Publicidade
Cotidiano
Produção industrial

Amazonas registra maior recuo na produção industrial do ano, aponta indicador do IBGE

Enquanto o setor apresenta melhoras em outros estados, no Amazonas registra dois anos (25 meses) de quedas consecutivas desde a redução no consumo provocada pela crise econômica 08/06/2016 às 21:39 - Atualizado em 08/06/2016 às 21:42
Show queda 34
A rotina do polo industrial mudou com redução na jornada de trabalho, rodízios nas linhas de produção, demissão de mais de 35 mil trabalhadores em um ano, férias coletivas compulsórias e prolongadas / Foto: Antônio Lima/Arquivo AC
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

A produção industrial do Amazonas recuou 21,3% em abril de 2016 em comparação a abril de 2015. Isto significa dois anos (25 meses) de quedas consecutivos desde que a redução no consumo provocada pela crise econômica passou a afetar a produção de bens na Zona Franca de Manaus (ZFM).

O indicador é divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O intenso ritmo de queda já chega a -21,7% nos quatro primeiros meses do ano, pior do que o verificado no quadrimestre do ano passado (-20,4%). O índice acumulado nos últimos doze meses recuou 18,1% em abril de 2016, resultado próximo do observado nos meses de janeiro (-18,3%), fevereiro (-18,7%) e março (-18,0%).

Todas as dez atividades pesquisadas assinalaram queda na produção. As principais perdas vieram dos setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-28,9%), pressionados, em grande parte, pela menor produção de televisores, gravador ou reprodutor de sinais de áudio e vídeo (DVD, home theater integrado e semelhantes), telefones celulares, receptor-decodificador de sinais de vídeo codificados, relógios de pulso, monitores de vídeos, computadores pessoais de mesa (PC Desktops) e rádios para veículos automotores.

Vale mencionar ainda os recuos vindos dos setores de outros equipamentos de transporte (-32,3%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-15,9%), de máquinas e equipamentos (-69,4%), de bebidas (-9,7%), de impressão e reprodução de gravações (-44,4%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-30,7%), explicados, em grande medida, pela menor produção de motocicletas e suas peças, no primeiro; de óleo diesel, naftas para petroquímica, óleos combustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP), no segundo; de aparelhos de ar-condicionado de paredes, de janelas ou transportáveis (inclusive os do tipo “split system”), aparelhos ou equipamentos de ar-condicionado para uso central e terminais comerciais de autoatendimento, no terceiro; de preparações em xarope para elaboração de bebidas para fins industriais, no quarto; de discos de vídeos (DVDs), no quinto; e de conversores estáticos elétricos ou eletrônicos, baterias e acumuladores elétricos, fios, cabos e condutores elétricos com capa, fornos de micro-ondas e aparelhos elétricos de alarme para proteção contra roubo ou incêndio, no último.

Cenário

A queda na produção industrial traz várias consequências para o estado, observou o vice-presidente da Federação doas Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo. A rotina do polo industrial mudou com redução na jornada de trabalho, rodízios nas linhas de produção, demissão de mais de 35 mil trabalhadores em um ano, férias coletivas compulsórias e prolongadas.

A arrecadação estadual sofreu baixa de 7,12% de janeiro até maio, não apenas com os impostos da indústria, mas por conta do cenário econômico que tem no setor industrial sua principal sustentação.

Blog: Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação das Indústrias

"Pelo fato de o Amazonas concentrar  fabricação de bens duráveis não essenciais, o impacto negativo tem sido maior sobre a produção industrial, observa Nelson. Isso porque o desemprego já atinge 11,2% dos brasileiros, ou cerca de 11,4 milhões de pessoas. Apesar da troca de governo sinalizar uma esperança para o empresariado, o momento de incertezas políticas  inspira desconfiança. “Há uma retração muito grande do mercado. Neste mês de junho, as grandes empresas vão entrar em férias coletivas. Hoje a grande maioria trabalha quatro dias na semana. Por isso em cima da produção menor, temos um reflexo na arrecadação do Estado”.

Estados registram melhoras

A indústria registrou recuo na produção de 5 dos 14 locais pesquisados na passagem de março para abril, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional, divulgados nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na margem, a alta mais intensa foi registrada em Pernambuco (10,2%). Também subiu a produção em São Paulo (2,6%), Minas (2,4%), Goiás (0,8%) e Rio de Janeiro (0,7%).

Em contrapartida, a maior queda foi no Amazonas (-13,5%). No total nacional, a indústria avançou 0,1% em abril ante março. Na comparação com abril de 2015, a produção em São Paulo recuou 2,6%. Nessa ótica de comparação, houve queda em 13 dos 15 locais pesquisados. Na média, a produção industrial recuou 7,2% em abril ante igual mês de 2015, como revelou o IBGE semana passada (Agência Estado).

Publicidade
Publicidade