenta incidência semelhante a da Índia, país com a maior taxa de mortalidade no mundo 10/10/2016 às 15:21
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A prevenção é a principal forma de combate à doença (Divulgação)
Lucy Rodrigues Manaus (AM)

No mês em que se sensibiliza a população para o controle do câncer de mama por meio do movimento Outubro Rosa, um outro câncer feminino ganha destaque nas ações de conscientização: o de colo de útero. Especialmente no Norte do País a doença apresenta um cenário alarmante, com incidência semelhante a da Índia, país com a maior taxa de mortalidade no mundo. O desconhecimento sobre a doença, que resulta em baixa procura pelos exames preventivos, contribui para este quadro e faz com que as mulheres só procurem ajuda quando percebem os sintomas já em fase avançada.

“A baixa densidade populacional da região Norte, onde as pessoas estão mais distantes geograficamente uma das outras, além de mais afastadas das capitais e centros de tratamento, dificulta o acesso aos exames e isso faz com que se leve mais tempo para se chegar ao diagnóstico da doença”, explica o ginecologista, obstetra e mastologista da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) Gerson Antônio Mourão.

Prevenção

O câncer de colo de útero, em 80% dos casos, está relacionado ao vírus papiloma humano, reconhecido como HPV, mal que atinge 685,4 mil pessoas no Brasil. É o terceiro que mais mata mulheres no País, uma a cada 90 minutos. No Amazonas, só este ano foram registrados 620 novos casos, quase o dobro dos de câncer de mama (330).

“Essa é uma doença sexualmente transmissível causada pelo vírus, o qual a pessoa tem contato por meio do sexo sem camisinha. A prevenção é a principal forma de combate à doença, por meio do sexo seguro, vacinação para pessoas abaixo dos 25 anos, e o exame preventivo que deve ser feito anualmente por todas as mulheres sexualmente ativas. Em caso de qualquer tipo de alteração, o profissional deverá encaminhar e intensificar o tratamento e acompanhamento necessários”, frisa.

Apesar da alta incidência do câncer de colo uterino na Região, a falta de informação ainda é um grande entrave. Segundo pesquisa encomendada ao Instituto Datafolha pela farmacêutica Roche, cerca de 64% das amazonenses não conhecem a doença e apenas 14% e 18% declaram ter feito, respectivamente, colposcopia e teste do HPV; 28% dizem nunca ter feito nenhum exame. “Por isso são importantes ações como essas da campanha do Outubro Rosa. Aproveitamos esse foco da mama para levar junto essas informações”, completa Mourão.

Fases e tratamentos

A gerente de oncologia clínica da Fundação Cecon e da Sensumed, Brena Luize Cunha Ferreira, enfatiza que a maioria das pacientes diagnosticadas com o câncer de colo de útero recebidas para tratamento na Fundação têm a doença em fase avançada. “Se descoberta no início, é possível tratar as lesões com cirurgia, mas à medida que a doença avança, há uma perda de até 50% da possibilidade de cura. Nesses casos, o tratamento é feito com radio e quimioterapia, que têm uma menor taxa de sucesso”, explica.

Para os casos em que a doença atinge seu estágio mais grave, hoje há uma nova terapia recém aprovada pela Anvisa indicada para aumentar a expectativa de vida dessas pacientes. “Essa nova terapia biológica, o bevacizumabe, trouxe o benefício de sobrevida sem redução da qualidade de vida das pacientes com a doença. Apesar desses avanços, o enfoque maior deve continuar sendo na detecção precoce e prevenção, para evitar que as mulheres cheguem nesse ponto de doença avançada”.

Paralelo

A incidência do câncer de colo de útero na região Norte chega a quase 24 casos por 100 mil mulheres e a doença é a primeira causa de óbito por câncer feminino. Na Índia, a incidência é de 20 casos a cada 100 mil habitantes e a taxa de mortalidade beira a 68 mil casos por ano.

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