Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
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Alunos de Engenharia Química da Ufam produzem cimento feito de curauá, fruto similar ao abacaxi

O curauá é resistente ao clima seco e é cultivada em regiões tropicais e subtropicais e seu plantio é comum no Nordeste brasileiro.



1.jpg O produto foi criado pelos alunos Hellen Alexandre, Juliana Pereira, Marcielly Matos e Yuri Sarmento, juntamente com o professor Johnson Pontes
30/01/2015 às 19:50

Baseando-se nas premissas da criatividade, inovação e aproveitamento dos recursos naturais da Amazônia, diminuindo os impactos ambientais resultantes dos processos industriais, alunos do curso de Engenharia Química desenvolveram cimento a partir das fibras de curauá. O produto foi criado pelos alunos Hellen Alexandre, Juliana Souza Pereira, Marcielly Souza de Matos e Yuri Silva Sarmento

Segundo o professor do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal do Amazonas, Johnson Pontes de Moura, o estudo evidencia as propriedades e uso das fibras de curauá que se trata de uma planta nativa originária da Amazônia, de cuja folha se produz uma fibra têxtil de natureza ligno-celulósica.



“Trata-se de uma bromeliácea, do tipo ananás. O fruto é semelhante, em aspecto e sabor, ao do abacaxi, sendo, porém, mais fibroso, o que o torna impróprio para o consumo humano, além de apresentar menores dimensões que o anterior”, explicou

A fibra apresenta várias mutações naturais. Na atualidade, conhecem-se cerca de 57 espécies e 300 variedades. Essa planta é resistente ao clima seco e é cultivada em regiões tropicais e subtropicais e seu plantio é comum no Nordeste brasileiro.

“Um dos principais agravantes das indústrias cimentícias são os seus resíduos. As indústrias cimentícias são grandes poluidores, pois emitem gases, poeiras, destroem o relevo, modificam locais no ciclo de águas, disseminam contaminantes pelo uso de resíduos industriais como combustível”, explicou.

A questão social decorrente é de primeira grandeza, pois o cimento é de uso generalizado, praticamente não têm sucedâneo; são mercados regionais e nacionais valiosos; existem minas de calcário e fábricas de cimento em quase todos os Estados da Federação, e considera-se certo modo inevitável que se continue a extrair rochas calcárias para fabricar cimento.

questão ambiental determinada pelo porte considerável da indústria cimenteira e da queima de um grande fluxo anual de combustíveis também é de primeira grandeza, e é ampliada pelo fato de que, ao mesmo tempo em que se generaliza a utilização das instalações das fábricas de cimento como se fossem incineradores de resíduos industriais – na realidade, os fornos de clínquer não são projetados e nem licenciados especificamente para esta finalidade –, a atmosfera das regiões vizinhas às cimenteiras recebem volumes constantes ou crescentes de material particulado e de produtos da combustão, com uma diversificação físico-química também crescente, por causa da grande variedade de resíduos e de blends que são queimados sucessivamente na mesma fábrica. Além disso, a formação de mercados regionais e nacional de resíduos industriais combustíveis – que incluem as sucatas de pneus e câmaras –, promove a circulação destes materiais entre várias localidades, o que significa uma disseminação geográfica e ocupacional do risco químico.

Os poluentes primários emitidos no processo de fabricação de cimento são: material particulado, dióxido de carbono, óxidos e enxofre e óxidos de nitrogênio. Segundo o órgão ambiental norte-americano, as plantas de fabricação de cimento estão entre as maiores fontes de emissão de poluentes atmosféricos perigosos, dos quais se destacam as dioxinas e furanos; os metais tóxicos como mercúrio, chumbo, cádmio, arsênio, antimônio e cromo; os produtos de combustão incompleta e os ácidos halogenados.

Os metais pesados contidos nas matérias-primas e combustíveis, mesmo em concentrações muito pequenas, devido a sua volatilidade e ao comportamento físico-químico de seus compostos, podem ser emitidos na forma de particulado ou de vapor através das chaminés das fábricas.

Para o controle da poluição gerada nas plantas de fabricação de cimento foram estabelecidos padrões de emissão para material particulado, metais pesados, cloretos, monóxido de carbono, dioxinas e furanos. De forma geral, o material particulado proveniente dos fornos, moinhos e resfriador de clínquer são direcionados para chaminés e retidos em coletores com ciclone, filtros de manga e precipitadores eletrostáticos. As medidas de controle para a redução da emissão de poeiras fugitivas nas áreas de mineração e na área industrial são o abatimento dos particulados por aspersão de água e o enclausuramento das áreas de estocagem e beneficiamento de materiais, com a instalação de sistemas exaustores e de filtros coletores de pós, além da pavimentação e da varrição das vias de circulação de veículos. Na maioria das plantas de clinquerização, entretanto, não são instalados equipamentos para o controle da emissão de gases de combustão, vapores de sais metálicos ou outras substâncias perigosas originadas no processo de clinquerização.

Atualmente, os únicos processos de tratamento dos resíduos das indústrias cimentícias são os sistemas de controle de emissões atmosféricas e o coprocessamento de RSU. O controle dos poluentes é feito com a verificação dos elementos presentes nos resíduos, cuja concentração é normatizada de forma que as emissões decorrentes do coprocessamento de resíduos que os contenham situem-se abaixo dos padrões máximos estabelecidos para as emissões atmosféricas (Resolução CONAMA n° 382/2006).

Em 25 de agosto de 2010, foi publicada a Deliberação Normativa n° 154, que regulamenta o coprocessamento de resíduos em fornos de clínquer. Essa deliberação estabelece procedimentos, parâmetros e padrões para a realização do coprocessamento, e introduz a possibilidade de se coprocessar resíduos domiciliares após pré-tratamento ou tratamento e desde que seu poder calorífico inferior seja de, no mínimo, 1500 kcal/kg.



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