Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
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"Para cada 100 pessoas que têm câncer de pulmão, 90% fumam”, avaliou o cardiologista Aristóteles Alencar (Foto: Reprodução/Internet)
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SAÚDE

Amazonas reduziu número de fumantes em 18% nos últimos 10 anos, aponta pesquisa

Bom resultado é atribuído ao sucesso das campanhas de conscientização promovidas nas escolas, diz especialista


29/08/2017 às 17:19

O Amazonas reduziu em 18% o número de fumantes nos últimos 10 anos. A informação foi repassada, na manhã desta terça-feira (29), pelo coordenador do Programa Estadual de Controle do Tabagismo, o cardiologista Aristóteles Alencar, durante a programação de atividades em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo que aconteceu na Escola Municipal Elvira Borges, na Compensa, zona Oeste de Manaus. A ação foi coordenada pelo Departamento de Prevenção e Controle do Câncer (DPCC - FCecon).

O bom resultado, de acordo com o coordenador, consta na última pesquisa Vigitel (feita por telefone) encomendada em 2016 pelo Ministério da Saúde (MS) e é atribuído ao sucesso das campanhas de conscientização promovidas nas escolas e demais informes publicitários na imprensa. Porém, segundo ele, novas campanhas serão retomadas para atingir outro público que vem causando preocupação em todo o mundo.

“Nós vamos retomar as campanhas com o foco específico para as meninas adolescentes, já que esse é público que vem apresentando o maior número de fumantes nos dias de hoje. O adulto morre ou abandona o fumo. Já as meninas, agora, estão fumando mais e ainda não conseguimos identificar a causa”, explicou Aristóteles Alencar.

Segundo dados do Programa Estadual de Controle do Tabagismo, o tabaco é a maior causa isolada de mortes no mundo. “Se pudéssemos extinguir o tabaco no globo terrestre, nós teríamos menos 30% de todas as mortes. Um exemplo disso é: para cada 100 pessoas que têm câncer de pulmão, 90% fumam. Então, esse é um tipo de câncer perfeitamente evitável”, avaliou o cardiologista Aristóteles Alencar.

Além do câncer de pulmão, o cardiologista cita também outras doenças provocadas pelo tabaco, dentre elas, infarto no miocárdio, angina do peito e derrame. Para o coordenador, o cigarro é uma equação que não fecha porque, para cada U$ 1 dólar que o Brasil arrecada de impostos, o país gasta U$ 2 para tratar problemas de saúde resultantes do vício em cigarro.
 
Onde encontrar ajuda

Para o fumante que decidiu para de fumar e quer encontrar ajuda, basta se dirigir a qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) do município, onde vai encontrar equipes treinadas e capacitadas para tratar o paciente fumante. Outra opção para quem desejar parar de fumar, é  procurar ajuda no Programa Estadual de Controle do Tabagismo que funciona no Departamento de Prevenção e Controle do Câncer (DPCC – Fcecon), localizado a Rua Francisco Orellana, 215, Dom Pedro.
 
Crianças

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado nesta terça-feira (29), as crianças da Escola Municipal Elvira Borges, localizada na rua Vinte e Três de Dezembro, bairro da Compensa, Zona Oeste de Manaus, receberam orientações sobre os prejuízos causados pelo fumo. Elas se tornaram multiplicadoras na conscientização da família sobre os perigos com uso do cigarro.

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“Neste dia, nosso objetivo é de alertar à população e, principalmente as crianças e adolescentes sobre os malefícios do tabaco. Essas crianças funcionam como instrumento de modificação social porque ao chegarem em casa, elas vão ver o pai, a mãe ou o vizinho que fuma e vão levar  informações de combate ao tabaco”, esclareceu o cardiologista e coordenador do Programa Estadual de Controle do Tabagismo, Aristóteles Alencar.

Depois de receber as orientações, os alunos puderam participar de brincadeiras e outras atividades, mas levaram a mensagem principal para casa. “Eu aprendi hoje que não pode fumar porque o cigarro causa muitas doenças e que o nosso pulmão fica estragado, e quando eu chegar em casa, eu vou falar para a minha família para eles não fumarem porque isso não é bom para a saúde”, disse a aluna do 5º ano, Rayca Lohanna Queiroz, 10 anos.

Para quem teve caso de morte na família por conta do cigarro, a preocupação é maior. “Meu tio morreu porque ele fumava muito e eu fiquei muito triste. Por isso, eu não quero que ninguém use cigarro na minha família”, contou a aluna do 5º ano, Conceição Ferreira da Costa, 12 anos.
 
Manaus 23ª colocada

Segundo a última pesquisa Vigitel (via ligação telefônica), encomendada em 2016 pelo Ministério da Saúde, Manaus figura como 23ª colocada, entre as 26 capitais e mais o Distrito Federal, em percentual de fumantes adultos, com 5,6% da população com mais de 18 anos consumindo tabaco. O número ainda preocupa especialistas.

O diretor-presidente da Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon), cirurgião oncológico Marco Antônio Ricci, ressaltou que a criação da data de combate ao fumo teve como principal objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco.

“Além das doenças cardiovasculares, o cigarro também está associado diretamente a diversos tipos de câncer, como o de pulmão, traqueia, boca, estômago e bexiga. Depois do envelhecimento, ele é o principal fator de risco isolado para as neoplasias malignas. Então, precisamos investir em ações como essa, que levem informação de qualidade à população”, destacou.

De acordo com a projeção mais recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão subordinado ao Ministério da Saúde (MS), os cânceres de traqueia, brônquio, pulmão, estômago, cavidade oral, laringe, bexiga e esôfago, devem registrar, juntos, 980 casos no Amazonas, em 2017 - quase 19% de todos os diagnósticos de neoplasias malignas previstos para o Estado.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo foi criado há 31 anos (1986), através da Lei Federal 7.488, que inaugurou a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta, sendo considerado, portanto, um problema de saúde pública. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas morram todo o ano no Brasil em decorrência do fumo. Esse valor salta para cerca de 4,9 milhões em perspectiva mundial.

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