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Amazonas assinará parceria com o ICBC nesta quinta-feira (21) para investimentos de R$ 3 bilhões

Protocolo pode possibilitar a conclusão de projetos como a cidade universitária da UEA em Iranduba e a duplicação da AM-010 (Manaus a Itacoatiara) 20/05/2015 às 12:58
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José Melo participou de solenidade onde a presidente Dilma Rousseff recebeu o primeiro-ministro da China, Li Keqiang
Antônio Paulo Brasília (Sucursal)

O Governo do Estado do Amazonas e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) assinam, amanhã, em Manaus, um protocolo de intenções para firmar acordos bilaterais para a conclusão do campus da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) – Cidade Universitária,  no Município de Iranduba; a duplicação da AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara, e projetos de criação de peixe em cativeiro, ao longo da rodovia. Os investimentos a serem propostos pelo Governo do Estado chegam a US$ 1 bilhão, cerca de R$ 3 bilhões.

O anúncio foi feito ontem pelo governador José Melo que participou de solenidade no Palácio do Planalto, onde a presidente Dilma Rousseff recebeu o primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang. O encontro serviu para firmar um Plano de Ação Conjunta entre os dois países no período de 2015 a 2021, estimado em US$ 133 bilhões, quase R$ 403 bilhões. No pacote, foram firmados 35 acordos que abrangem os segmentos de infraestrutura, indústria e comércio, planejamento estratégico, comunicações, transporte, agricultura e pecuária, energia, mineração, ciência e tecnologia.

Na área de meio ambiente, Brasil e China assinaram memorando de entendimento para parceria privada com vistas à elaboração de projeto no âmbito no programa de integração da Amazônia Legal para renovar e ampliar o atual sistema de proteção da Amazônia (Sipam), além de declarações conjuntas sobre mudanças climáticas.

“Esses acordos abrem a oportunidade aos Estados brasileiros fazerem também protocolos bilaterais com a China, como fizeram o Mato Grosso e Maranhão. O Amazonas não assinou os seus acordos porque não deu tempo de ficar pronto, mas nesta quinta-feira (21), serão assinados em Manaus. Nosso horizonte é que possamos ter recursos da China para desenvolvermos os nossos projetos e colocamos como prioridade conclusão do campus da Cidade Universitária  a duplicação da estrada Manaus-Itacoatiara e um case de produção de proteínas, ao longo da rodovia, pois os chineses estão interessados nessa área porque por lá há muitas bocas para alimentar”, declarou José Melo.

O governador amazonense destacou ainda o acordo bilateral entre Brasil e China para o monitoramento da Amazônia. Segundo ele, as riquezas regionais são a joia da “coroa” brasileira que precisam ser exploradas, mas de forma sustentável. Outro aspecto importante, citado por Melo, nesse protocolo de intenções sino-brasileiro, foram os acordos na área de ciência e tecnologia que abrem portas para o aproveitamento do setor chinês que desponta no mercado mundial.

Investimentos e capacidade produtiva

Entre os 35 acordos firmados ontem entre Brasil e China, totalizando US$ 133 bilhões (R$ 402,7 bilhões), está o que trata sobre investimentos e capacidade produtiva, entre o Ministério do Planejamento e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, nas áreas de energia elétrica, mineração, infraestrutura e manufaturas, totalizando mais de US$ 53 bilhões. O acordo entre a Caixa Econômica e o Banco Industrial e Comercial da China, o ICBC, criará um fundo de US$50 bilhões para financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil.

Os acordos de cooperação entre o Banco de Desenvolvimento da China, o Banco de Indústria e Comércio da China, o China Eximbank e a Petrobras vão oferecer um crédito de US$ 10 bilhões (R$ 33 bilhões).  Outra iniciativa é a proposta chinesa de criação de um Fundo bilateral de Cooperação Produtiva, da ordem de US$ 20 bilhões, recursos do governo da China, voltado para investimentos nas áreas de siderurgia, cimento, vidro, material de construção, equipamentos e manufaturas. A parte brasileira também irá participar deste fundo com recursos. O pagamento será em moedas locais: R$ 60 bilhões e CNY$ 190 bilhões, previstos pela parte chinesa.

No setor de energia, foi ampliada a parceria Brasil-China, consolidada em petróleo, gás e hidroeletricidade. Foi lançada ontem, online, a pedra fundamental de uma linha de transmissão em corrente contínua de 800 mil volts.

Acordos firmados envolvem empresas privadas e estatais

Entre os 35 acordos firmados entre Brasil e China, grande parte está voltada para grandes empresas brasileiras. Com a Petrobras, por exemplo, que vive uma crise ético-moral e financeira, por conta das investigações da operação Lava Jato, foram  firmados dois acordos para financiamento de projetos somando US$ 7 bilhões. O maior deles, no valor de US$ 5 bilhões, é com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB).

No começo de abril, a Petrobras já tinha firmado contrato de financiamento de US$ 3,5 bilhões com o CDB. Já a Vale fechou a venda de quatro navios Valemax, para transporte de minério de ferro, à China Merchantz Energy Shipping (CMES). A mineradora brasileira também ampliou um acordo de cooperação financeira de US$ 4 bilhões com a China. A Embraer, por sua vez, formalizou um contrato para vender 22 aviões regionais a uma companhia aérea chinesa, em um negócio de US$ 1,1 bilhão. Há previsão de que o acordo seja ampliado para incluir outras 18 aeronaves da fabricante brasileira. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiará a exportação dos pedidos chineses à Embraer no montante de até US$ 1,3 bilhão.

Em outra frente, o chinês Bank of Communications anunciou a compra de cerca de 80%  do banco brasileiro BBM por estimados R$ 525 milhões, marcando a primeira aquisição do grupo no exterior. A proposta de aquisição do Banco BBM é a primeira compra do Bank of Communications no exterior e marca o primeiro passo da expansão do banco na América Latina. A China vem sendo o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009.


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