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Alunos que acampam na Ufam dizem que só saem do local se houver uma ordem judicial

O grupo de alunos que se revezam no acampamento não pretende retirar as barracas de dentro do prédio da reitoria e afirmou que eles só deixarão o local mediante ordem judicial, contra a qual já planejam entrar com recurso 24/09/2015 às 20:01
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Para forçar uma negociação com a universidade, grupo de estudantes ocupou a reitoria da Ufam, onde montaram barracas. Prazo para desocupação acaba hoje
Isabelle Valois ---

Hoje é o último dia para o comando estudantil de ocupação retirar as barracas montadas dentro do prédio da reitoria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). De acordo com o universitário que integra o Coletivo Voz Ativa Thiago Sartt, a informação foi repassada nesta semana por um fiscal da Polícia Federal (PF) que os procurou para informar sobre uma possível reintegração de posse do local.

Thiago disse que o grupo de alunos que se revezam no acampamento não pretende retirar as barracas de dentro do prédio da reitoria e afirmou que eles só deixarão o local mediante ordem judicial, contra a qual já planejam entrar com recurso. “Sabemos dessa possibilidade, mas não vamos acabar com o acampamento, afinal, em nenhum momento recebemos qualquer tipo de notificação de que haverá a reintegração, só fomos comunicados de forma informal. Temos o número do documento do pedido (de reintegração) feito pela reitoria e estamos monitorando o andamento na Justiça. Até o momento não recebemos essa ordem de reintegração”, explicou.

Caso realmente ocorra a reintegração, os grevistas já buscam outras alternativas para darem a continuidade ao ato. “Não vamos deixar que esse tipo de atitude nos abale, desde quando iniciamos a paralisação estamos buscando formas de diálogo com a reitoria, mas até o momento não tivemos essa oportunidade”, contou o universitário.

Novo protesto

Ontem, um grupo de aproximadamente 25 universitários e membros do  Sindicato dos Trabalhadores em Educação Superior do Amazonas (Sintesam) fizeram um ato simbólico de ocupação do prédio em construção da Casa do Estudante da Ufam, localizado no bairro Coroado, Zona Leste.  A ocupação, segundo eles, foi uma forma de reivindicar a moradia e criticar a reitoria da instituição, por causa do atraso na obra.

O prefeito do Campus Universitário, professor Atlas Augusto Bacellar, informou que a obra da Casa do Estudante  está suspensa desde janeiro por causa do processo jurídico do destrato com a empresa que havia ganho a licitação para a construção.

“A empresa deveria nos entregar a obra no mês de janeiro, porém quando chegamos ao mês decorrente, a obra estava 60% concluída. Eles pediram um tempo maior, mas conforme as legislações federais não teria como liberar mais um tempo para a conclusão, por isso pedimos o destrato”, explicou. Conforme o prefeito do Campus, eles estão aguardando a finalização do processo do destrato para, então, de imediato realizar uma nova licitação para a conclusão da obra da Casa do Estudante.

Em números

840 bolsas no valor de R$300 são repassadas a alunos que necessitam da ajuda moradia da universidade. Deste número, 120 são da capital e 720 são do interior do Estado. Em Manaus, 82 alunos são assistidos com as bolsas auxílio moradia e 15 remanescentes.

Promessa

Conforme o prefeito do Campus Universitário da Ufam, Atlas Augusto Bacellar,  assim que houver a liberação do novo edital para a conclusão da Casa do Estudante, em menos de três meses a obra será entregue, inaugurada e poderá ser utilizada. O prefeito garantiu que a universidade tem recursos para concluir a obra, avaliada em R$ 2,2 milhões.

Fábrica de ‘consumir recursos’

Após a parada no prédio da Casa do Estudante, o grupo seguiu para o prédio onde deveria funcionar a primeira fábrica de medicamentos da região Norte, localizado no mini-campus  da universidade. O prédio foi construído em 2003 e já reformado, mas nunca funcionou, acumulando poeira em diversas máquinas e equipamentos que estão no interior dele, muitos ainda com as embalagens.

Os estudantes encontraram equipamentos abandonados, que estão sem funcionamento desde a época da construção. Até 2010, a obra já havia consumido R$ 3,5 milhões e precisava de mais R$ 2 milhões para entrar em operação. Se estivesse em funcionamento, a fábrica de medicamentos teria a capacidade de produção de 200 milhões de comprimidos, cápsulas e drágeas para o Amazonas.

Funcionários e alunos chamam o prédio da fábrica como “Elefante Branco”, por nunca ter funcionado. Até o fechamento desta edição, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) não havia se pronunciado sobre a situação em que se encontra a fábrica de medicamentos e nem por qual motivo o local não teve início das atividades, previstas há mais de uma década.


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