Quinta-feira, 05 de Agosto de 2021
Recorde de mortes

Amazonas perde quase 25 mil vidas no ‘ano da pandemia’ e eleva a média de óbitos dos últimos 17 anos

Período de março de 2020 a fevereiro de 2021 registrou um crescimento de 86,8% nos óbitos e 11.269 mortes a mais em relação à média histórica do estado



Sem_t_tulo_2E0EE172-FE60-4A4A-96C8-B0EBFBEC8BDF.jpg Foto: Junio Matos
16/03/2021 às 12:55

Com a crise de saúde pública instalada em razão da Covid-19, rede hospitalar à beira do colapso, aumento no número de mortes em domicílios em razão da falta de leitos ou do medo da ida aos hospitais, reflexos no crescimento dos falecimentos por doenças respiratórias e cardíacas aceleradas pelo vírus, o Amazonas completou o “ano da pandemia” com um total de 24.238 mortos, número recorde desde o início da série histórica “Estatísticas do Registro Civil”, em 2003.

Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.



No Amazonas, o número de óbitos registrados em Cartórios no “ano da pandemia”, considerado o período de março de 2020 a fevereiro de 2021 totalizou 24.238 mortes, um total de 11.269 falecimentos a mais do que a média dos mesmos períodos desde 2003. Em termos percentuais, significa um crescimento de 86,7% de óbitos em relação à média histórica, que sempre esteve na casa de 3,5%, totalizando 83,4 pontos percentuais a mais no período. Na comparação em relação ao exato ano anterior da pandemia, março de 2019 a fevereiro de 2020, o aumento foi de 44,7% no número de falecimentos.

“A Covid-19 ocasionou uma série de impactos na rotina da sociedade, principalmente na saúde pública, sendo que o Amazonas foi um dos estados mais atingidos do país. Trazer estas informações à sociedade, de forma transparente e em tempo real é de importância vital para que os agentes públicos possam elaborar ações de combate à doença”, afirmou o presidente da Associação dos Notários e Registradores do Amazonas (Anoreg-AM), Marcelo Lima Filho.

Já o Brasil fechou o ano da pandemia com quase 1,5 milhão de mortos, número recorde desde o início da série histórica. No país, o período de março de 2020 a fevereiro de 2021 totalizou 1.498.910 mortes, um total de 355.455 falecimentos a mais do que a média dos mesmos períodos desde 2003. Em termos percentuais, significa um crescimento de 31% de óbitos em relação à média histórica, que sempre esteve na casa de 1,7%, totalizando 29,3 pontos percentuais a mais no período. Na comparação em relação ao exato ano anterior da pandemia, março de 2019 a fevereiro de 2020, o aumento foi de 13,7% no número de falecimentos.

Fevereiro recordista

O agravamento da pandemia no último mês, fez de fevereiro de 2021 o mês mais mortal de sua própria série histórica no Amazonas, com um total de 3.698 óbitos registrados pelos cartórios no período, 2.685 mil óbitos a mais do que a média para o período. O número foi ainda 72,6% maior do que a média histórica dos meses de fevereiro desde 2003. Na comparação com fevereiro de 2020, o crescimento foi de 209,7%.

Em Manaus, a situação se repetiu e em fevereiro de 2021 teve um total de 3.081 óbitos registrados pelos cartórios no período, 2.360 óbitos a mais do que a média para o período. O número foi ainda 76,6% maior do que a média histórica dos meses de fevereiro desde 2003. Na comparação com fevereiro de 2020, o crescimento foi de 215,6%.

O número de óbitos registrados nos meses de 2021 ainda pode vir a aumentar, assim como a variação da média anual e do período, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência. Além disso, alguns estados brasileiros expandiram o prazo legal para comunicação de registros em razão da situação de emergência causada pela COVID-19.

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