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Amazonas é terceiro com mais registros de HIV em todo País

Dados apontam que não houve melhora no combate à Aids no Estado e que é preciso melhorar ações principalmente nos municípios do interior 01/12/2014 às 11:54
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Para diagnosticados com HIV, rede de atendimento para doença no Amazonas ainda é deficiente
Luana Carvalho Manaus (AM)

Desde primeiro caso de HIV/Aids diagnosticado no Estado do Amazonas, em 1986, foram registrados mais 10.773 casos até o ano passado, de acordo com dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Desse total, cerca de 4 mil são mulheres e quase 7 mil são do sexo masculino. No ranking de taxas de detecção do vírus, o Amazonas ocupa o terceiro lugar entre os Estados brasileiros, superando a média nacional, que é de 20,2 a cada 100 mil habitantes.

A taxa de incidência do vírus no Estado é de 29,2 a cada 100 mil habitantes. Em quase 30 anos, 2.554 soropositivos morreram. Em outro relatório gerado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que propôs oito metas como Objetivos do Milênio (ODM) no ano 2000, consta que o Amazonas não avançou no combate à Aids, malária e outras doenças infectocontagiosas.

A meta de número 7 do ODM é ter detido ou pelo menos começado a reverter a propagação do HIV/Aids até 2015. Mas os dados apontam que nenhuma melhora foi registrada. Ao contrário, os números vêm crescendo e os dados preocupantes refletem o que ainda precisa melhorar para os pacientes soropositivos, principalmente no interior do Estado.

Para a conselheira municipal e estadual de Saúde, Evalcilene Santos, 36, o atendimento no Estado ainda é deficiente. “Nós já melhoramos em algumas coisas, mas ainda tem muitas coisas para serem feitas. Estamos nos primeiros lugares nas taxas de óbitos e de infecção. Isso precisa diminuir. Somos portadores de HIV e temos pressa de melhorias na saúde”, enfatizou.

Ela vive com Aids há 15 anos e sentiu na pele o drama e as dificuldades ao ser diagnosticada, em 2000. “Eu não sabia o que era o vírus, tinha 22 anos na época e os médicos de Maués, minha terra natal, me encaminharam para Manaus achando que eu já ia morrer. O conhecimento dos profissionais que estão no interior não é o mesmo da capital, e esse é um problema muito enfrentado por quem vive nos outros municípios”.

Desigualdade

Evalcilane reclamou, ainda, da centralização de atendimento às pessoas com HIV. “Quando chegamos em outros prontos socorros ou postos de saúde, os médicos logo nos encaminham para a Fundação de Medicina Tropical. Não temos a oportunidade de sermos atendidos em locais mais próximos de nossas casas. Nem ao dentista podemos ir. O atendimento para qualquer doença de uma pessoa com HIV é centralizado, mesmo que seja só um resfriado”.  

Medidas

De acordo com a Susam, desde 2010, o Governo do Estado, tem investido em ações de descentralização do diagnóstico do HIV na capital e no interior, onde 100% dos municípios já implantaram testes rápidos, além da ampliação da rede de tratamento às pessoas que vivem com HIV. O número de unidades de referência dobrou entre 2010 e 2014, passando para 12.

Notificações

Além disso, a Susam fez a notificação de todos os casos de infecção, o que, de acordo com a secretaria, justifica o aumento na incidência em todo o País em torno de 25%. A ampliação e desburocratização da distribuição de preservativos é outra medida adotada pelo Estado.

Números

Em números, 10.773 casos de Aids foram diagnosticados no Amazonas desde 1986. Entre 1990 e 2012, dos 62 municípios do Estado, 56 já apresentaram casos da doença, antes restrita aos grandes centros. Até agora, 9.993 óbitos por causa de Aids foram registrados no Norte do Brasil desde 1980. No Estado do Amazonas, 2.554 portadores de HIV morreram entre 1986 e 2012.

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