Terça-feira, 21 de Maio de 2019
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Alta do dólar deixa viagem ao exterior mais cara e impulsiona turismo no Brasil

Eventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas deram visibilidade ao país, diz Ministério do Turismo. Pesquisa afirma que mais de 70% dos brasileiros tem interesse em viajar pelo Brasil, sendo apenas 5% para a Região Norte



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Destinos nacionais são preferência entre 77% dos brasileiros, segundo o Ministério do Turismo
08/01/2016 às 16:09

O Brasil é o destino do momento. Com o dólar nas alturas e a desvalorização do real, o turismo nacional ganhou fôlego no último trimestre do ano passado e vem atraindo turistas na alta temporada de 2016. Munidas dessa informação privilegiada, as agências de viagens têm se planejado para o aumento da demanda “verde e amarela” no começo do ano.

Segundo dados do Ministério do Turismo, além da alta da moeda americana - que segundo especialistas deve chegar a R$ 4,70 até o final de 2016 - diversos fatores contribuem para este cenário, entre eles a grande visibilidade trazida com a Copa do Mundo 2014 e os investimentos nas Olimpíadas de 2016.

O destino mais procurado para aproveitar as férias e o Carnaval até agora é o Nordeste, seguido do Sudeste e o Sul. Segundo boletim de intenção de viagem do Ministério do Turismo, o desejo de visitar destinos dentro do Brasil é o mais alto dos últimos cinco anos. Entre os entrevistados, 77,6% afirmam ter preferência por destinos brasileiros, sendo apenas 5% a Região Norte. 

A relações públicas Hellen Baldino, 27, por exemplo, abandonou temporariamente o exterior e decidiu que a família passaria suas férias no Rio de Janeiro. Ela conta que a escolha se deu principalmente pela alta do dólar, que influenciou no preço das passagens. “Os bilhetes saíram por R$ 1.100. Um preço bom, já que compramos em dezembro. Se fosse em outra época sairia pelo menos R$ 400 mais caros”.

Hellen é adepta de viagens ao exterior, mas resolveu mudar destino em 2016 (Foto: Reprodução/Facebook)

Apesar disso, Hellen afirma que pretende viajar para fora do país  em março, considerado um período de baixa temporada. “É rezar pra abaixar (o dólar). O turismo no Brasil é caro. Colocamos na ponta do lápis um resort no Nordeste e alguns pacotes chegam a R$ 14 mil. Ficamos chateados, pois com esse valor podíamos ir e voltar dos Estados Unidos, por exemplo”, avaliou.

Investimentos

Em setembro do ano passado, a Organização Mundial de Turismo (OMT) indicou que as viagens internacionais cresceram cerca de 4%. Nesse panorama, os russos  e brasileiros foram os que mais deixaram de viajar. A razão se deve ao lento crescimento econômico em ambos os países aliado à desvalorização da moeda em relação a outras como o euro e o dólar.

No entanto, para a presidente da Empresa Estadual do Turismo do Amazonas (AmazonasTur), Oreni Braga, hoje o turismo brasileiro está mais “acessível” tanto para turistas estrangeiros quanto da própria nação. “O turismo vem na contramão da crise que o Brasil vem enfrentando. Com o dólar alto, o país fica mais barato para o turista estrangeiro e mais acessível para o turísta doméstico, ou seja, um cenário favorável e oportuno”, explicou ela.

Em relação aos investimentos realizados nos últimos anos, Oreni destaca a Copa do Mundo e as Olimpíadas como um ponto a favor na vinda de mais turistas ao país, mas pede que o esforço não seja pontual.

Presidente da AmazonasTur, Oreni Braga, afirma que turismo brasileiro está na contramão da crise (Foto: Arquivo/AC)

“Depois disso faremos o quê? Por que não há um investimento maior na Ação de Promoção e Divulgação do país no mercado internacional? Ao longo dos 20 anos acompanhamos o esforço que o Ministério e a Embratur fazem. Os recursos reduzidos não lhe dão condições para fazer uma ação mais audaciosa e inovadora”, declarou a dirigente.

Demanda aumenta em agências

Quem tem colhido bons resultados com o aquecimento do setor turístico são as agências de viagens, introduzidas tanto fisicamente quanto por meio de aplicativos e sites. Algumas oferecem até redução de câmbio e pagamento do pacote em 12 meses para se consolidar no mercado.

A Decolar.com, por exemplo, teve um salto em suas vendas online. Segundo a empresa, as vendas de passagens para cidades brasileiras cresceram entre 10% e 15% nos meses de janeiro a outubro de 2015. As capitais São Paulo e Rio de Janeiro são os destinos mais procurados na plataforma de pacotes de viagens.

Enquanto isso, a CVC também registrou subida nos números. De acordo com a agência de viagens, os voos nacionais representavam 60% do volume de vendas contra 40% rumo ao exterior. No entanto, com a alta do dólar, a procura por destinos brasileiros marcaram no ano passado 65% da demanda, ou seja, um incremento de 5% na porcentagem.

A empresa  explica que aqueles que mantiveram o exterior como objetivo tem procurado pacotes mais econômicos.

“Esse público tem priorizado pacotes mais curtos (e mais econômicos) e com opções de hospedagens em hotéis e resorts com sistema “tudo incluído”, que elimina gastos extras no destino com alimentação. Essa mudança no comportamento de compra do consumidor exigiu que a CVC adaptasse seus roteiros internacionais, incluindo opções de pacotes menores e mais em conta, com promoções de câmbio reduzido”, disse.

Entre as facilidades oferecidas, a CVC destaca o parcelamento de 12 vezes sem juros no cartão CVC ou Bradesco. A CVC informou ainda que tem atuado na criação de viagens mais curtas, inclusão de passeios no pacote como forma de evitar gastos in loco e recomendação de acomodações quádruplas com pensão ou pensão completa para economizar com a alimentação na moeda local.


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