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Amazonense testemunha atentado no Líbano

Alya Baydoun, 35, estava a 200 metros da explosão que deixou três mortos e conta que viu vários clarões e ouviu barulhos de tiros 16/08/2013 às 08:22
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Instantes após o atentado, que aconteceu a alguns metros do prédio onde Alya tomava café da manhã, o desespero tomou as ruas de Beirute, no Líbano
Oswaldo Neto ---

A amazonense Alya Baydoun, 35, testemunhou e registrou imagens de um atentado que ocorreu no bairro de Darrie, em Beirute, no Líbano. A destruição foi causada pela explosão de dois carros e aconteceu por volta das 10h, hora local (4h no horário de Manaus) e tomou dimensão mundial. A família da amazonense e a comunidade libanesa em Manaus acompanham com aflição o caso.

Os carros explodiram a 200 metros do prédio onde Alya mora com a filha, 13, e o marido. Em contato com a redação de A CRÍTICA por telefone, ela disse que pouco do que acontece no Líbano é repassado à população. “Os confrontos entre os muçulmanos são de proporções gigantescas e pouco do que acontece aqui é mostrado lá fora”.

O fato aconteceu enquanto Alya tomava café em seu apartamento, no 15º andar de um prédio em Beirute. Segundo ela, ao sentir um tremor no chão do local, seguido de vários cacos de vidro caindo na comida, partiu correndo para fora do apartamento para chamar a filha, que estava descendo no elevador. As duas voltaram para o corredor do prédio acompanhado de paredes a fim de se proteger. Durante as explosões, Alya conta que viu vários clarões pela janela acompanhados de muita fumaça e tiros.

Alya saiu do prédio, entrou no carro e seguiu para outra casa com a filha. De acordo com ela, durante este percurso pode constatar o tamanho da destruição provocada pelas explosões: várias pessoas ensangüentadas tendo em sua maioria mortos e o exército tentando socorrer vítimas em estado grave. Segundo Alya, muitas crianças que estudavam em uma escola próxima ao desastre ficaram feridas.

A amazonense conta que mesmo morando em uma região onde os conflitos são constantes, pretende se mudar e que deseja viver no Líbano. “Estamos acostumados”, disse ela.

Ayma Baydoun, irmão de Alya que vive em Manaus e que morou dez anos no Líbano, diz que os confrontos que acontecem na região não são de origem religiosa. “Os xiitas comandam o Líbano. O confronto, na verdade, é pelo fato dos sunitas serem aliados dos EUA que querem comandar o Líbano, aí acontecem esses embates”. Ainda segundo Ayma, durante o tempo que morou no país não conseguiu ver a “luz”. “Tínhamos uma casa com um terreno gigantesco e diversas vezes tanques de guerra entravam sem permissão para atirar em helicópteros”.

De acordo com ele, a privação da liberdade existente no país chega a níveis extremos. “É proibido você escutar música em público, chamar qualquer tipo de atenção. Lá, diferentes orientações sexuais também são reprimidas. Mulheres, por exemplo, não podem ser tocadas a não ser por membros da família”.

Influência externaDe acordo com o jornalista Anwar Assi, 38, integrante da comunidade libanesa em Manaus, as tragédias que marcam a região do Oriente Médio são resultado de articulações promovidas por países que querem dominar áreas que não lhe pertencem. “Os EUA criam grupos para desestabilizar o Poder Público de cada região. Esses grupos realizam esses atentados e tiram milhares de vidas. Os xiitas e sunitas são povos unidos, porém tudo o que é produzido é para dar a entender que são confrontos religiosos”.

Repercussão internacional

Segundo informações divulgadas pela TV “Al Manar”, do Hezbollah, na hora havia vários corpos espalhados pelas ruas e a explosão aconteceu no mesmo local de outra explosão, no mês passado. A “Al Manar” diz que a explosão aconteceu em uma das principais vias da região, reduto do grupo islâmico.

Um grupo islâmico sunita auto intitulado “Brigadas de Aisha” assumiu a autoria do atentado e prometeu novos ataques. “Esta é a segunda vez que nós decidimos o local e hora da batalha... e vocês verão mais, se Deus quiser”, disse um homem mascarado, em um vídeo endereçado ao líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.

No mês passado, uma explosão em uma área próxima à de ontem deixou pelo menos 50 feridos. A guerra civil no país vizinho, Síria, tem aumentado as tensões entre os grupos sunitas e xiitas no país. Os xiitas, em sua maioria, apoiam o presidente sírio, Bashar Assad, e os sunitas, os rebeldes que tentam tirá-lo do poder.

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