Sábado, 25 de Maio de 2019
SAÚDE

Amazonas tem estoque extra de 55 mil doses de vacina contra a febre amarela

Diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, diz que Estado ainda não precisou de reforço e cobertura vacinal é "boa". Nos últimos 10 anos, dez casos de febre amarela foram registrados no Amazonas



febre_amarela.JPG
Segundo FVS, Amazonas possui cobertura de 85% contra a febre amarela (Foto: Arquivo/AC)
23/01/2017 às 12:58

O Amazonas possui um estoque de 55 mil doses extras de vacinação contra a febre amarela que ainda não foi usado. Desde o ano passado, apenas um caso da doença foi registrado em todo o Estado, ocorrido no município de Manacapuru. De acordo com o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, a cobertura vacinal da doença no Amazonas atual é de 85%. Em Minas Gerais, o Ministério da Saúde apontou 25 mortes provocadas pela doença em janeiro deste ano.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a capital não registra casos do ciclo urbano da doença há 10 anos. Isso porque, na última década, todos os casos de febre amarela ocorreram no ciclo silvestre. Neste ciclo, os macacos são os principais hospedeiros do vírus e os vetores são mosquitos com hábitos silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes, e o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata.

Em 2016, um caso da doença foi registrado no município de Manacapuru. Outros seis casos foram registrados em interiores do Amazonas nos últimos 10 anos, apontou o diretor da FVS. Na semana passada, Albuquerque informou que emitiu nota técnica para intensificação das vacinações no interior do Estado. Segundo ele, o Amazonas conta com uma reserva técnica de 55 mil doses de vacina.

“Temos uma reserva técnica de 55 mil doses, sendo 30 mil pela Secretaria Municipal de Saúde e mais 25 mil destinada principalmente para o interior. Essa reserva ainda não foi usada porque os postos de atendimento estão abastecidos. Também não acionamos o Ministério da Saúde para reforço de doses”, disse Albuquerque.

Segundo a Semsa, a vacina é oferecida em 182 Unidades Básicas de Saúde da capital e 647.127 doses foram aplicadas de 2013 a 2016. O diretor-presidente da FVS afirma que a cobertura vacinal no Amazonas varia de 80% a 85% e é considerada “boa”. “É uma situação dentro daquilo esperado. É o ideal? Não... Mas é uma cobertura que evita qualquer situação epidêmica”, declarou.

Retorno do ciclo urbano

Embora a capital não registre casos de febre amarela há 10 anos, o risco de disseminação da doença existe, explica o infectologista e diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque. Segundo ele, a incidência do mosquito Aedes aegypti - um dos vetores da doença – não elimina o surgimento de pessoas infectadas na capital.

 “O Aedes é um vetor urbano e o ciclo urbano foi erradicado no Brasil na década de 40. No Brasil, apenas o ciclo silvestre registra esses casos. É o caso de Minas Gerais e Espírito Santo. No entanto, há a possibilidade do retorno do ciclo urbano, caso a população não se vacine e não tome as devidas precauções contra a proliferação do mosquito”, explicou Bernardino.

Vacinação

O pesquisador e diretor do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Sérgio Luz, explicou que a vacinação contra a febre amarela dá cobertura de 10 anos contra a doença. O Amazonas é um estado endêmico, e por isso, são necessárias pelo menos duas vacinas durante toda a vida.

“A vacinação inicial pras crianças é a partir dos 9 meses e outra de reforço aos 4 anos. Quem toma vacina pela primeira vez a partir dos 5 anos, toma uma segunda dose de reforço. Como a nossa região é uma região que sem dúvida nenhuma é recomendada, por termos a floresta, os animais, os mosquitos, temos a recomendação de tomar vacina. Então o que é preciso fazer é que a população mantenha a sua caderneta de vacinação em dia”, disse o pesquisador.

Além da vacinação, ele alerta para a importância da eliminação dos criadouros do Aedes Aegypti. “Se eliminar os criadouros, você consegue eliminar quatro possíveis doenças, no caso a febre amarela, chikungunya, dengue e o zika”.

Mortes

Em todo o país, de acordo com o Ministério da Saúde, os casos continuam concentrados em região de mata silvestre. O último balanço do ministério, de sexta-feira (20) aponta 272 casos suspeitos em Minas Gerais, 47 foram confirmados e 25 óbitos. No Espírito Santo, são 11 casos suspeitos e 13 em São Paulo, com seis mortes. O próximo balanço será divulgado hoje (23) à noite.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.