Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
CÂMBIO DEPRECIADO

Alta do dólar afeta importações na Zona Franca de Manaus, diz especialista

Moeda americana pressiona as importações na Zona Franca de Manaus e no comércio, mas favorece o turista estrangeiro, conforme análise de economistas



546570-970x600-1_20B78675-69F5-4A1D-A4BB-774393B07608.jpeg Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
22/11/2019 às 07:40

Enquanto as negociações comerciais entre China e Estados Unidos transitam em um cenário de incertezas, o dólar atingiu a máxima de R$ 4,20 esta semana, maior alta desde a criação do Plano Real, na década de 90. Com isso, o turismo e a exportação no Amazonas devem ser favorecidos, segundo economistas e analistas desses setores. Por outro lado, especialistas destacam que as importações devem ser afetadas negativamente, além de a alta gerar escassez de crédito e alta de juros para o comércio. Isso porque o comércio internacional é balizado na moeda americana.

A alta do dólar também pressiona outras moedas como o euro e torna as importações mais caras.



Vale lembrar que justamente os países que estão no impasse comercial, China e Estados Unidos são, respectivamente os destinos para onde mais o Brasil exporta, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a valorização da moeda americana gera perda de competitividade, principalmente em produtos e insumo que abastecem o polo de duas rodas ou eletroeletrônicos.   

“Lamentavelmente nós somos muito dependentes de importação de insumos para abastecer as linhas de produção. Isso impacta negativamente a nossa produção, que é mais de 98% voltada para abastecer o mercado interno. Com relação à exportação, não há dúvidas que a alta do dólar ajuda. É algo positivo, mas na nossa pauta de exportação, o volume de exportação é diminuto, apenas absorve a produção e gera empregos”, avaliou

O encarecimento desses produtos e insumos importados é uma das consequências que devem ser refletidas na indústria, no entanto, o impacto não acontecerá de forma imediata, conforme explicou o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.

“Os insumos e produtos que foram comprados até 60 dias atrás não devem sofrer impactos dessa variação cambial. O que deve causar impactos são os produtos que serão produzidos a partir de janeiro e que estão sendo comprados agora, pois o câmbio vai ser fechado na taxa, resultando em impacto no custo dos produtos aqui fabricados. Vai ter um impacto no custo. Os produtos vão ficar mais caros”, destacou.

Comércio

No comércio, a alta do dólar também tem consequências. Consultado pela reportagem, o economista da Federação da Indústria e do Comércio no Amazonas (Fecomércio-AM), José Fernando, disse que a economia mundial gira em torno do dólar, e sua variação gera impactos. “Os reflexos na atividade comercial que refletem de forma negativa são três: juros altos, escassez de crédito e câmbio supervalorizado”, resumiu.

Ambiente de insegurança para investidores

Se por um lado o aumento do dólar pode trazer condições favoráveis para alguns setores da economia,  por outro lado mostra que o processo político brasileiro está desfavorecido. A análise é do economista e analista político Carlo Barbieri, que ponderou os prós e os contras da máxima da moeda.

“Do ponto de vista no turismo para o Brasil é uma atração grande principalmente para americanos por toda a parte da fauna. Quando você tem o dólar a R$ 4,20 você atrai mais turistas. Para o turismo no Brasil eu vejo isso como beneficiário, porque você vai ter uma conversão da moeda favorável ao turista estrangeiro. No que diz respeito à posição inversa, sai mais caro para o brasileiro ir para os Estados Unidos”, destacou.

Barbieri citou ainda acontecimentos políticos que segundo ele refletiram diretamente no cenário econômico do País. “Do ponto de vista política, o grande aspecto negativo é que isso demonstra a falta de confiança no processo político brasileiro. Tivemos duas fases recentemente danosas para o Brasil. A primeira fase foi a demora na aprovação da reforma da aposentadoria, da reforma do sistema securitário da economia brasileira. A segunda fase muito mais negativa foi a desconfiança com relação ao futuro do Brasil em termos de combate à corrupção”, analisou.

 Em resumo, um país com as relações políticas conturbadas afasta possíveis investidores. “Se você não confia que o sistema jurídico seja sólido, você não quer investir. Então o dano político dessa insegurança cria uma desconfiança grande. Há uma desconfiança política que não é só americana, mas do mundo todo ocidental, afastando os investidores”, concluiu.

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Repórter
Cientista Social, Escritora e Jornalista. Repórter de A Crítica, apaixonada pela arte de contar histórias.

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