Publicidade
Cotidiano
Educação

Alunos e professores do Amazonas criticam reforma do ensino médio

Docentes e discentes do ensino médio criticam MP que tira a obrigatoriedade do ensino de artes e educação física. Falta de debate com a sociedade é apontada 30/09/2016 às 05:00
Show unnamed
Alunos e educadores foram ouvidos pela reportagem durante o 7º Sarau do IEA, realizado na manhã de ontem no Ideal Clube. Foto: Eduardo Cavalcante/Seduc
Alik Menezes Manaus (AM)

A reforma no ensino médio, proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB), continua provocando polêmica entre educadores e estudantes  do Amazonas, principalmente o trecho da Medida Provisória que acaba com a obrigatoriedade de aulas de artes e educação física. 

Para a professora Izanilde Carneiro, 57, a medida tem muitos pontos nebulosos que precisam ser discutidos com a população e com os professores. Ela defende que deve  se pensar em uma medida mais efetiva  que não prejudique os alunos. “Essa medida sequer foi discutida com a classe dos professores, isso é preocupante. Como ele (Temer) quer tirar uma disciplina que estimula o jovem a pensar?”, quesionou. 

A educadora também disse ser contra a não obrigatoriedade das aulas de educação física e usou como exemplo o desempenho de países como a China nas Olimpíadas do Rio este ano, no Brasil. “Como você acaba de sediar um grande evento como as Olimpíadas e pensa em tirar as aulas de educação física? Durante esse evento você pode ver como o esporte é valorizado em outros países e há um investimento pesado, eles se destacam. E o Brasil? Esses jovens estudantes precisam ter aulas de educação física, eles precisam ser motivados, estimulados, os bons frutos serão colhidos ao longa da vida deles”, comentou. 

A decisão de excluir a obrigatoriedade de aulas de educação física do currículo escolar surge quase um mês após o Brasil sediar as Olimpíadas, o maior evento esportivo do mundo.

Para a professora Sibele Dias, que dá aulas de ensino das artes, a disciplina  promove conhecimento muito além da pintura, música, teatro e movimentos artísticos, contando um pouco da história cultural da sociedade, sendo uma disciplina fundamental. “A arte conta como a nossa história começou e explica como erámos, tudo isso atráves de cada período, podemos saber também como nós evoluímos e a maneira que nos expressamos durante os tempos”, disse. 

A educadora defende que as escolas precisam da disciplina, que não só deve ser mantida, mas as escolas precisam cada vez mais de ambientes apropriados para o ensino dessas temáticas. “Precisamos, principalmente em escolas públicas, de um laboratório de artes, uma sala de música, com material apropriado para estimular e promover o espírito crítico que os alunos tem”, afirmou a professora.  

Alunos ouvidos pela reportagem acreditam que, no geral,  a proposta do governo tem pontos  positivo e negativos, mas ressaltam que ela deve ser discutida com a sociedade antes de qualquer coisa.  O estudante Rodrigo Cordeiro, 16, do 1º ano, a proposta de reformar o ensino é abusiva e tira o direito dos alunos de ter acesso ao ensino em sala. “Arte é uma matéria que te ensina a pensar e desenvolve suas habilidades. Tudo isso precisa ser avaliado e discutido com calma com a sociedade”.  Lincoln Fontenelle, 17, do 2º ano, disse que o ensino de artes até pode ser banido, mas a educação física é fundamental nas escolas.  “Por meio dessa disciplina, você aprende a respeitar  as outras pessoas, além de conhecer  esportes e ser muito bom para a saúde”.

Espanhol, filosofia e sociologia também fora
O texto da MP enviado ao Congresso  também não incluiu como obrigatórias disciplinas hoje exigidas no ensino médio, como espanhol, sociologia e filosofia . As duas últimas  podem ainda integrar a base nacional curricular.

Publicidade
Publicidade