Sábado, 14 de Dezembro de 2019
NOVEMBRO AZUL

Amazonas possui 580 novos casos de câncer de próstata por ano, diz Inca

Especialista e conscientizadores falam sobre a importância do exame toque retal para a saúde do homem no Amazonas. Diagnóstico precoce dá 95% de chances para cura para doença



Capturar_9AB92914-2E04-4B52-9274-17D2A4436134.JPG Foto: Junio Matos
15/11/2019 às 08:16

A estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta para o Amazonas um total de 580 novos casos de câncer de próstata por ano. Dados da Gerência de Controle e Avaliação da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) mostram que a procura por consultas médicas no Amazonas é 30% menor entre os homens, quando comparado com as mulheres. Os dados preocupam, mas são ainda mais alarmantes se considerarmos que boa parte dos homens relutam em fazer o exame de toque retal que pode identificar alterações e, claro, o câncer de próstata.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens iniciem a avaliação do risco de câncer da próstata a partir dos 50 anos. Há dois grupos que devem iniciar o rastreio aos 45 anos: homens com histórico da doença na família e negros. Os exames de rastreio são o toque retal e o exame de sangue, o PSA. De janeiro a setembro de 2019, o serviço de Urologia da Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon) realizou 2.587 consultas urológicas.



O urologista Giuseppe Figliuolo, da Fundação Cecon e da clínica Urocentro Manaus, analisa que é “total a importância do exame de próstata”.

“Ele faz o diagnóstico precoce, e não existe método infalível para não ter o câncer de próstata. Quando você faz o diagnóstico precoce há 95% de chance de cura para aqueles que procuram regularmente o médico, não àqueles que esperam os sintomas aparecerem, aí é normalmente quando a doença está em uma fase mais avançada”, explica o doutor, presidente regional da SBU.

“A ideia é fazer justamente os dois exames, tanto o PSA quanto o toque, porque o PSA, que é o exame de sangue, apesar de ser muito bom, não é 100%, pode falhar em 10% a 20% dos casos. O toque retal também não é 100%, mas quando você associa os dois te dá uma segurança melhor de dizer que está tudo bem. Ou, se um dos dois apresentar alguma alteração, acende a luz amarela de que pode ter algum problema, e passar a utilizar alguns outros mais modernos, inclusive, como a ressonância da próstata para identificar o local do problema e, daí, a biópsia ser dirigida para aquele alvo”, orienta Figliuolo. 

Segundo ele, o medo que muitos homens têm em não fazer o exame de toque é “educacional”, onde “talvez pela nossa sociedade patriarcal na qual o homem não foi preparado para se cuidar, diferente da mulher”.

“Parece que a doença fragiliza o homem, e isso é errado. Chamo isso de ‘masculinidade frágil’, porque o homem não quer perder um dia de trabalho para ir ao médico. A mentalidade tem que ser ao contrário porquê, quando se faz a prevenção, e a pessoa fica doente, geralmente são em casos mais avançados, graves, difíceis de tratar, e aí causa mais sofrimento para o homem e a família; os homens morrem sete anos mais jovens que as mulheres; de cada cinco mortes, três são de homens. E 51% dos homens admitem que nunca procuraram ou não procuram regularmente um médico. E 1/3 deles têm mais medo de perder o emprego que ficar doente”, declara, elogiando as campanhas de saúde pública, que ajudam a desmistificar o assunto.

Onde fazer o exame?

Ele informa que os homens que buscam fazer o exame de próstata podem procurar a rede pública de saúde - postos de saúde e UBSs - e fazer o exame geral da saúde para medir a pressão, os níveis de glicose, colesterol, PSA, se possível com um médico treinado o toque e ultrasson e, se o profissional identificar alguma suspeita de doença na próstata, como um câncer, aí fará o encaminhamento para triagem na Fundação Cecon, que é o hospital de referência para esses casos, para verificar se há necessidade de ser feita uma biópsia e, se confirmado o diagnóstico, será tratado. “O acesso ao sistema de saúde, todo, é pela atenção primária pelos postos de saúde. O segredo é estimular os homens a irem aos postos ou UBSs”, acrescenta.

O enfermeiro Iran Saraiva de Barros, 51, fez o exame de toque pela primeira vez há cinco anos e é exemplo de homem que não se descuida, fazendo sua prevenção. Demonstrando esclarecimento, ele fala que o procedimento é importante porquê “detecta se a próstata está aumentada; o exame de toque é melhor, pois o urologista pode ver se há alguma coisa estranha”.

A relutância dos homens em fazer o exame retal é “cultural”, diz Iran. “Parte das regiões Norte e Nordeste sofre índice maior de casos de câncer de próstata por causa dessa questão cultural, do machismo, falta de informação. Muitos homens não entendem o que é isso”. Para ele, campanhas como o “Novembro Azul” são importantes, mas deveriam ter um cunho mais simples para os mais leigos.

“Um ribeirinho pode não saber o que é uma próstata. Falta mais informação para o público mais leigo”, ressalta.

Ele reforça que o exame não faz nenhum homem perder a masculinidade. “Pelo contrário: é a vida dele que está em jogo. O exame é rápido e pode evitar situações como metástase”, alerta Iran Saraiva de Barros, dando um “toque” a quem teme o necessário exame

Palestras ajudam a conscientizar e esclarecer em bairros

O trabalho de cuidar da sua própria saúde é, para alguns, paralelo ao ato de conscientizar outros homens. É o que faz o médico Preventivo e da Família, Israelson Taveira, 35, que esclarece sobre a importância dos exames de câncer de próstata em palestras junto a comunidades, por meio de um trabalho assistencial da Igreja Evangélica Assembléia de Deus do Amazonas (Ieadam).

Neste dia 16 ele estará no Mutirão. “Algo que eu sempre falo nas minhas palestras em relação à saúde do homem é que não importa que tipo de homem que você é, e sim aquele que se cuide, que procure anualmente o médico de sua predileção, ou especialista ou clínico urologista, mas que faça os seus exames de rotina, pois, assim como tem o Outubro Rosa, há o Novembro Azul, que é voltado à saúde pública do homem, que deve ser cuidar, procurar fazer os exames rotineiramente e evitar um problema tão sério se fizer essa prevenção”, explica o especialista, que é pós-graduando em Genética Humana.

O médico lembra que o câncer de próstata pode ser evitado se feito o exame de rastreio precocemente.

Médico revelou problema e faz alerta para outros homens

Os tabus, verdadeiros estigmas que impedem os homens de fazerem o exame de toque retal são perigosos, segundo os médicos.

“Este estigma só dá prejuízo. Não fazendo os exames periodicamente, é certeza absoluta que vão fazer o diagnóstico em uma fase mais adiantada. E fase mais avançada significa tratamento mais prolongado, quimioterapia e índice de cura muito menor do que quando se faz o diagnóstico precoce”, alertou o vice-presidente da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), o mastologista Jesus Pinheiro, na abertura oficial da campanha Novembro Azul, ocorrida na noite do último dia 4, uma segunda-feira, na sede da Prefeitura de Manaus, na Zona Oeste da capital.

O médico contou que passou, em janeiro deste ano, por uma cirurgia para tratar um câncer de próstata. O procedimento foi simples por ter descoberto a doença na fase inicial. Ele destacou a importância de as mulheres encorajarem seus maridos e familiares a fazerem os exames periódicos. “Pegue na mão do seu marido e leve pra fazer os exames periódicos. Só assim vamos reduzir os casos avançados”, afirmou o especialista.

Repórter de A Crítica

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