Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
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ALERTA

Amazonas teve 870 casos de hanseníase nos últimos dois anos, aponta Fuam

Doença ainda é desconhecida por grande parte da população e tratada com preconceito por quem pouco conhece. Nesta terça-feira (29), é celebrado o Dia Mundial do Hanseniano


29/01/2019 às 03:40

O Dia Mundial do Hanseniano, comemorado nesta terça-feira (29 de janeiro), é mais uma data que serve para chamar atenção da sociedade para o cuidado e diagnóstico precoce da doença infectocontagiosa considerada a mais antiga da humanidade. Apesar disso, Hanseníase ainda é desconhecida por grande parte da população e tratada com preconceito por quem pouco conhece sobre a enfermidade que, hoje, pode ser diagnosticada e tratada de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

A doença é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium Leprae e, por causa de pré-disposição genética do paciente, há duas formas: a Paucibacilar e a Multibacilar. “Na forma Paucibacilar, as pessoas não são capazes de transmitir a bactéria para outra pessoa. Por outro lado, há pessoas que, de acordo com a sua pré-disposição genética, elas vão fazer a forma Multibacilar da doença, ou seja, elas são capazes de transmitir a doença”, explicou a médica dermatologista Dra. Carolina Talhari.

Conforme a especialista, a bactéria fica alojada nas vias aérea superiores, predominantemente, onde acontece a transmissão. “Ela é uma bactéria que causa lesões na pele, mas também tem certa predileção pelos nervos”, acrescenta. 

Quanto aos sinais, podem aparecer manchas ou não. “Geralmente elas são mais claras que a pele da pessoa e, com o passar do tempo, essas manchas podem começar a ficar avermelhadas e ter relevo e a pessoa pode não sentir aquela lesão”.

Diagnóstico

De acordo com a médica, durante o exame, os médicos a “palpação dos nervos periféricos”. “Apalpamos vários filetes nervosos desse paciente, vários nervos para saber se estão dolorosos. Fazemos a baciloscopia que é um exame que a gente tira a linfa dos pavilhões auriculares, dos cotovelos e de algumas lesões desse paciente”. 

O material vai para uma coloração especial onde o dermatologista  verificará se há, de fato, a bactéria. Conforme a médica, o procedimento ajuda na classificação do Paucibacelar e do Multibacelar.  “O Paucibacelar, ele vai ter papiloscopia negativa e mesmo assim ele está doente, isso significa que ele não é capaz de transmitir a doença. Já o Multibacelar, ele vai ter a papiloscopia positiva”, disse.

Tratamento

Caso o paciente seja Paucibascelar, ele deverá passar por um tratamento que  inclui duas drogas: a Rifampicina e a Dapsona. Para este tratamento, o período será feito durante seis meses. 

Já para o paciente Multibacelar, o tratamento é diferente. Além da   Rifampcina e Dapsona,  ele vai tomar uma terceira droga chamada Clofazimina. Neste o tratamento será feito durante 12 meses. 

Uma vez que se inicia o tratamento, a pessoa não consegue mais transmitir, mas o bacilo continua lá. “Por isso, a gente explica para o doente que ele faça o tratamento de forma adequada durante o tempo adequado”, explica a Dra. Carolina Talhari. 

Durante o período de tratamento, o paciente retorna mensalmente ao hospital para receber atendimento médico e acompanhamento.

Informação

Para o coordenador estadual do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), Pedro Borges da Silva, a falta de informação sobre a doença entre a população ainda é uma das principais dificuldades para o controle da hanseníase.

“O nosso objetivo é alertar a população para que procure uma Unidade de Saúde em caso de sintomas suspeitos. Uma mancha na pele pode ser ou não hanseníase, mas é importante que a pessoa faça o exame. Quando o diagnóstico é feito precocemente, a pessoa pode iniciar o tratamento e não irá sofrer as sequelas da hanseníase”, destacou.

Quase mil casos em dois anos

Conforme dados da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), foram detectados 411 casos novos de Hanseníase em 2018 no Amazonas. Os números diminuíram em comparação com 2017, quando foram  detectados 459 novos casos.

O diagnóstico e tratamento da hanseníase  podem ser feitos tanto na rede básica de saúde, de competência dos municípios, quanto nas unidades da rede estadual.Os testes para diagnóstico são feitos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o tratamento é realizado nas UBSs e na Fundação Alfredo da Matta (Fuam), unidade da rede estadual. Nas policlínicas, onde há atendimento dermatológico, os casos suspeitos são atendidos e encaminhados para tratamento ambulatorial na rede de assistência.

Com a campanha “Janeiro Roxo”, a  Prefeitura de Manaus realizou diversas ações durante este mês.

Curado

O tesoureiro da Casa Andrea, que presta apoio a hansenianos, Pedro Gomes Farias, de 60 anos, contou que foi curado da hanseníase nos anos 80.

“Eu adoeci tinha 16 anos. Fiquei em tratamento na Colônia Antônio Aleixo durante muito tempo e, quando apareceu o remédio, em 1987, foi quando realmente combateu a doença e fiquei curado”,  relatou ele. Pedro Gomes Farias aproveitou para disponibilizar o contato da instituição para quem puder ajudar. “Nós estamos sobrevivendo com a ajuda da população. As pessoas que ajudam, dão uma caixa de frango. Se quiser ajudar, as portas estão abertas. Pode entrar em contato através do número (92) 3644-3716. Funcionamos de 7h até as 19h”, disse.

Em Manaus, a Casa Andrea do Amazonas, uma sociedade de amparo a hansenianos existente há 41 anos na capital amazonense, está localizada na rua Brasil, nº 40, bairro Coroado 2, Zona Leste.

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