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Cotidiano
TUBERCULOSE

Manaus concentra 80% dos casos de tuberculose registrados em todo o Estado

Coordenadora do Comitê Estadual de Tuberculose do AM acredita que só daqui a cinco anos uma queda de casos da doença poderá ser observado no Estado 24/03/2016 às 15:36
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A capacitação de estudantes, professores e comunitários sobre a prevenção da doença aconteceu ontem de manhã (Foto: Divulgação)
HELLEN MIRANDA

O Estado do Amazonas concentra o maior número de casos de tuberculose registrados em todo território nacional. A doença, que mata 1,5 milhão de pessoas todos os anos ao redor do mundo, tem, em média, três mil novos casos de tuberculose registrados por ano no Amazonas, e Manaus concentra 80% deles, mas há registros da doença nos 62 municipios do Estado.

Foi o que afirmou a coordenadora do Comitê Estadual de Tuberculose do Amazonas, Irineide Assunção Antunes, durante a formação de estudantes, professores e comunitários acerca da importância de medidas preventivas à doença.

De acordo com a coordenadora, o número de casos cresceu no Estado devido às buscas para identificar a doença. “Em 2007, houve a criação do comitê e, junto com as instituições, começamos a buscar os casos e levar as informações às pessoas para realizarem os exames. O número cresceu porque já existia a doença, mas muitas pessoas não sabiam”, explica.

Conforme Irineide, daqui a cinco anos poderá ser observada uma queda nos casos de tuberculose na região. “O processo é lento e por meio educativo“, diz.

Capacitação

Com o tema “Sociedade Civil e Governo em Ação para o Controle da Tuberculose”, o encontro aconteceu ontem, no auditório do Centro de Educação de Tempo Integral/Ceti Gilberto Mestrinho, no Educandos, Zona Sul, e faz parte das atividades da “Semana de Luta Contra a Tuberculose”.

De acordo com a coordenadora da ação pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Delta Segadilha, a informação é fundamental para que todos estejam empenhados na luta contra a doença.

“Estamos mobilizando toda a comunidade escolar para o enfrentamento efetivo da tuberculose. Temos dois públicos-alvo: os alunos e funcionários dentro das escolas”, informou.

Uma das medidas foi inserir a programação da “Semana” no calendário escolar da capital do interior, para disseminar informações sobre a doença.

A mobilização é uma ação integrada do Comitê Estadual de Tuberculose do Amazonas, do qual fazem parte, além da Seduc, a Secretaria Municipal de Educação (Semed), Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) e demais órgãos. As entidades que compõem o Comitê Estadual também realizaram uma videoconferência instrutiva para comunidades rurais do Amazonas.

AM avançou, mas tem 'falhas'

Para o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, o programa de controle da tuberculose tem avançado no Estado.

“Principalmente por conta da participação da sociedade civil: existe o comitê composto pelas instituições que trabalham com esse problema, mas já tivemos uma expansão importante no diagnóstico e hoje temos todos os municípios trabalhando com tecnologia para identificar de forma rápida a doença”, destaca.

Para ele, ainda há pontos a serem superados. “Como o melhoramento na taxa de abandono de tratamento dos doentes, que ainda é considera alta. Muitos pacientes fazem o diagnóstico, recebem medicação, têm uma melhora sensível e já abandonam o tratamento. E isso permite a produção da resistência do bacilo e o risco de disseminarem da doença para a família” informa.

Albuquerque ressalta que as pessoas próximas do doente, precisam de investigação, exame e monitoramento. “Cada caso registrado há grupos de pessoas mais frágeis, que convivem com o paciente doente. Essas pessoas devem fazer o exame e serem monitoradas”, finaliza.

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