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Cotidiano
Incentivo tecnológico

AM ganhará 'corredor do guaraná' para incentivar a produção do fruto amazônico

Iniciativa da Embrapa busca criar uma rota com a cultura do guaraná nos municípios de Manaus, Manacapuru, Iranduba, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva, de forma a expandir o cultivo do fruto 30/09/2016 às 05:00
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Eliane Medeiro, presidente da Cooperativa Mista Agropecuária de Produtores de Manacapuru, e o guaraná / Fotos: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O Amazonas produz anualmente “apenas” 794 toneladas de guaraná, de um total de 2.500ton da produção nacional, perdendo para a Bahia, que lidera no País com suas cerca de 1.100 toneladas. Para reverter esse quadro da fruta tipicamente amazônica, a Embrapa Amazônia Ocidental apresentou ontem, em um seminário, o projeto “Expansão da Guaranaicultura - Criação do Corredor Metropolitano da Cultura do Guaraná", que foi realizado no auditório Sumaúma da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

A iniciativa busca criar uma rota com a cultura do guaraná nos municípios de Manaus, Manacapuru, Iranduba, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva, de forma a expandir o cultivo do fruto na área metropolitana de Manaus e de fortalecer a cultura no Estado do Amazonas. Em Manaus esse “corredor do guaraná” será desenvolvido apenas em comunidades mais rurais, como no Puraquequara.

Ontem, o seminário reuniu os principais atores da cadeia de valor da cultura do guaraná, apresentando a iniciativa e mostrando como ela está sendo desenvolvida atualmente, além de elencar as atividades futuras e promover a interação entre os agricultores selecionados para condução das Unidades de Referência Tecnológicas, as indústrias que apoiam o projeto e demais instituições envolvidas.

“A criação do corredor do guaraná é um projeto de transferência de tecnologia que visa mostrar a produtores e indústrias que existe tecnologia desenvolvida e de qualidade dentro do nosso Estado para solucionar a baixa demanda de guaraná que é utilizado pelas indústrias do pólo de concentrados, basicamente, porquê o guaraná é utilizado como insumo para várias indústrias, como bebidas, isotônicos, de refrigerantes, fármacos, de químicas, de cosméticos, enfim, é um superpotência econômica dentro do  nosso Estado e as pessoas não sabem que a Embrapa tem hoje 18 cultivares recomendados para a Região Norte e que pode vir a fazer a diferença para produtores, indústria, receita do Estado do Amazonas como um todo e para o desenvolvimento social e regional do nosso Amazonas”, informa Indramara Lobo de Araújo, analista da Embrapa e líder do projeto. 

O projeto foi aprovado no final do ano passado, e no início deste houve um levantamento do perfil sócio-econômico dos envolvidos e agora está na fase de preparo de área, pois entre dezembro e março será implantada essa cultura nos campos. De modo prático, a partir de dezembro, com 1 ano e 8 meses os cultivares mais precoces começam a frutificar, estabilizando em 3 anos.
“Os cultivares da Embrapa frutificam em 1 ano e 8 meses, um período mais curto que os 5 anos do cultivo tradicional. É um ganho muito grande em termos financeiros e econômicos para o produtor e toda a cadeia que necessita desse insumo”, explica a especialista da Embrapa Amazônia Ocidental.

O evento teve apoio da Brasil Kirin, Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Instituto Nacional de Educação Científica Agroecológica da Amazônia (Instituto Amaós), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

A estimativa anual do Município de Maués, maior produtor de guaraná do Amazonas, segundo do País, que no total produz 794 ton, é de 380 toneladas. A líder Bahia produz cerca de 1.100, seguida de Mato Grosso e Rondônia.

Geraldo Bernardino, secretário executivo de Pesca e Aquicultura do Estado
“Uma das principais importâncias desse projeto é essa ideia de cadeia de produção que é dada neste seminário, além da competição com outros Estados como a Bahia. O guaraná é de origem nossa, é da Amazônia, temos o que crescer muito mais e temos um espaço muito grande. O mercado é brasileiro, e temos todo um mercado internacional querendo um guaraná que é bom para tudo, para a saúde e fortifica as pessoas”, disse ele.

Bernardino comentou sobre o Amazonas produzir 794 toneladas por ano de guaraná. “Não só a origem, como a tecnologia, a existência de parâmetros ambientais favoráveis é muito pequena, mas com certeza vamos crescer muito mais”, acrescentou o secretário-executivo.

Produtora de cooperativa de Manacapuru festeja projeto da Embrapa
Manacapuru é uma das cidades que vai receber, de forma inédita, a cultura do guaraná, segundo informa Eliana Medeiro, presidente da Cooperariva Mista Agropecuária de Produtores daquele município a 86 quilômetros de Manaus.

“Pra nós em Manacapuru o guaraná é novidade. Nossa cooperativa está expandindo as atividades introduzindo novas culturas porquê nós acreditamos que precisamos diversificar nossa produção para assim garantirmos uma renda de outra cultura. Este é um momento histórico para nós e estamos abertos para esse projeto que é importante para nós produtores”, explica a dirigente da Coomapem, que ainda não tem números da produção inicial.

“Esse projeto da Embrapa é pequeno. Sabemos que em todo início de projeto há dificuldades de produzir e de convencimento aos nossos produtores, porquê tudo que é novo gera medo, mas estamos dispostos a introduzir esse projeto dentro da nossa cooperativa. Temos poucos produtores interessados mas é o início do projeto em Manacapuru”, conta ela.

“Minha expectativa é que esse projeto venha trazer benefício para toda a comunidade de Manacapuru. Nossa cooperativa tem mais de 400 cooperados”, conclui a presidente.

Obrigação é contribuir, diz empresário, elogando iniciativa
Para José Franzotti, presidente da Empresa Sabores Vegetais do Brasil, que patrocinou o evento na Ufam, o evento de ontem representou muito para os empresários que investem no guaraná amazônico.

“Um dos principais produtos da nossa empresa, o carro-chefe, é o guaraná. Nós somos uma indústria de refrigerantes, e viemos a Manaus por conta de dois motivos importantes: o primeiro é que aqui é o berço da principal matéria-prima que é o guaraná;  e em segundo pelos incentivos que o Estado do Amazonas proporciona a todos nós. Estamos aqui há 12 anos com indústria instalada e sede própria, cada vez mais aumentando a sua tecnologia, visando melhorar a qualidade,desenvolver os produtos e todos os tipos de concentrados, e o que acontece é que nesse evento, com essa junção onde estamos tendo a iniciativa da Embrapa, juntamente com apoio das prefeituras dessas cidades que estão compondo esse projeto, também com os produtores que estão aceitando participar dele, e nós da indústria, claro que temos a obrigação de contribuir para que esse projeto dê certo porquê precisamos dessa matéria-prima cada dia com mais qualidade, com preço de mercado compettitivo para que a gente possa pegar esse produto e desenvolvê-lo ainda mais. Acreditamos muito no guaraná, que é uma fruta que só existe praticamente no Amazonas, e fazer com que ela seja uma fruta mundial. Hoje ela é difundida muito no Brasil como um produto tipicamente brasileiro, e nós temos que pegar, através desses incentivos, fazer com que a gente possa levar esse produto para todo o mundo”, disse ele, que vende extratos e concentrados para as indústrias de refrigerantes.

O empresário afirmou que mais projetos semelhantes ao do “Corredor do Guaraná” poderiam ser desenvolvidos no País. “Ninguém faz nada sozinho, não é verdade? A iniciativa da Embrapa, considerando toda a tecnologia que eles têm, é um casamento perfeito, vamos proporcionar desenvolvimento, vamos gerar emprego, renda, então sem dúvida que nós temos que incentivar ações como essa.

Franzotti frisou que, é em momento de crise como o atual na economia nacional, que às vezes se encontram oportunidades como essa do “Corredor do Guaraná”. “Quem sabe essa não é uma oportunidade para nós sairmos da crise? Quando estamos em uma época muito boa a gente não tem necessidade de ter iniciativa porquê tudo está acontecendo de uma forma fácil. Em um momento atual como esse é ao contrário, onde existem oportunidades, essa criatividade e eu vejo isso de uma forma muito bacana. O Brasil tem uma coisa maravilhosa que é o povo que tem iniciativa. Temos que apostar, incentivar e dar todo apoio para que isso aconteça não só nesse caso quanto em outros”, comentou ele, cujo grupo emprega 25 pessoas no Amazonas e em torno de 700 no Estado de São Paulo.

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