Publicidade
Cotidiano
Política

Aliança encabeçada por Artur Neto e Eduardo Braga tem projeto desenhado até 2024

Grupo liderado pelos ex-inimigos Artur Neto e Eduardo Braga elaborou projeto para manter o poder pelos próximos oito anos 01/11/2016 às 10:57
Show braga
Inimigos há pouco mais de dois meses, o senador Eduardo Braga e o prefeito Artur Neto são, agora, os comandantes de uma aliança cujo principal desafio é sobreviver aos egos das duas lideranças. Foto: Reprodução/Facebook
Janaína Andrade Manaus (AM)

Adversários ferrenhos até agosto deste ano, o prefeito Artur Neto (PSDB) e o senador Eduardo Braga (PMDB) têm agora um projeto de poder no Amazonas desenhado até 2024. Se sobreviverem um ao outro nos próximos dois anos, Artur e Braga irão liderar o grupo político na eleição de 2018 para o Governo do Estado. Resta saber quais cargos, o tucano e o peemedebista irão almejar.

Antes de deixarem a rivalidade de lado, Artur colocava na conta de Braga, a autoria de um suposto esquema de compra de votos, em 2010, que barrou o seu retorno para uma segunda temporada de oito anos no Senado.

A aliança PSDB/PMDB foi anunciada no dia 4 de agosto, quando o prefeito apresentou o deputado federal Marcos Rotta (PMDB) como seu candidato a vice-prefeito.

 No dia 5 de agosto, na convenção partidária do PSDB, Braga e Artur ficaram pela primeira vez lado a lado e deram mostras de suas pretensões. “Esta aliança será mantida em 2018, estará mantida em 2020”, disse Artur. Braga emendou em seguida. “Nós estamos aqui reconhecendo que temos diferenças, mas iguais não se somam; diferentes se somam. A nossa união tem propostas. Temos um programa de governo e vamos lutar pelo povo. Não é um programa de poder. É pelo povo”, afirmou Braga.

 No mesmo discurso, Braga exibiu a superintendente da Suframa, Rebeca Garcia, do PP, como futura vice-governadora, em referência ao processo que pede a cassação do governador José Melo (Pros), que o derrotou nas urnas em 2014. “Se Deus permitir, e a justiça também, eu e a Rebecca (Garcia) seremos os futuros governadores deste Estado”.

Em 2018 termina o mandato de oito anos de Eduardo Braga no Senado Federal. A ele resta a reeleição para senador ou a disputa pelo governo estadual. Em seu perfil no Facebook, o peemedebista coleciona postagens onde relembra seus feitos à frente do Governo do Estado. A mais recente, publicada no dia 28 de outubro, Braga aparece ao lado da esposa, Sandra Braga, na inauguração de uma unidade de saúde de sua gestão.

Já Artur Neto, um fator certo nesse cenário é que ele só fica até 2018. Reeleito para a Prefeitura, caso não concorra em 2018, na próxima eleição municipal – 2020, Artur não poderá disputar o mesmo posto. Nos bastidores, aliados do tucano afirmam que ele jamais encerraria a carreira política à frente do Executivo Municipal. De outro lado, Artur carrega a frustração de nunca ter chegado perto do Governo do Estado. Resta a Artur perseguir o cargo que nunca ocupou ou voltar para o Senado, de onde carrega elogios.

Eleito vice, Marcos Rotta pode, daqui a dois anos, herdar o comando do município com a eventual candidatura de Artur ao Senado.

Odebrecht

O prefeito de Manaus Artur Neto (PSDB) e seu filho, o deputado Arthur Bisneto (PSDB), estão entre os mais de 200 citados nas listas da construtora Odebrecht como beneficiários de doações de campanha feitas pela empreiteira, apreendidas pela Polícia Federal, na 23ª fase da Operação Lava Jato. Conforme consta nas planilhas, o prefeito de Manaus Arthur Neto recebeu pagamento de R$ 80 mil, em 1º de outubro de 2010. À época ele disputava o cargo de senador do Amazonas. Em nota, na ocasião, os políticos negam ter recebido doações de forma ilícita.

Lava Jato pode frustrar planos

Outro fator que pode influenciar a sobrevivência da aliança entre o prefeito Artur Neto (PSDB) e o senador Eduardo Braga (PMDB) até 2018 é a operação Lava Jato.

Edição eletrônica do Correio Braziliense no final de setembro registrou que o procurador-geral Rodrigo Janot decidiu, agora, centrar fogo nas figuras do PMDB envolvidas na Lava Jato, e cita Eduardo Braga e o presidente do Congresso, Renan Calheiros.

Na delação premiada, firmada com a Procuradoria-Geral da República, foi apontado o suposto repasse de propinas milionárias para senadores do PMDB, entre eles o senador pelo Amazonas, Eduardo Braga (PMDB/AM). Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas, afirmou em depoimento aos procuradores que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses.

Eduardo Braga já tinha sido citado em delação premiada de ex-executivos ligados à empreiteira Andrade Gutierrez como destinatário de propina em obras no Amazonas e em licitações relacionadas à Copa do Mundo de 2014.

Grupo se consolidou para 2018, diz Alfredo

Derrotados na eleição municipal, o grupo que apostou na candidatura de Marcelo Ramos (PR), do qual fazem parte o senador Omar Aziz (PSD), o deputado federal Pauderney Avelino (DEM), Alfredo Nascimento (PR), Serafim Correa (PSB) e Silas Câmara (PRB), devem cicatrizar as feridas e se preparar para 2018.

No domingo, em coletiva à imprensa, Ramos afirmou que que participar da eleição de 2018 é um caminho natural, mas que suas decisões agora serão “fruto do diálogo” com o grupo político formada no pleito municipal.

O deputado Federal e presidente nacional do PR, Alfredo Nascimento, declarou que “ainda é cedo para falar em 2018”. “Nós estamos saindo de uma eleição agora,  2018 é outra história. Eu e Marcelo conseguimos formar um grupo político que se consolidou para 2018”, concluiu Alfredo.

O campo político derrotado neste pleito pode ainda rachar até 2018, caso o senador Omar Aziz resolva concorrer ao Governo do Estado. Omar deixou o Governo em 2014 para seu vice, reeleito governador, José Melo (Pros), sendo eleito para o Senado com mais de 930 mil votos.

Publicidade
Publicidade