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Alvorecer aumenta fartura e diminui preços de pescados

Aumento da produtividade de pescado não influencia na diversificação do consumo, fixado em apenas dez espécies 13/09/2014 às 20:04
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No entreposto de pescado, na feira da Panair, na Zona Sul, o alvorecer é sinônimo de fartura de peixe e de preços para lá de convidativos nesta época do ano
Ana Celia Ossame Manaus (AM)

Nas primeiras horas da manhã, os peixes de água branca dos rios Solimões, Madeira e Purus chegam de tonelada nas feiras e mercados de Manaus, fazendo cair o preço e aumentar o consumo, fato comum nessa época do ano, intermediária entre a vazante e a enchente. A fartura é de sardinha, pacu e tucunaré, explica o vendedor de peixes Sebastião Alves de Souza, 51, da Feira da Panair, no bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul. No outro extremo da cidade, na Feira do Mutirão, no bairro Amazonino Mendes, Zona Leste, as sardinhas são as que mais chegam à banca do vendedor Marcelo Vieira de Oliveira, 37.

Os dois sabem da existência de milhares de espécies de pescado, mas só trabalham com menos de dez. De acordo com o ictiólogo e doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Efrem Jorge Ferreira, 60, estima-se que existem entre três a oito mil espécies de peixe na Amazônia, mas desse total, apenas 100 são consideradas comerciais, sendo que somente dez são consumidas regularmente. Quase 90% da produção e pesquisa é feita sobre essas dez espécies, o que indica muita perda, complementa.

Campanhas

O consumo acentuado de poucas espécies, segundo Efrem, em detrimento da grande diversidade existente, deveria ser alvo de campanhas de informação e educação. Ele atribui ao tabu e preconceito o fato da população rejeitar, por exemplo, o consumo de peixes lisos, ou seja, que não têm escamas.

“As pessoas não gostam de peixe liso por ser considerado reimoso e achar que transmite lepra (hanseníase), fato comum entre pessoas mais antigas”, revelou o pesquisador, para assegurar não haver qualquer fundamentação científica nessa crença. Para ele, a razão maior pode estar no fato de esses peixes serem gordurosos, o que acaba dificultando a digestão e com isso geram esse tipo de preconceito. O peixe reimoso é aquele que agrava processos infecciosos quando consumido.

Efrem estuda peixes desde o início da década de 80 do século passado e diz que até hoje é impossível saber, por exemplo, qual é o consumo de pescado da capital amazonense. No Rio Madeira, sabe-se da existência de mais de mil espécies de pescado, que poderiam ser consumidas, mas isso depende muito da necessidade, diz ele, exemplificando que no Rio Tiquié, afluente do Alto Rio Negro, a escassez é tamanha que os índios Tukano e Tuiuka consomem piabas, que são peixes miúdos.

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