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Amazonas já tem produção e comercialização de flores do campo em média escala

Depois de popularizar culturas como a do pimentão cultivado em estufa e inaugurar a primeira indústria de laticínios da região, agora o técnico agrícola investe em um novo nicho produtivo 22/08/2015 às 15:46
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O produtor rural, Edenilson Silva Nunes, apostou nas flores para criar um novo nicho de mercado
Juliana geraldo ---

“O mercado é a gente que cria”, afirma o produtor rural Edenilson Silva Nunes, de 55 anos. Há 44 anos em terras manauaras, ‘Galego’ como é conhecido no município de Iranduba, distante 27 quilômetros de Manaus, especializou-se em conceber novos mercados no Estado.

Depois de popularizar culturas como a do pimentão cultivado em estufa e inaugurar a primeira indústria de laticínios da região, agora o técnico agrícola investe em um novo nicho produtivo, que além de lucrativo, agrada aos olhos e aos corações: as flores do campo.

Há exatamente um ano, ele, o técnico agrícola Paulo Rufino e o empresário Mikio Kubo, tiveram a ideia inovadora de trazer para Manaus uma variedade de flores que até então só eram comercializadas a partir de São Paulo ou de fora do País. “Flores tropicais e plantas ornamentais já têm seu espaço na produção primária do Estado, mas cultivar flores mais refinadas como as do campo não havia sido tentado devido às dificuldades impostas pelo clima”, conta o produtor.

Mas o agricultor aceitou o desafio. Hoje, dois tipos de flores de corte (margaridas e crisântemos) ocupam nove casas de cultivo enquanto gérberas, rosas e mini-rosas florescem em outras três estruturas. As variedades são encontradas em mais de dez cores diferentes e no caso das flores de corte já rendem 300 maços por semana que são comercializados em Manaus.

Pioneirismo

Para ser o primeiro da região, o empresário apostou alto. Foram R$ 140 mil investidos em mudas e em telas de proteção que tiveram que ser trazidas de Israel para combater dois dos principais vilões do cultivo deste tipo de flor: a luminosidade e o clima.

“Cultivar espécies novas funciona na base da tentativa e do erro. No início gastamos uma quantia representativa de dinheiro em estratégias que não deram certo até adquirirmos alguma experiência em relação ao plantio na região amazônica. Algumas variedades ainda não se adaptaram enquanto outras já são comercializadas com um bom padrão de qualidade”, avalia.

Mercado

Hoje, com 8 mil mudas plantadas por semana, o produtor rural explica que abrir um novo mercado é um grande desafio. “Queremos atingir um nicho que ainda não está consolidado, que é de uma flor intermediária frente à importada, mas com preço mais acessível. Mas, para impulsionar esse mercado, o amazonense precisa criar o hábito de comprar flores no dia a dia para enfeitar sua casa, o que não é feito hoje em função do custo elevado”, defende.

Segundo ele, a expectativa é consolidar esse mercado em Manaus nos próximos cinco anos. “Só se faz mercado dessa forma. Quando eu comecei a plantar pimentão também não havia mercado. Eu falei em uma visita do governador na época que eu teria uma produção de quatro toneladas de pimentão por mês e ele me perguntou onde eu iria colocar tanto pimentão. Hoje, um único agricultor produz quatro toneladas por semana. A população não aumentou tanto assim, mas aprendeu a consumir o produto. O mesmo queremos para as nossas flores”, completa.

Cuidado ao empreender

Assim como Edenilson Nunes, outros empresários também optam por inaugurar um nicho de mercado para atender uma necessidade que uma faixa da população ainda não sabe que tem. Entretanto, de acordo com a gerente da Unidade Atendimento Individual UAI do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM), Ana Paula Correia, é preciso atenção antes de “apostar todas as fichas” em um segmento identificado como inédito.

“Identificar qual o segmento de clientes, quais necessidades esse negócio vai atender, se a solução proposta é relevante e de que forma o modelo será testado, são algumas dicas importantes”, destaca a especialista. Segundo ela, a não observação desses e outros itens pode levar a uma baixa aceitação e ao fracasso do empreendimento, com perda dos recursos investidos.

“Pode ser uma solução arrojada ou dar prejuízo, dependerá do comportamento do empreendedor e da atenção a todos os detalhes antes de investir realmente”, opina Ana Paula.

Serviço

O quê?: Venda de flores do campo

Onde?: Kubo Flores

Endereço: Av. Alvaro Maia, São Geraldo

Telefone: 3088-8311


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