Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
Ajuda dos astros

Com apoio e 'ajuda de astros', alunos de Parintins recebem curso de Astronomia

Estimulada pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia (Nepa), garotada da Ilha Tupinambarana está aprendendo sobre a ciência que trata do universo sideral e dos corpos celestes



ceinovohorizonte_78A69D28-DA34-4984-B569-ED2F7E2D889E.JPG Momento de aula do curso de Astronomia: garotada com olhos atentos / Foto: Divulgação
28/05/2019 às 12:43

Celeiro de artistas, a cidade de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus) está recebendo um apoio literalmente “dos céus” em sua educação infantil e que pode provocar uma reviravolta educacional. É que o Centro Educacional Infantil Novo Horizonte (CEI Novo Horizonte), instituição escolar integrante vinculada à rede municipal de ensino da cidade, é a primeira escola parintinense a ter um curso de formação em Astronomia Infantil, acompanhado pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia (Nepa) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A iniciativa é financiada pela pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex/UEA) e União Astronômica Internacional (IAU/OAD) e beneficia cerca de 80 alunos de duas turmas matutinas e duas vespertinas da escola.



“Definitivamente a vinda deste projeto para a escola somente somou com as ações que já desenvolvíamos aqui. Acho que a diferença foi o fato do Nepa ter ido às escolas. Desde que começou, eu mesma comentei com outros gestores da Semed-Parintins e, desde então, o Nepa tem entrado em outras escolas de nosso município”, informa Saiomy Sakamoto, gestora do CEI Novo Horizonte.


A gestora educacional do CEI Novo Horizonte de Parintins, Saiomy Sakamoto / Foto: Divulgação

Maria Paula Gomes Rodrigues, de 6 anos de idade, é só alegria com o curso de Astronomia. “Gosto do curso pois eu aprendo sobre o céu e o espaço, principalmente sobre o Sol e a Lua. Quero aprender mais”, comentou ela. Seu pai, o administrador e professor de jiu-jítsu Paulo de Tarso, assina embaixo: “Essa metodologia que é ministrada aqui pode proporcionar um incentivo ao estudo da Ciência, uma introdução ao curso da Astronomia como ferramenta de conhecimento e acesso das pessoas e crianças ao universo”, destaca ele.


A aluna Maria Paula, do CEI Novo Horizonte, e seu pai, Paulo de Tarso / Foto: Divulgação

“Os projetos do Nepa são todos voltados para a formação do estudante, na qual a Astronomia é o caminho através do qual aqueles terão contato com a Ciência, Tecnologia e Inovação. Na prática, a Universidade do Estado do Amazonas – através da Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários – financia as bolsas dos acadêmicos dos mais diversos cursos de licenciatura da UEA. No Nepa, estes bolsistas recebem orientação e treinamento para levar a Astronomia às Escolas. Além das bolsas para os acadêmicos, a Proex disponibilizou um investimento em espécie para cada projeto extensionista. Somente nele são 17 projetos e também há o financiamento oriundo da União Astronômica Internacional. Tudo isso possibilita ao Nepa levar os projetos com custo zero para as escolas”, informou o professor-doutor português Nelio Sasaki, coordenador do Nepa.

No caso do Novo Horizonte, o Nepa leva material didático e paradidático e bolsistas qualificados; e a compra de material previsto nos projetos é por conta do Núcleo. “Quanto ao apoio educacional, o CEI Novo Horizonte está a receber fundamentos em várias áreas da Astronomia, entre elas citam-se Astropedagogia, fundamentos de Astroquímica e Astronomia em Libras”, frisa Sasaki.

Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) reconheceu esforços do Nepa

No início do mês o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia (Nepa) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) recebeu o Selo de Certificação da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), que conferiu ao Núcleo da universidade reconhecimento nacional pelo trabalho desenvolvido no âmbito da Astronomia, reforçando a responsabilidade na vanguarda científica do Amazonas.

Inaugurado em 13 de maio de 2013, o Núcleo possui um total de 19 projetos e oferta cursos com ementa própria de Astronomia Fundamental, voltados para a formação de professores e alunos. O Nepa também oferece cursos de capacitação a distância para todo o estado, com uma produção científica correspondente a 20% dos trabalhos nacionais e a 80% dos trabalhos da região Norte.

O Nepa possui 46 integrantes de vários cursos de licenciaturas, que atuam mediante os projetos de extensão em escolas do interior do Amazonas, nas escolas indígenas e comunidades ribeirinhas.

“Nós do Nepa, agradecemos imensamente a Universidade do Estado do Amazonas (reitoria e pró-reitorias) e a cada um dos nossos parceiros, sem os quais esta certificação não seria possível. Ficamos felizes por fazermos parte desta história e por ajudarmos na construção da história do desenvolvimento devido a Astronomia no Amazonas. A certificação da SAB engrandece enormemente todos os trabalhos e acções acima mencionados, ao mesmo tempo que, nos motiva a continuar trilhando esse caminho e produzir mais e mais, sempre com qualidade, responsabilidade e credibilidade”, comentou para A CRÍTICA o professor-doutor e coordenador do Nepa, Nélio Sasaki.

O selo concedido à UEA abrangeu as categorias de Ensino, Pesquisa e Extensão, por intermédio de uma análise criteriosa da SAB, na qual foram avaliadas as ações e estrutura do Núcleo de Astronomia da universidade, que possui uma constituição multifacetada, composta de planetários digitais móveis localizados em Manaus e Parintins, do Observatório Astronômico, entre outros.

“Nós nos preocupamos em levar desenvolvimento e avanço técnico-científico por meio da astronomia, em consonância com a formação do indivíduo e enaltecendo suas raízes. Assim consolidamos um espaço democrático, que acolhe os estudantes da Universidade que pertencem às etnias indígenas Sateré-Mawé, Hixkaryana, bem como de origens quilombolas, nipodescendentes e outros grupos minoritários”, reforça Sasaki.


O professor-doutor e coordenador do Nepa, Nélio Sasaki: progresso na ciência / Foto: Joelma Sanmelo/Divulgação UEA

Quatro perguntas para o professor-doutor Nélio Sasaki:

1.  Como  é o apoio que o Nepa, a UEA e a IAU/OAD estão dando  à Escola CEI Novo Horizonte de Parintins? Há  apoio financeiro também?

Os projectos  do Nepa são todos voltados para a formação do estudante, na qual a Astronomia  é o caminho através do qual aqueles   terão contacto com a Ciência, Tecnologia e Inovação. Na prática,  a Universidade do Estado do Amazonas – através da Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex/UEA) – financia  as bolsas  dos académicos dos mais diversos cursos de licenciatura da UEA. No Nepa, estes bolsistas recebem orientação  e  treinamento para levar a Astronomia às Escolas.  Além das bolsas para os académicos,  a Proex/UEA   disponibilizou  um investimento  em espécie para cada projecto extensionista. Somente no Nepa são 17 projectos.  Também há o financiamento oriundo da União Astronómica Internacional  (UAI/OAD). Tudo isso possibilita ao Nepa levar  os projectos  com custo  zero  para as escolas. No caso do Centro Educacional Infantil Novo Horizonte (CEI Novo Horizonte), o Nepa  leva material didático e paradidático,  bolsistas  qualificados  e a compra de material  previsto nos projectos é por conta do Nepa. Quanto ao apoio educacional, o CEI Novo Horizonte  está a receber   fundamentos  em várias áreas da Astronomia, entre elas citam-se: Astropedagogia, fundamentos de Astroquímica, Astronomia em Libras.

2.  Essa iniciativa de ensinar Astronomia para crianças do Ensino fundamental pode mudar vidas?

Certamente, temos plena convicção  que sim. O Nepa desenvolve seus projectos  em consonância com  a filosofia da UEA, isto é: promover uma Educação Inclusiva; fazer com que a Ciência, Tecnologia e Inovação (C, T & I) estejam accessíveis aos estudantes; levar a Universidade até as escolas. Além desse dna do Nepa, temos parceiros - que  trabalham nesta mesma linha de incentivo  a projectos  extensionistas – como  a Fapeam, Seduc, Semeds, Ufam/Parintins, Ufam/Manaus, Ifam/Parintins, Sesc-AM, Sesi-AM, MCTIC, MEC, CAPES, CNPq, SAB, ABP, SBPC, SBF, CEE-AM, APAS, IAU/OAD, Unesco – todos  apoiam a popularização da C, T & I.  A especialidade do Nepa é em Astronomia,  começando do maternal, passando pelo Ensino Fundamental I e  II (ou seja, do  1º ao 9º ano) e chegando até o Ensino Médio. Isso incluindo ainda  os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em termos de projectos extensionistas,  estas são as áreas de actuação do Nepa. Com a estrutura que o Nepa possui actualmente,  os alunos são acompanhados desde o maternal e a formação  em Astronomia dá-se de forma   paulatina, trabalhada potencializando  os saberes  adquiridos  pelo discente ao longo da vida estudantil. Através da Astronomia,  os estudantes  passam a ter mais contato com a Ciência, Tecnologia e Inovação, e quem sabe estamos  a formar um futuro astrónomo, ou astronauta, engenheiro espacial, etc. As oportunidades estão em aberto.  E  o melhor de tudo é o facto dos alunos  corresponderem à dedicação  que  o estudo das Ciências  lhes cobram.

3.  Para o senhor, particularmente, o que representa esse apoio do Nepa?

Para mim, esse apoio do Nepa significa  dizer que os estudantes que amam Astronomia possuem um referencial que  antes não existia. Até onde eu saiba, os alunos que queriam fazer carreira em  Astronomia, obrigatoriamente deveriam sair do Amazonas para  terem alguma base científica  dentro desta área.  Esta foi minha opinião, agora, vamos falar de factos consolidados. Com o surgimento do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia o Amazonas passou a ter  um Grupo de Pesquisa -certificado pelo CNPq -  especialista nesta área. Isto é, o Nepa (Grupo de Pesquisa)  passou a actuar nas áreas de  Ensino de Astronomia e  desenvolver Pesquisa em Ensino de Astronomia. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) passou a ter  um núcleo que fornecesse formação  em Astronomia para os professores  e alunos da  rede pública de Ensino  (Seduc e Semeds); consequentemente,  surgiram projectos  de extensão universitária voltados à Astronomia; além dos  projectos  voltados ao Ensino de Astronomia  e  o surgimento de Iniciação Científica  em Astronomia (estamos a falar da Pesquisa em Astronomia propriamente dita). Claro,  essa estrutura só foi possível graças aos parceiros que citamos acima e à Universidade do Estado do Amazonas através da sua Reitoria e suas Pró-reitorias (PROPESP, Proex, Prograd)  além do apoio do Governo do Amazonas. Dito tudo isso, quando o NEPA  chega às escolas, estamos a levar  todos os nomes acima connosco. Estamos a levar  a credibilidade e o compromisso que  a UEA tem  em amparar  nossos professores que actuam nas escolas da rede pública  amazonense. Vale lembrar que, após o estudante ter uma boa base em Astronomia,  ao ingressar no 6º ano do Ensino Fundamental qualquer aluno(a) poderá se candidatar a uma das bolsas  de Iniciação Científica Júnior  ofertadas  em editais pelo MCTIC/CNPq.  Com o Nepa, passamos a ter bolsas  voltadas para a  Astronomia. Em suma, estamos a pensar  na formação contínua do estudante. E acreditamos que a mudança  se faz desde o maternal.


O coordenador do Nepa, Nélio Sasaki, em orientação à aluna da UEA / Foto: Divulgação

4.  Qual a importância  do reconhecimento que o Nepa  recebeu, o Selo de Certificação  da Sociedade Astronômica  Brasileira (SAB), que conferiu ao Núcleo da universidade reconhecimento nacional pelo trabalho desenvolvido no âmbito  da Astronomia, reforçando a responsabilidade na vanguarda científica do Amazonas?

Hoje o Nepa possui planetários, observatório,  laboratório pedagógico de Astronomia (que abriga  espaço para oficinas  de Astronomia, minilaboratório de informática), auditório para 20 lugares, sala da coordenação, 46 integrantes, -  somente  em 2019, são até o momento: 19 projectos em andamento (17 extensionistas através de edital da Proex/UEA), 1 do CNPq e  1 da UAI/OAD, mais de 170 mil reais em investimento (só no primeiro semestre deste ano), 16 linhas  de  pesquisa em Ensino de Astronomia [Astrobiologia, Astrofilosofia, Astrofísica, Astrogeografia e Astrogeologia, Astrohistória, Astrolinguagem, Astromatemática, Astropedagogia, Astroquímica, Astronomia Afro-brasileira, Astronomia Indígena,  Empoderamento Feminino na Astronomia e Astronáutica, Técnicas de Ensino de Astronomia no Planetário,  Astronomia  Observacional voltada para o Ensino, Astronomia em Libras,  Astronomia para alunos com Síndrome de Down], 02 linhas de pesquisa em Astronomia (Astronomia do Meio Interestelar e Extragaláctica  e Astronomia do Sistema Solar), parceiros como CESP/UEA, ENS/UEA, PPGEEC/UEA, CESSGC/AM, EST/UEA, Fapeam, Seduc, Semeds, Ufam/Parintins, Ufam/Manaus, IFAM/Parintins, Sesc-AM, Sesi-AM, Governo do Amazonas, Governo Federal,  MCTIC, MEC, CAPES, CNPq, Funai, SAB, ABP, SBPC, SBF, CEE-AM, ON, INPE, UFMG, UFJF, UFG, USP, UNESP, IFMG, UERJ, UFRJ, AEB, JAXA, ESO, ESA, CONAE, ACE, APAS, IAU/OAD, Unesco. Em termos de  actuação, na área de Ensino de Astronomia trabalhamos a inserção da Astronomia no maternal, Ensino Fundamental I e II, EJA  e Ensino Médio; além de ofertarmos  disciplinas, em nível de graduação, voltadas para a Astronomia. Temos  aplicado, nos últimos  anos, exames  para o Processo Seletivo  do Mestrado/Doutorado do Observatório Nacional (ON)  e do Instituto  Nacional  de Pesquisasa Espaciais (INPE) aos candidatos  amazonenses  que se inscreveram nestas respectivas instituições.  Neste sentido, o Nepa agradece  ao Programa de Pós-Graduação do ON e  do INPE, os quais permitiram que  a prova   fosse aplicada  no Amazonas, na sede do NEPA. Recentemente, organizamos o 76º Encontro Regional de Ensino de Astronomia (EREA) – o primeiro a ser realizado no estado do Amazonas. Com uma Educação Inclusiva,  nossas acções  estão  voltadas para a popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação – o que  levou o NEPA  a aprovar  consecutivamente três projectos no edital  POP, C,T&I da FAPEAM (anos 2013,2014 e 2015) e garantisse a presença da Astronomia na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNCT) daquele triênio no Baixo Amazonas. E mais recentemente, o NEPA tem  realizado a SNCT com a UFAM/Parintins (2017/2018). Por agora,  os projectos do NEPA  chegam  às escolas  carentes  do interior amazonense, particularmente do Baixo Amazonas. Parintins, Mocambo, Comunidades Indígenas, Nhamundá, Barreirinha, são alguns exemplos  onde estes projectos já chegaram. Dentro deste contexto, o Selo de Certificação da Sociedade Astronómica Brasileira (SAB) somente  ratifica a importância da popularização da C, T & I no interior amazonense – região  onde as vias fluviais são os principais caminhos até o município vizinho. É gratificante receber este reconhecimento nacional, mas vale frisar  que  o reconhecimento não é unicamente para o NEPA, e sim para todo Amazonas. É graças  ao  trabalho do Prof. Walter Esteves (da UFAM) que  as provas da OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica) chegam de barco de Manaus até Parintins. Para então serem distribuídas  no interior pelo NEPA.  Há seis (06) anos o NEPA e UFAM/Manaus temos realizado este trabalho. Também é graças ao Prof. Dr. Marcelo Brito  (UFAM/Manaus) que as provas  da OBF (Olimpíada Brasileira de Física) e  OBFEP (Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas)  chegam  também de barco da capital até a ilha de Parintins. Essa certificação mostra publicamente o compromisso que todas as entidades aqui mencionadas  possuem com a Educação de qualidade e com o desenvolvimento educacional, científico-tecnológico do Amazonas. Nós do NEPA, agradecemos  imensamente a Universidade do Estado do Amazonas (reitoria e pró-reitorias) e a cada um dos nossos parceiros, sem os quais esta certificação não seria possível. Ficamos felizes por fazermos parte desta história e por ajudarmos na construção da história do desenvolvimento da/devido a Astronomia no Amazonas. A certificação da SAB  engrandece enormemente todos os trabalhos e acções  acima mencionados, ao mesmo tempo que, nos motiva a continuar trilhando esse caminho e  produzir mais e mais, sempre com qualidade, responsabilidade e credibilidade.


A gestora Saiomy Sakamoto e alunos do CEI Novo Horizonte / Foto: Divulgação

Sete Perguntas para a gestora do CEI Novo Horizonte, Saiomy Sakamoto:

1. O CEI  Novo Horizonte  é  a primeira  escola da rede  municipal  de Parintins  a ter um curso de formação  em Astronomia Infantil, acompanhado  pelo Nepa e financiado pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex/UEA) e União Astronômica Internacional (IAU/OAD). Como começou esse trabalho na escola e como ele é desenvolvido?

Ficamos muito felizes  em sabermos que  somos  a primeira escola pública da rede municipal  de Parintins a  receber  curso de formação  em Astronomia Infantil ministrado pelo Nepa. Tudo começou com  a visita do Dr. Nélio Sasaki – coordenador do Nepa. Na oportunidade, ele solicitou uma  reunião com a gestão e as professoras do CEI Novo Horizonte. Expôs  o projeto, falou do compromisso da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)  em promover  ações  extensionistas e que as mesmas apresentam cunho educacional, cultural,  científico-tecnológico, étnico  e cidadão. Falou também do financiamento da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex/UEA) e  da União Astronômica Internacional (IAU/OAD). Naquele momento, tudo era novidade para  a Escola. Continua a ser novidade, mas, nós (do CEI Novo Horizonte) somos muito unidos.  Conversamos entre nós, amadurecemos  a  proposta do Nepa e optamos em aceitar essa proposta. Por ser algo novo, precisávamos estar preparadas  para  a inserção  de algo inovador. Todas as professoras e auxiliares abraçaram a  ideia. As alunas, bolsistas da Proex/UEA e integrantes do Nepa, compareceram ao CEI Novo Horizonte e, desde então,  uma nova perspectiva tem surgido no universo de nossos alunos. Novos aprendizados, novos questionamentos. Definitivamente a vinda deste projeto para  a escola somente somou com  as ações  que já  desenvolvíamos  aqui. Acho que a diferença foi o fato do Nepa ter ido às escolas.  Desde que começou, eu mesma comentei com outros gestores da Semed-Parintins  e, desde então, o Nepa tem entrado em outras escolas  municipais  de nosso município.

2. Quantos alunos são beneficiados pelo curso e qual o número de estudantes do CEI Novo Horizonte? Qual o número de professores?

Por ser a primeira  experiência do CEI Novo Horizonte, a gestão juntamente com as professoras optamos por envolver apenas os alunos do 2º período. Ou seja,   duas turmas  matutinas e duas vespertinas. Consolidando 80 alunos. Nossa escola possui quase 200 alunos  matriculados  e conta com  11 docentes. Apesar de ser pequena,  salienta-se   o esforço de todo o quadro de profissionais que trabalham aqui para que  os pais tenham  a melhor estrutura educacional para seus filhos. Isso é importante, pois, a Diocese de Parintins através do bispo dom Giuliano Frigeni  e a prefeitura de Parintins, na pessoa do prefeito Frank Luiz da Cunha Garcia (Bi Garcia), tem realizado  um trabalho de  reconstrução  da credibilidade das escolas municipais de Parintins. É importante para todos nós  termos a confiança  das famílias parintinenses. Não  há  maior satisfação que  poder  fornecer às crianças   da  CEI Novo Horizonte  uma educação de qualidade, uma formação sólida e poder receber benfeitorias como  os projetos  trazidos pelo Nepa.

3.  Qual a importância  do apoio do Nepa e da Pró-Reitoria de Extensão  e Assuntos Comunitários (Proex/UEA) e União Astronômica Internacional?

Todos nós estamos acompanhando a realidade das universidades brasileiras. Estamos cientes  da importância  de recursos  voltados para  projetos extensionistas. Como cidadã, como educadora, ex-universitária e  agora gestora,  eu estou muito feliz em presenciar  ações como  essa, vindo da Universidade do Estado do Amazonas e/ou da Universidade Federal do Amazonas.  Creio  que projetos desta natureza somente  fortalecem  a Educação amazonense.  O CEI Novo Horizonte se sente honrado em receber os  acadêmicos da UEA e os projetos financiados pela Pró-reitoria de Extensão  e Assuntos Comunitários (Proex/UEA).  É gratificante  saber  que há um centro de Astronomia  especializado nesta área no nosso estado, e o melhor, em nossa cidade. O trabalho que o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia (NEPA) tem realizado é  admirável. Eu nunca imaginei que uma instituição internacional  como é o caso da União Astronômica Internacional (UAI/OAD) fosse financiar um projeto que  está dentro de minha escola. Em suma,  a presença de todos estes nomes somente fortalecem as ações   já desenvolvidas na escola.  Sem  sombra de dúvidas, esses projetos estão agregando muito à formação de nossos alunos. Todos os pontos elencados  pelo  projeto vão ao encontro  do que  trabalhamos  aqui. Claro,  já estamos  planejando  a  continuidade  deste projeto para  o próximo semestre deste ano. E futuramente, pretendemos  estender o curso de Astronomia para as turmas do 1º período também. Nitidamente, a motivação  dos alunos  é outra.  Todo o ambiente escolar  foi  positivamente transformado.

4.  A formação  do indivíduo  é a  principal  preocupação   da gestão? Essa iniciativa   usando  a Astronomia pode mudar    a vida dessas crianças?

Certamente, para Paulo Freire “Todo futuro é a criação que se faz pela transformação do presente” . E nossa gestão primou por transformar o presente. Nossas crianças, encontraram  na Astronomia um caminho para se aproximarem da Ciência e da Tecnologia. Para resgatarem  hábitos  simples, como por exemplo, olhar para o céu e reviver os ensinamentos  dos seus ancestrais. Quem sabe daqui possamos  ter futuramente novos cientistas,  engenheiros, médicos, etc. São inúmeras possibilidades, as quais  antes eram somente um sonho. E a partir de agora,  passa a fazer  parte do mundo concreto das crianças.  A Educação sólida e de qualidade,  o contado com a Ciência, Tecnologia e Inovação,  proximidade com  aspectos culturais, étnicos, entre outros, formam  a base  do cidadão que estamos  formando. Vejo com bons olhos  a presença de projetos  como esses  nas escolas. E aqui gostaria de  agradecer ao quadro de Professoras que o CEI Novo Horizonte tem, afinal, a qualidade  dos docentes  agregado às bolsistas dos projetos do Nepa foi o diferencial para o sucesso destas ações na nossa escola.


Fachada do Centro Educacional Infantil Novo Horizonte, em Parintins / Foto: Divulgação

5.  A escola vai participar  da Olimpíada  Brasileira  de Astronomia (OBA). Quando? Qual   a importância   dessa participação?

Sim.  Dia 17 de maio (sexta-feira)  o CEI Novo Horizonte irá participar pela primeira vez da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Por ser algo novo para nós,  estamos muito ansiosos. Estar sendo submetido a qualquer avaliação sempre é uma situação de tensão. Mas eu estou tranquila, pois, sei o quanto  nossas professoras e  as bolsistas do Nepa trabalharam. Nossos alunos estão preparados para fazerem o melhor. É uma honra poder  participar  de  um certame  nacional. E claro, o desempenho da escola  na OBA nos mostrará também   os pontos  nos quais devemos melhorar. O Dr. Nélio Sasaki nos comunicou que esse ano a Astronomia  comemora o centenário da IAU/OAD- que também está financiando este projeto juntamente com a Proex/UEA;  o centenário  do eclipse solar de 1919   e os 50 anos da ida do Homem à Lua. São datas  importantíssimas,  e o melhor, o CEI Novo Horizonte está participando de tudo isso. Não é todo dia que se completa 100 anos. Certamente,  tudo isso  ficará guardado nas boas memórias de todos nós (alunos, professoras, gestão). Sinceramente, esperávamos plantar uma sementinha, para construir a longo prazo ações  voltadas aos nossos alunos. E de repente, já estamos escrevendo a história. Sim, afinal, o mundo inteiro já sabe  que  o CEI Novo Horizonte de Parintins participou das comemorações  mundiais da Astronomia através do projeto financiado pela UAI/OAD e Proex/UEA que o Nepa nos trouxe.

6.  E quais  novos projetos devem surgir?

Após a vinda dos projetos do Nepa, a Ufam também  já se manifestou em implementar  um projeto no campo das Artes, aqui no CEI Novo Horizonte. O projeto intitulado "Arte Contemporânea  na Educação Infantil" é de autoria da Profa.  Mariene Mendonça de Freitas (da Ufam) e  tem  por objetivo  desenvolver  a capacidade expressiva  e  cultural  dos alunos por meio  da arte comtemporânea. Dentre desta proposta, dez (10) acadêmicos do curso de Artes Visuais  da Ufam/Parintins  terão  a experiência  da  arte na  Educação Infantil. Como gestora, eu fico feliz em receber  as propostas das universidades e gostaria de  reafirmar que  o CEI Novo Horizonte  está de portas abertas para os projetos extensionistas. Juntos Universidades,  Diocese de Parintins e Semed-Parintins proporcionam à nossa escola várias oportunidades para nossos alunos. E espero o mesmo que aconteceu com o Nepa, ou seja, que estes projetos possam começar conosco e   expandirem para outras escolas da rede municipal.  Neste sentido, agradeço imensamente ao nosso Secretário de Educação  João Costa  que  tem trabalhado em prol do fortalecimento de  projetos nas escolas ligadas à Semed-Parintins.

7.  Como educadora e gestora qual a sua felicidade , seu sentimento por ver que uma  escola de Parintins está tendo tanto destaque na Educação do Amazonas?

Evidentemente que  estou imensamente feliz, assumimos a gestão escolar em fevereiro deste ano e  com muito trabalho temos  trazido projetos e parceiros para a escola. Claro,  não tem como esconder a felicidade. Por outro lado, tenho os pés no chão e estou ciente que essa é uma conquista coletiva. Graças ao apoio do bispo dom Giuliano Giuliano Frigeni, do prefeito Bi Garcia, do Secretário Municipal da Educação, da participação da Universidade do Estado do Amazonas,  do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia, dos financiamentos da Proex/UEA e da UAI/OAD, do apoio dos demais gestores das escolas municipais de Parintins, da equipe de Profissionais que trabalham aqui na escola; todos eles  foram primordiais para que o CEI Novo Horizonte  pudesse alcançar  esse destaque. Foi uma sementinha que  começou a dar frutos e, agora, queremos dar a continuidade de todos os projetos para o próximo  semestre.  Aos pais dos nossos alunos,  nossos agradecimentos pela confiança que  eles depositaram no CEI Novo Horizonte e  no Ensino  das escolas municipais. Como educadora e gestora, eu  vivencio a transformação  que  estes  projetos  fazem no aprendizado de nossas crianças e confesso: é gratificante  ver nossos alunos  avançarem  no caminho da descoberta educacional, cultural, étnica e  científica-tecnológica.

Repórter de A Crítica

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